Frase de Angelo Hope
Eu queria, com a delicadeza das madrugadas, tecer versos de celebração, um poema que fosse festa, um presente de palavras... Suave como vento em junho. Queria vestir tua existência de flores escritas e acender no papel o brilho de um afeto imenso. Mas já não posso. O tempo, sempre tão hábil em roubar excessos, me ensinou a guardar o amor na gaveta do que passou. Hoje, o que resta é a claridade sóbria da amizade, essa chama mais tranquila que não queima, apenas aquece e não pede mais rimas apaixonadas, apenas o silêncio respeitoso de quem sabe que há distâncias que se tornam permanentes e há corações que desaprendem a sonhar. E assim, renuncio à poesia que te coroaria, não por falta de beleza em ti, mas porque em mim o amor já se dissolveu, virou memória sem vértice, rio que correu e agora é mar distante. Ainda assim, desejo, mesmo sem versos, que tua vida seja música e teus dias floresçam sem precisar do meu poema. Pois amar e soltar, às vezes, é a maior poesia que consigo escrever.
No pensador.ai desde