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Era manhã quando desabei, percebi que eu era ninguém
Talvez eu ainda fosse alguém, ou somente um resquício
Um espectro de quem queria ser mas nunca me esforcei a tal
Na deprimente luz fraca da manhã vi o quanto eu havia mudado
E por Deus, não queria que isso tivesse me deixado tão conturbado
Mas então o sol apareceu imponente, e tudo de repente ficou tão pequeno
A tarde gelada chegou, um sopro de ar, uma chuva fina, um poema de amor
Novamente me perguntei quem era, numa reflexão nefasta que a nada espera
Só então compreendi os meus erros, num ato de lucidez ou talvez desespero
Porém, eu sabia, não tem como mudar o passado, talvez aceitar fosse a melhor opção
Obrigar a mente a esquecer as memórias ruins, e o coração os amores sem finais
Mas então a lua pairou no céu, e duvidei se não estava fazendo de tudo um escarcéu
Na bela noite procurei por descanso, mas nada era fácil além da incerteza
E as dúvidas apareciam aos montes, num circo impensável de tristeza
Eu sabia que tudo que precisava era de um pouco de clareza, talvez alguma diversão
Só que nem mesmo toda a felicidade passageira impedia a mente de girar em turbilhão
E nos livros enfim, encontrei um pouco de amparo, na quietude da noite, na profundidade da palavra
Mas então o sono chegou e com ele não tive vez, e ao abrir os olhos já era manhã outra vez