Frase de Christiano Marques
Calvário. Estou sentado à mesa olhando o vinho e o pão, E já sinto na boca o amargo gosto da traição. Me vejo subindo um monte, ansioso, suado e cansado. Como uma pobre ovelha ao seu matadouro desgraçado. Estou cercado por pessoas estranhas, Alguém que me jurou lealdade já me beijou com o gelado beijo da morte. Meus próprios súditos estão despedaçando minha sorte. Já não sou rei, nem colecionador de flores. Sou réu, escravo, o pior dos malfeitores... Açoites arrancam minha carne, Mulheres gritam, homens cospem em minha face. Meu Deus! Que crueldade, quanta maldade. É a minha via crucies, a via da humilhação. Devo passar sozinho esse caminho até que chegue o sagrado bálsamo em meu coração. Estou em um novo monte, inédito e inerte aos seus pés. Um madeiro me aguarda, é o presente da ingratidão. Estou sendo ungido na amargura, meu vinho transformou-se em sangue. Vejo três pregos no chão, percebo que são meus, Hão de atravessar minha carne e também meu coração. Tenho sede. Alguém poderia me trazer água? Uma rosa vermelha serve... Estou atravessando meu calvário, Lento como uma viagem à remo e vela. Com uma dor não fingida. A morte está ao meu lado, Vou inspirar o meu ar, o de missão cumprida.
No pensador.ai desde