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Frase de Elisa Flor

O GRITO Não, sinto muito, mas não posso mais O pranto me sufoca a garganta, tusso convulsivamente Me rouba o sono, me tira a paz, me torna incapaz Preciso gritar no poema que cala esbravejar na poesia, essa utopia sem eira nem beira assim mesmo... Sem métrica, sem rima, sem metáforas ou alegorias Qualquer coisa aqui dentro precisa de desvencilhar, bater asas pelo céu escuro da madrugada, desencarnar o verbo, livrar o corvo dessas grades de prata! Meus olhos estão cansados Já não comportam mais as torrentes lamaçais Crispo os dentes em desespero e rancor Nem sei se vivo ou morro ( E eu tenho escolha?) O diabo me ronda a alma... A navalha ao meu alcance, um lance Um lance apenas e jamais... ...Nunca mais debilidade Basta um pequeno corte na radial Sangria intermitente Fim, eminente. Eternamente... E na insanidade Nesta dubiedade colossal vou seguindo Escrevendo estas linhas dementes Que talvez ninguém chegue à ler! Mas não faz diferença Vou esbravejar aos quatro ventos minha dor meu lamento cheio de apatia, " nisso" o que chamo de poesia. De que outra forma perdurar a vivência, já que sou covarde por demais para estanca-la, e não tenho como, ou para onde fugir...!

Elisa Flor

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Pensador.com

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IMPÁVIDA POESIA ...E disse Deus: Haja luz!
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IMPÁVIDA POESIA ...E disse Deus: Haja luz! Feliz, prosseguiu: Voem passarinhos Borboletas em mil cores Brotem flores pela terra Ondas beijem as praias Hajam céus Universos em estrelas Lua para os futuros amores Sol para despertar a vida na imensidão dos mundos...! Então, estrondar de beleza sem igual! Agora, o momento sagrado A obra prima A primazia da sua arte Eis que homem e mulher Ele cria! Sopra-lhes nas narinas uma alma que sonha Que sente Que ama! Então num fache de luz Em grandeza e maestria Há o reconhecimento do belo Olhos nos olhos Bocas de carmim Uma colossal alegria...! E no fundo do ser dos primeiros amantes Cheios de rompantes de paixão e acalanto, surge do amor Impávida A primeira A mais bela e terna poesia...!

"EU"... Dia imenso Ausência de luz
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"EU"... Dia imenso Ausência de luz e de alegria... Dimensionar a dor? Impossível Vazios cheios de silêncios Pensamentos desordenados Sentimentos desorientados Tristeza sem razão de ser Sem lugar para ser Tão intensa Tão latente Sem fluidez de vida Sem garantia de guarida Ontem? Ecos distantes... Amanhã, dificilmente como era antes! Tanta escuridão... Tantos " Nãos" Tantas palavras Poema sem rima Aleatoriedade Ambiguidade Sensação de insanidade Ansiedade Sede da verdade Mas que verdade? Fujo da verdade Medo de saber Medo dos meus medos Das minhas fóbicas fobias Manias Realidades que cegam Cegueira bem recebida Anseio pela vida Angústia de viver " Eu" Paradoxo " Eu" dividido "Eu" não concluído " Eu " como sei ser Como posso ser " Eu" confusa " Eu" poesia...

Sob o lampião... Como está escuro meu Deus! Nas ruas vagam gentes sem nomes
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Sob o lampião... Como está escuro meu Deus! Nas ruas vagam gentes sem nomes Espectros na imensidão do mundo Caminham... Não sei para onde. Da minha janela os espreito! A tênue luz do lampião me permite A mulher cabisbaixa O homem encurvado, no terno azul... Seguem quietos, calados Alheios à tudo Alheios à mim que os observo! O que será que pensam? Será que sonham? Fantasiam? Anseiam...? Será que seus sofrimentos são maiores que os meus? Eu, que fico aqui, a ludibriar a minha dor, pensando nas dores deles...! Ou será que somos todos fantoches nas mãos impiedosas de um destino incerto, sob o brilho de um lampião pendurado sobre nossas cabeças?

METAMORFOSE Por favor queridos Hoje
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METAMORFOSE Por favor queridos Hoje Não questionem os meus versos! É que estou sou tão borboleta... Em constante transição Metamorfoseante. Mas é mesmo um pesar que eu não me mantenha asas... Sempre volto ao meu estado de larva. Tão volátil. Não fico em mim Nem mesmo sei o que sou Amanheço alegria Crisálida em utopia. Poesia Anoiteço solidão. " Lagarteante".