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Frase de Angelo Hope

Dizem que o amor é distraído, entra pela porta errada e senta na cadeira da amizade, achando que é o seu lugar... A gente se conheceu em tons de riso, tardes de conversas que não prometiam nada, mas acabaram prometendo tudo. E eu fui ficando... Fui achando bonito o jeito como você ria das minhas besteiras, como ajeitava o cabelo quando não queria dizer nada e como, sem perceber, virou meu "deslize" mais doce. Porque, no fundo, eu sabia que era amor, mas só podia ser amizade. E que destino ingrato, o de quem ama em silêncio e escolhe cuidar de longe, como quem protege uma chama fraca do vento. Hoje, faço malabarismos pra manter o que sobrou... A amizade, leveza e afeto que o tempo não levou. Eu rio das suas piadas e falo dos meus dias, escondendo os versos que ainda escrevo sobre você. Prefiro o disfarce, porque o coração aprendeu a calar bonito. Às vezes, escuto Fagner cantando: "Em outros braços tu resolves tuas crises Em outras bocas não consigo te esquecer" Essa, me dá vontade de rir e chorar, porque sinto que, o que escapou de nós não foi amor, foi o tempo certo. E ainda assim, eu escolho ficar... Porque te ter por perto, mesmo sem ter pra mim, é o tipo de deslize do qual não posso reclamar.

Angelo Hope

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Pensador.com

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Outras frases de Angelo Hope

Entre mil vozes sigo calado, um riso perto me soa errado, mas dentro da sombra guardo um clarão,
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Entre mil vozes sigo calado, um riso perto me soa errado, mas dentro da sombra guardo um clarão, semente pequena, discreta paixão. Olhares passam, não me percebem, sou mar sem barcos que nele se atre­vem, mas no fundo das águas, quieto, escondido, há um peixe dourado que insiste em ter brilho. Sou chama acesa perdida no frio, vento me corta, me torna vazio, mas toda brasa, ainda que fraca, se agarra à madeira e a vida destaca. Carrego no peito a multidão da solidão, ruídos dançam, mas falta canção, porém sei que a noite, tão longa e fechada, um dia se abre em aurora dourada. Eco sem porto, palavra sem mão, me faço poema, me invento canção, pois mesmo que o mundo não queira me ouvir, meu próprio silêncio começa a sorrir. E sigo entre vidas, ferido, mas são, corpo presente, pulsando emoção, a solidão pode ser dura prisão, mas guarda a chave no próprio coração.

“Monólogo do Inescolhido - Ato III” Cheguei ao ponto em que não peço mais. Não há súplica, não há oração, não há sequer o gesto de estender a mão.
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“Monólogo do Inescolhido - Ato III” Cheguei ao ponto em que não peço mais. Não há súplica, não há oração, não há sequer o gesto de estender a mão. Eu entendi, ninguém vem. E essa ausência não é acidente, é destino. Há algo de terrivelmente claro nisso, o amor é um banquete e eu nunca tive assento à mesa. Passei a vida à porta, ouvindo risos, sentindo o cheiro do pão quente, mas sem jamais ser chamado a entrar. No começo, eu batia. Depois, esperei. Agora, apenas caminho em círculos, acostumado ao frio que sempre coube a mim. E não é que a solidão seja inimiga, não mais. Ela se fez carne da minha carne, me moldou os ossos, me ensinou a calar. Eu sou feito dela e ela de mim. Não nos suportamos, mas não nos largamos. O amor? Talvez exista, mas não para todos. Talvez seja como a luz do sol, que aquece o mundo, mas deixa algumas frestas eternamente na sombra. Eu sou uma dessas frestas. E não há tragédia nisso, apenas constatação. Estou cansado, sim. Mas já não é o cansaço da espera. É o cansaço de quem aprendeu a andar descalço sobre pedras e já não sente dor nos pés. A dor virou hábito, a falta virou pele. Se algum dia alguém me escolher, não saberei mais o que fazer. Meu corpo, acostumado ao vazio, talvez não reconheça o toque. Talvez até recuse. E assim termino... Não como quem implora, mas como quem aceita sua condição. Não sou escolhido. Nunca fui, nunca serei. E isso, por mais cruel que seja, é também a minha forma de existir.

