Frase de Rosana Fleury
A perversidade Tinha ido ao mercado naquele dia para comprar balangandãns e trama para enfeitar-se no dia do casamento. Andou,procurou,escolheu e se adornou das melhores peças. Chamaria mais atenção do que a prometida. De volta para casa notou-se seguida por uma mulher vestida de cinza, de olhos devoradores. Esgueirou-se pelas paredes curvilíneas da circunferência das ruas, onde as corujas já confabulavam com o anoitecer. O medo apertou e, na soleira iluminada da porta de alguém desconhecido, parou dominada pelo receio. O imaginar derramou e observou a rua pacata corcoveando solitária nas sombras do crepúsculo. Apressou seu caminhar agarrada às suas compras. A lua iluminou seus passos e avisava que as horas se passavam apressadamente. Urgiam, latejava em sua aura o temor. Avistou sua moradia e mesmo atrasada seu coração aquietou-se. Chegou, pôs a chave em casa, entrou e ela apareceu entre as grades do portão vestida de cinza, de olhos vorazes, se ofereceu com voz macia. Sua presença imaginária anunciou: – Esqueceu-se do perfume senhora. – Não quero mais nada, já basta. – Nada é falta, compre minha essência. E ela comprou a profundeza dos cheiros. No dia prometido perfumou-se de ausência e madrugou morta. Livro Pó de Anjo Autora: Rosana Fleury
No pensador.ai desde