Frase de João Pedro Filho
Dossel Um denso dossel cobriu meus olhos, e a noite caiu. Foram-se as vozes, as cores, o toque, e no silente de um só; resvalei em mim nas lembranças que se esfumaram no tempo. Na urgência do destino, a selfie ausente do poente não vivido. O adeus roubado. Caminhando de olhos fechados, uma vida esvaiu-se por entre os dedos. Cansado, adormeci nos escombros de mim mesmo, a duras penas conformado. Despertei à luz do sol, quando o vento soprou o dossel. Nesta altura, conheci — desconhecendo, as rugas na pele e os fios brancos, nascidos na dormência de quem fui. Na esperança, sigo lutando no presente, a guardar memórias na epiderme; trapaceando o incerto blackout. Quanto tempo me resta, não sei! Cá dentro, é a dor no vazio da minha metamorfose que perdi. Sem ver, envelheci!
No pensador.ai desde