Frase de BARROS, José D'Assunção.
O PAREDÃO MARIANO . . Os anjos libertadores, incumbidos de trazer a chave da Sociedade Livre, morreram todos no Paredão Mariano. . Não me lembro se foram fuzilados, se fluíram por um corte na garganta, ou se alguns morreram de gripe... . O que sei é que sua marca ficou nos muros que foram pichados pelas cidades de países passados e futuros. . Os anjos libertadores morreram por uma venda no Paredão Mariano. . O Paredão Mariano não existe. Sua pedra e sua largura são por conta da imaginação do poeta; . mas sua imagem me veio tão nítida, como se fosse o sonho de um pesadelo vivo, que herdei o desespero dos condenados. . O Paredão Mariano: a dureza das suas paredes frias ... o horizonte de metralhadoras e fuzis prestes a roubar a vida. .. O Paredão Mariano não existe: sua pedra e sua largura são ficções de um poeta louco. . Não há registro histórico; mas seus olhos me gritam tanto, e sonhar é tão pouco... . O que foi feito dos anjos libertadores diante do horizonte de metralhadoras? Em forma de brilhos, terão sobrevivido? . Será que, em música, foram convertidos, e hoje trilham no céu noturno o leite alegre das estrelas? . E o Paredão Mariano, que não existe? . Existirá, por ventura, em algum ponto da memória de futuros torturadores? . . [BARROS, José D'Assunção. Sintonia Fina, 2022]]
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