Frase de Elisa Flor
O GRITO Não, sinto muito, mas não posso mais O pranto me sufoca a garganta, tusso convulsivamente Me rouba o sono, me tira a paz, me torna incapaz Preciso gritar no poema que cala esbravejar na poesia, essa utopia sem eira nem beira assim mesmo... Sem métrica, sem rima, sem metáforas ou alegorias Qualquer coisa aqui dentro precisa de desvencilhar, bater asas pelo céu escuro da madrugada, desencarnar o verbo, livrar o corvo dessas grades de prata! Meus olhos estão cansados Já não comportam mais as torrentes lamaçais Crispo os dentes em desespero e rancor Nem sei se vivo ou morro ( E eu tenho escolha?) O diabo me ronda a alma... A navalha ao meu alcance, um lance Um lance apenas e jamais... ...Nunca mais debilidade Basta um pequeno corte na radial Sangria intermitente Fim, eminente. Eternamente... E na insanidade Nesta dubiedade colossal vou seguindo Escrevendo estas linhas dementes Que talvez ninguém chegue à ler! Mas não faz diferença Vou esbravejar aos quatro ventos minha dor meu lamento cheio de apatia, " nisso" o que chamo de poesia. De que outra forma perdurar a vivência, já que sou covarde por demais para estanca-la, e não tenho como, ou para onde fugir...!
No pensador.ai desde