Frase de Rosana Fleury
Lagarteando “Casei Engrandeci Achei que era eu Dona de meu nariz Agora Senhora Dona das minhas horas Só eu não sabia Que neste ensejo Era outro fruto” Aprontei-me, modifiquei o tom de voz para cara metade, dona do mundo, de mim, dos outros em meu caminho. Acima dos conselhos, arrastando outro sobrenome que nunca residiu em meu nome e escolhi: – Qual carne, senhora!? Filé, contrafilé, alcatra, coxão-mole? Pensando: ”coxão-mole jamais, nunca...” – Que é isto aqui? – Lagarto senhora. – Tá bonito. Quanto pesa? – Dois quilos. – Pode cortar em bifes de um dedo de espessura (cara-metade gostava). Pronto, dei ordem, criei coragem. E o pior, ele obedeceu,vendeu e eu comprei a idiotice. Aprontei a mesa, taças com haste longas, toalhas de linho, porcelanas dos antepassados, purê de batatas com queijo roquefort à luz de velas. Frigideira ao fogo, azeite espanhol para fritar e os bifes de lagarto, com um dedo de espessura enrolaram como orelhas. Comemos só purê com vinho tinto, culpei o açougueiro e o cachorro passou bem. As velas derreteram, me envolvi no calor de apaixonar. Minha sogra não viu, e nesse andamento, não revirou meu lixo. Sucesso apaixonado e estendi minha receita com proveito. E o dia alvoreceu em paz. Livro Pó de Anjo Autora: Rosana Fleury
No pensador.ai desde