Frase de Michael Bruthor
Fui moldado na poeira do não-dito, Onde os deuses escrevem com pranto e mito. Carrego em mim o eco do início, E a cicatriz sagrada do sacrifício. Vi meu reflexo em rios que não voltam, E beijei lábios de sombras que soltam. Nos olhos do tempo, busquei o que é puro, Mas só encontrei silêncio e futuro. Te amei no intervalo entre dois mundos, No compasso dos coros mais profundos. Foste chama em meio à ruína, Vestida de luz, ferida e divina. Mas todo amor é lâmina em flor, Perfuma, encanta — e sangra em cor. E mesmo entre os véus da eternidade, Perdi-te na curva da realidade. Caminho agora por ruínas celestes, Onde os anjos têm olhos terrestres. E cada passo que dou na ausência, É um salmo perdido na consciência. O universo é um coro de dúvidas, Cantando em línguas de luz e lâminas. Mas no centro do caos há um altar, Onde as almas nuas vêm descansar. Se a morte for apenas uma canção, Que tua voz ecoe na escuridão. E quando o silêncio enfim me tocar, Quero teus braços a me embalar. Pois tudo que morre, volta a ser chama No ventre do tempo que tudo reclama. E mesmo no fim, onde tudo termina, Nasce o infinito — em forma divina.
No pensador.ai desde