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Frase de Mel de Carvalho

Perfume da noite... procuro-te em todos os lugares sombrios em que a tua mente se esconde e onde a minha ousa avançar. traças loucas e inusitadas tramas e esperas que chegue. aí, sem dó ou piedade, és a noite: avanças, sugas-me em isometrias de uma forma vampírica e, numa boca descarnada de dentes e, sem que exista sentido neste jogo, deixo que me aspires e que me faças tua presa (se ti estou presa há tanto tempo ... ) noite! noite da minha vida, inverso da luz, lugar provável onde reside a alma. entras pela janela dos meus olhos, deslizas sob a epiderme dos sentidos. enrosco-me em ti, dramática e, felina agradeço a tua visita, a cada vinda. refloresço em orgasmos inveterados de palavras. em epigramas e anáforas… lentamente, deixo que me penetres todos os sentidos. código de barras impresso na parede, dou-me a ti, neste altar de frutos e de flores e espero que me conduzas ao teu mundo… quando a manhã chega, sob os lençóis freáticos da alvorada, encontra duas sombras imprecisas e, no vale onde me habitas, um cheiro a cânfora, a enxofre, a rosas e a sândalo... duas gotas de sangue escrevem o horizonte. à boca da bica, na bica do abismo.__________________. ciclópicas gotas. o perfume da noite, ou nada!

Mel de Carvalho

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Fonte e informações de autoria

Pensador.com

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Para lá do infinito... Para lá do infinito, o grito. O grito que se alteia da falésia e que me chama,
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Para lá do infinito... Para lá do infinito, o grito. O grito que se alteia da falésia e que me chama, que me clama na onda nova e na babuja que se eleva Que sobe, que me absorve, que me suga e que me degola do ventre à alma. Para lá do infinito nada existe, nada subsiste se não floresce, se não se renova, senão emerge de si, em Si Maior, na flor do amor. Do amor maior. A alma chora, goteja. A alma escorre-se em nojo pela arriba. Morre. Para lá do infinito, no azul completo, inteiro e absoluto, relampeja o grito! Tudo se explode, tudo troveja. Para lá do infinito, apenas a fantasia, o sonho, o desejo de um só beijo, sustém a queda!

Da planície das coisas por escrever... Da planície das coisas por escrever nasceu um lírio sem trono
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Da planície das coisas por escrever... Da planície das coisas por escrever nasceu um lírio sem trono sem tecto sem espelhado afeto. Nasceu parido do ventre dos lamentos e gemidos, dos ruídos derrotados e vencidos das cigarras. Nasceu cuspido na cara desmaiada das palavras cruas. Maltratadas. Da serra elevada aqui ao lado rebolam-se nervos cardados de memórias num rosto moreno, a navegar-se em moradas de charcos. Barcos áureos sem rumo, sem velas, velejam-se ao som da voz cantada. Da voz que, cansada de si, pranta, em longínqua estrada. Perco-me entre o plano e o composto. Rebusco a chama distante do teu corpo, a lava adormecida na noite do enigma. Busco um momento na seiva cálida do teu gosto na saliva lenta da renuncia a escorrer-se aberta na esteira pálida da palavra. Num adeus distante de gestos gastos e repetidos, no tédio déspota dos sentidos. Na planície acerada dos trigais, não te encontro nem sequer me encontro mais. Mergulho no charco pardacento, o verbo, a palavra, o sentimento. Na boca bafiosa sinto gelo, moribunda rosa. No estômago o soco, o invólucro transparente do nada. Sopra da serra um mundo agreste, que me veste do fim e me despe do começo de mim. Da planície das coisas por escrever, das coisas por viver, nasceu um lírio nado-morto a pontear de roxo um espaço devoluto de oco. Ao longe, na boca do mar, nasce agora o Sol-posto.

Sou a distância de mim... Sou a distância de mim a um tempo inteiro. A distância distanciada da mulher edificada
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Sou a distância de mim... Sou a distância de mim a um tempo inteiro. A distância distanciada da mulher edificada à menina singela que habitava a minha infância. Sugo o vento em compasso, neste travo que sorvo, sugando líquido, o ar corrosivo do espaço. Sou o verde rejuvenescido no segredo e o negro opinado do teu indómito medo. Serei a erva pegajosa onde a ofídia acasala, onde a cigarra se expande no canto anfíbio de rala. O zumbido intrigante do mosquito e do besouro. Sou talvez a obscuridade da própria sombra, vestida de galhos, de desgostos, no viço intrínseco projectado na íris dos teus olhos. Planta carnívora abocanhada em púrpura exótica. Sou miragem. Ilusão de óptica. Serei por ti seara dizimada na fome ávida da praga. E por ti e para ti, tesouro a refulgir nos círios do meu olhar, verde-esmeralda, em sangues escaldantes de rubis, nos néctares densos dos outeiros e cabeços. Sou esta e sou a outra, a que absorta, se pesquisa no trilho de uma vida revolta, na senda do caminho da nossa raiz comum. Sim, sou a distância de mim a um tempo inteiro, habitante deste tempo e de tempo nenhum...

Haverá um tempo... Haverá um tempo em que a fundura da terra
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Haverá um tempo... Haverá um tempo em que a fundura da terra terá as cores da água cristalina cimentada na ternura que pressinto na ponta dos teus dedos de ventos quiméricos Haverá um tempo, chegado na hora incontornável do sol-posto, em que, do mar aberto e resoluto, se elevarão papoilas verdes a emoldurar o contorno recto do teu rosto. Um tempo em que a água finalizada se escorrerá nas faces plásticas da madrugada de um céu encapelado denso e profundo. Em que a noite persignada calará a saudade e a lágrima arrecada na original raiz duma árvore. Haverá um tempo por fim, amado, um tempo desabrochado, nosso, preceituado no abstrato instante de um momento conglutinado no corpo dum abraço. Um abraço intenso, implodindo telúrico para além de nós, na imensidão infinita do Sideral Espaço.