Frase de João Pedro Filho
Sou o azar da imprudente intenção de quem ousa desfolhar-me.
No pensador.ai desde
Sou o azar da imprudente intenção de quem ousa desfolhar-me.
No pensador.ai desde
Nem sempre o silêncio é defesa ou reação, mas tempo de cura.
Dossel Um denso dossel cobriu meus olhos, e a noite caiu. Foram-se as vozes, as cores, o toque, e no silente de um só; resvalei em mim nas lembranças que se esfumaram no tempo.
Dossel Um denso dossel cobriu meus olhos, e a noite caiu. Foram-se as vozes, as cores, o toque, e no silente de um só; resvalei em mim nas lembranças que se esfumaram no tempo. Na urgência do destino, a selfie ausente do poente não vivido. O adeus roubado. Caminhando de olhos fechados, uma vida esvaiu-se por entre os dedos. Cansado, adormeci nos escombros de mim mesmo, a duras penas conformado. Despertei à luz do sol, quando o vento soprou o dossel. Nesta altura, conheci — desconhecendo, as rugas na pele e os fios brancos, nascidos na dormência de quem fui. Na esperança, sigo lutando no presente, a guardar memórias na epiderme; trapaceando o incerto blackout. Quanto tempo me resta, não sei! Cá dentro, é a dor no vazio da minha metamorfose que perdi. Sem ver, envelheci!
Ilha Na rebentação em fúria Lembranças antigas despertam
Ilha Na rebentação em fúria Lembranças antigas despertam Em ciclones e tormentas. Maré alta, noite inteira Clama ventos, que a norte chegam Bramindo desassossegos Protestos por Selena ausente, Em édredons, escondida Eu e a ilha, somos um só Fustigados num inferno Em tempestades de inverno Estrondos retumbantes De memórias que chagam mentes Na calada dos silêncios Até que Selena apareça Para que o vento se acalme E, enfim, eu adormeça. Eu e a ilha, somos um só!
Insónia Na tua ausência, amor, tem dias que nem um vento se sente. É como se a aragem entrasse pelas ventas do mundo, e no vão entre mim e ele, restasse um vazio. Um nada.
Insónia Na tua ausência, amor, tem dias que nem um vento se sente. É como se a aragem entrasse pelas ventas do mundo, e no vão entre mim e ele, restasse um vazio. Um nada. Na insípida madrugada, o desconcertante censo de vazio. Acordado, fecho os olhos, e dentro de mim vou tateando na escuridão, lembranças que esbarram no peito. Serenatas longínquas que o vento traz, embalando a insónia, feito ondas de um Atlântico. Bailado de vida, vai vem de memórias e sentidos. Na hora em que o mundo adormece, é quando o silêncio grita mais alto na saudade de um tempo que foi e não volta. Constante, é este condensar o pensar nesta forma estranha de estar. Vivi no teu peito, e na despedida de um beijo, morri.