Frase de RENATO JAGUARÃO
Meu último amargo. São meus últimos amargos, acostado nesse catre. Nem é lugar pra mate, o certo é no galpão. Mas já me tremem as mãos e meu dorso impede andança. Me lembro ainda criança, rotoçando por esse racho. Mas a vida é feito um desmancho, feito cavalo em carreira: passou levantando poeira, se foi sem pedir permissão. Falam em encarnação, numa volta à existência. Se for, rogo a coincidência pra voltar pro mesmo chão, pro rancho, mangueira, galpão, pros pagos dessa fronteira, pra velha lida campeira: pelego, catre, chergão. Não há outra que queira. No mais, esse é meu ofício: a doma, o mate, meu vício. Já nasci enfurquilhado, e um gaúcho bem montado nada mais pede a Deus, só que volte donde nasceu, onde minha alma se acampa, pra voltar a ser estampa da herança farroupilha, domando e gastando encilhas nas estâncias dessa pampa. Renato Jaguarão
No pensador.ai desde