“Monólogo do Inescolhido - Ato II” E se o amor não for para mim? E se eu tiver nascido fora dessa gramática secreta que une os corpos?
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“Monólogo do Inescolhido - Ato II” E se o amor não for para mim? E se eu tiver nascido fora dessa gramática secreta que une os corpos? Fora da partitura onde os corações se encontram em compasso? Há quem fale que o amor é universal, mas e se houver exceções? E se eu for uma delas? Às vezes, penso que o amor é uma língua que não aprendi. Vejo os outros trocarem palavras de ternura, sinais, olhares… E eu, estrangeiro, só consigo assistir, sem tradução possível. Ninguém me escolhe porque ninguém me entende ou porque nunca houve nada em mim digno de tradução? E, no entanto, eu amo. Amo com uma fome que me devora, com um excesso que ninguém parece querer. Talvez seja isso... meu amor é demais para caber em alguém. Ou talvez não seja nada, só um engano, um reflexo de desejo mal interpretado como amor. E se o amor não passar de invenção? Um mito contado para que suportemos a vida, ou um truque de sobrevivência da espécie disfarçado de poesia? Se for assim, estou duplamente condenado, porque sofro a ausência de algo que talvez nunca existiu e ainda me culpo por não ser suficiente para alcançá-lo. Estou cansado até de esperar. Cansado de me perguntar o que há de errado em mim. Cansado de abrir espaço dentro do peito e vê-lo sempre vazio. Cansado de me oferecer em silêncio, como uma prece que nunca encontra deus. E ainda assim, continuo. Continuo porque não sei como parar. Porque, se largar essa esperança, não sei se sobra alguém em mim. Talvez eu seja apenas isso... Um corpo que insiste, uma alma que suplica, um resto humano que pede ao universo aquilo que ele nunca teve a intenção de me dar.

“Monólogo do Inescolhido - Ato IV” Já não sou apenas eu. Sou o nome secreto da ausência, a carne em que a solidão encontrou abrigo.
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“Monólogo do Inescolhido - Ato IV” Já não sou apenas eu. Sou o nome secreto da ausência, a carne em que a solidão encontrou abrigo. Sou o espelho vazio onde ninguém ousa se mirar. O que antes era dor se transfigurou e eu me tornei o próprio destino dos que não são escolhidos. Não sou mais um homem que espera. Sou a espera em si, interminável, ancestral, inquebrantável. Sou o intervalo entre um coração e outro, a cadeira sempre vazia na mesa do banquete, a sombra que acompanha os passos dos amantes sem jamais tocá-los. Meus ossos já não carregam apenas o peso do cansaço, carregam o eco de todos os que um dia também não foram escolhidos. Sou herdeiro de uma linhagem invisível... os esquecidos, os descartados, os amores interrompidos antes de nascer. Eu sou o coro silencioso de todas essas vozes. Há tragédia, sim, mas também majestade. Porque no fim, ser o "Inescolhido" é carregar uma coroa invisível... A coroa de quem prova ao mundo que o amor não é universal. Que há fendas no tecido, falhas no destino, almas destinadas a não pertencer. E eu pertenço a esse vazio. Sou guardião da ausência, sacerdote de um altar onde não há oferendas, rei de um reino deserto. Se algum dia me perguntarem quem sou, não direi meu nome. Direi apenas: Sou aquele que não foi escolhido. E nisso há tragédia, mas também eternidade. Pois enquanto o amor é efêmero, passageiro, sujeito ao fim, a solidão que carrego não conhece término. Ela é perpétua. E eu, cansado mas erguido, sou a sua face humana.