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Frase de Christiano Marques

1° Carta de Amor ⁠Manaus, 14 de Fevereiro de 2021 Para: Querida Rebeca Querida Rebeca . Hoje faz 12 anos que não vejo você. A última vez foi em uma certa viagem que fiz a sua cidade , era período de campanha política e você estava segurando bandeira para um certo candidato , lembro que você sorrio tímidamente . Achei legal você estar ali descolando uma grana , temos algo em comum : não negamos fogo quando o assunto é trabalho . Pois é , talvez você não saiba, mas , duas vezes fui na sua antiga casa . A primeira vez você havia saído às compras , a segunda você não estava mais morando lá . Quem me conhece sabe que adoro reencontros, então ainda aguardo pelo nosso . Tenho tantas perguntas a fazer , tipo: " você casou " ? "Como está seu filho" ? Cursou Faculdade ? ... Rebeca , você lembra do seu natal de 2006 ? Aposto que não . Mas, eu lembro de cada detalhe . Aquele ano foi cansativo demais para mim , meus pais estavam em crise no casamento e brigavam muito , e o pior é que quem mais se feria naquele tufão era eu e meus irmãos . Você sabe que na época eu era muito religioso, quase um santo . Naquela noite Cristo estava renascendo em muitos corações e morrendo no meu , liguei o foda-se pra religião e fui. Queria viver algo novo, foi então quando te encontrei. Você me desejou um feliz Natal com um abraço apertado e demorado, parecia que já nos conhecíamos a muito tempo , e cá entre nós , nem éramos íntimos . Conversamos sobre nossas famílias , escola, trabalho , coisas superficiais. Eu amava o jeito que você falava , parecia a Priscila Fantini dando entrevista . O jeito que você falava só perdia em beleza para o seu par de olhos castanhos , parecia um pântano abandonado , e naquela noite eu desejei me afogar nele. Na lacuna de suas palavras e de seu olhar, eu vi uma carência tímida , escondidinha no porão da sua alma , percebi que você não queria passar o natal sozinha , nem eu . Eu sei que não foi elegante o que fiz , mas eu tinha sede de você , era natal e queria o vinho do teu amor . Fui muito direto, lembra ? " Rebeca, quer ficar comigo essa noite " ? Nossa! Você precisava ver sua cara de espanto, você não esperava aquele convite assim do nada . Você não esperava um Cross, no máximo esperava um Jab. "Tem certeza "? Você perguntou . É claro que eu tinha certeza Rebeca , eu queria ser teu aquela noite . E foi assim que te arrastei pra casinha da árvore . Era minha primeira vez , não poderia ser melhor e nem mais romântico que aquilo . Então subimos a escada como os anjos de Betel , ou melhor , como anjos decaídos sedentos por prazeres. Nunca vou esquecer seu beijo , e nem a forma lenta e carinhosa em que soltei os botões da sua blusa, pela primeira vez eu me entregava pra uma mulher de corpo e alma . E cá entre nós , foi tudo perfeito . Posso até dizer aqui que não lembro de um Natal melhor que aquele . Pois é, querida Rebeca , espero que leia a minha carta. De alguém que lembra de você com carinho , Christiano , o Poeta .

Christiano Marques

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Fonte e informações de autoria

Pensador.com

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Calvário. Estou sentado à mesa olhando o vinho e o pão, E já sinto na boca o amargo gosto da traição.
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Calvário. Estou sentado à mesa olhando o vinho e o pão, E já sinto na boca o amargo gosto da traição. Me vejo subindo um monte, ansioso, suado e cansado. Como uma pobre ovelha ao seu matadouro desgraçado. Estou cercado por pessoas estranhas, Alguém que me jurou lealdade já me beijou com o gelado beijo da morte. Meus próprios súditos estão despedaçando minha sorte. Já não sou rei, nem colecionador de flores. Sou réu, escravo, o pior dos malfeitores... Açoites arrancam minha carne, Mulheres gritam, homens cospem em minha face. Meu Deus! Que crueldade, quanta maldade. É a minha via crucies, a via da humilhação. Devo passar sozinho esse caminho até que chegue o sagrado bálsamo em meu coração. Estou em um novo monte, inédito e inerte aos seus pés. Um madeiro me aguarda, é o presente da ingratidão. Estou sendo ungido na amargura, meu vinho transformou-se em sangue. Vejo três pregos no chão, percebo que são meus, Hão de atravessar minha carne e também meu coração. Tenho sede. Alguém poderia me trazer água? Uma rosa vermelha serve... Estou atravessando meu calvário, Lento como uma viagem à remo e vela. Com uma dor não fingida. A morte está ao meu lado, Vou inspirar o meu ar, o de missão cumprida.

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Seus olhos. Seus olhos cor de mel raro, trouxe sobre mim um alto preço a pagar, amargo e caro. Eu desconfiei do perigo atrás do seu astuto sorriso. Senti pulsar forte e temeroso meu coração de menino. Eu sabia que seria perigoso demais, Que teu abraço me faria dormir em teus braços, E que aquela madrugada me arrastaria a sua cama. Seu cheiro ainda está em mim, Os detalhes do teu corpo ainda estão como um quadro pintado nas paredes das minhas lembranças. Sei que você está em algum lugar, Sorrindo, conversando, cantando Letras invertidas à sinfonia de um coração apaixonado. Perdoa-me em não aceitar ter sido teu... Pois meu corpo é de homem, mas meu coração é de menino. Se o tempo me perdoasse, E me desse uma única oportunidade de voltar, Tomaria a mesma dose do nosso pecado só pra ter você novamente, Na mesma paixão, no mesmo lugar.

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O Corvo. Ele é solitário, Seu olhar rasga a densa escuridão do seu íntimo. Suas asas dão liberdade a sua vida desprezível, Sua cor negra é como os olhos do amor da minha vida que não vejo mais. Ele isola-se em madrugadas frias. Imóvel as gotas de chuva que banham seu corpo fétido. Mísero de beleza, de comida, se perde entre trapos podres. Sua distração é voar perto do azul celeste, De horizonte em horizonte despreza seu ontem. Símbolo lendário de maldição. E como um corvo triste me sinto em noites triste sem Você.