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Frase de Sumã Pedrosa

⁠Amor presente Não, eu não vivo de passado. Valorizo o agora, o já, O que comigo aqui está. E é agora que eu te amo! Sim, também te amei em tempos idos: Amei, amava, amara Em todos os pretéritos do indicativo. Hoje eu te amo! Amanhã, e depois, e depois... E ainda depois, a certeza é te amar. Mas pouco importa o que foi ou o que será. Interessa o que tenho agora: o amor presente. E é tão presente, e tão veemente... Que é como se estivesses aqui.

Sumã Pedrosa

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Fonte e informações de autoria

Pensador.com

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⁠Sons da madrugada (2) A chuva mansa, na madrugada, quer me ajudar. Como acalanto de colo de mãe,
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⁠Sons da madrugada (2) A chuva mansa, na madrugada, quer me ajudar. Como acalanto de colo de mãe, Ela canta: dorme! Em seus braços, sou criança. Todavia, ambulâncias, na rua, se afligem. Agora são muitas, tão próximas... Arrancam-me do repouso sagrado Levam-me aos sons do sofrimento alheio. Liberto-me dos sons internos, Consigo ouvir além. Contemplo gritos que não vêm de mim, Mas são meus. Sou um com aqueles que clamam. Será que durmo? Ou só agora desperto? Os sons são tão perturbadores... Como não os ouvia antes? Som do sofrimento gerado pelo desprezo, Som de exaustão causada pela humilhação, Som atormentado por sentir o menosprezo, Som do abatimento e da submissão. Tantos sons na agonia terrível da noite insone. Quatro e vinte, marcam os ponteiros Há algo que esta questão solucione? Lamentos ecoando no escuro traiçoeiro? A chuva, dentro de mim, escorre pelos olhos Lá fora, agora, a chuva chama. Como instrução ministrada por mãe, Embora mansa, clama: Levanta! É o que permanece! Só a chuva mansa. Desperta-me e chama-me à ação. A chuva... Avante!

⁠Vida é caminhar Obrigo-me a caminhar logo na primeira hora da manhã. Mas, hoje, não quis caminhar no mesmo chão de antes. Mudei a direção. Ao mudar a direção, vi que os ares também mudaram. Tão bom mudar ares! Muda-se o chão, muda-se a paisagem. No caminho costumeiramente perco…
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⁠Vida é caminhar Obrigo-me a caminhar logo na primeira hora da manhã. Mas, hoje, não quis caminhar no mesmo chão de antes. Mudei a direção. Ao mudar a direção, vi que os ares também mudaram. Tão bom mudar ares! Muda-se o chão, muda-se a paisagem. No caminho costumeiramente percorrido, a visão é de concreto. Sons de escapamento e buzina. O cheiro é ocre. Rostos sisudos e apressados marcham em passos largos. Mas a pista é ótima. Perfeita. Plana, larga, asfaltada, com aclives e declives muito sutis, quase imperceptíveis. Hoje não. A distância da nova pista de caminhada é a mesma, mas o rumo tomado é outro. E essa pequena variação regou a semente da percepção. Hoje o dia tem todas as cores da caixa. O cheiro é um misto de verde suave e cor de rosa. E o que é incrível: há pouquíssimas pessoas; são os pássaros que criam o rumor da vereda. Os mais variados tipos de pássaros, os mais variados tipos de canto. São dois quilômetros de pensamentos leves, de atenção ao movimento do ar entrando pelas narinas, plenificando os pulmões, retirando de dentro o que não deve permanecer ali. Não há asfalto, a calçada é estreita, acentuados aclives e declives. O corpo sente bem o quanto é fácil percorrer as descidas e como são penosas as subidas, quanto esforço físico é despendido. Deve ter sido um anjo a sussurrar-me enquanto eu dormia, orientando-me a alterar a rotina; solicitando-me que mudasse, a começar do lugar onde caminho diariamente. Decidir-me por realizar a mudança segredada ao meu ouvido sonolento, representou a tomada de posse do favor do conselho. O presente recebido foi lembrar que 'vida é caminhar'. E a caminhada verdadeira não é feita apenas de caminhos planos. A subida é difícil e exige esforço, a descida é rápida e fácil. Há que se prestar atenção ao ar respirado, àquilo que nos faz bem, ao que não está sendo salutar; há que se enxergar o belo. Ele, o belo, está aí ininterruptamente para colorir nossos dias; mas a atenção é exigida, pois, apesar de evidente, ele facilmente é ocultado pelo véu da rotina, impregnada de mecanicidades e apegos, que turva a nossa visão.

⁠Sons da madrugada (1) Galo canta desesperado, Cachorro late incomodado,
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⁠Sons da madrugada (1) Galo canta desesperado, Cachorro late incomodado, Ambulância ecoa nervosa, Criança chora clamando urgência. A cama range de um lado, O filho ressona aninhado, Marido ronca como que em prosa, O relógio acompanha a cadência. Um gato grita miados roucos, Um carro buzina e canta pneus, Jovens bêbados bradam como que loucos, Proclamam queixumes de amores seus. Lá fora, noite acesa! Os ruídos denunciam a atividade delirante. Cá dentro, a casa dorme! Noite escura, tinidos de sono reconfortante. Só a caneta escreve Movimentos que escuto de leve. Nítidos somente a mim, e a mais ninguém, Distingo outros sons também. Som da saudade gritando no peito, Som das palavras fervilhando a mente, Som do cansaço suplicando leito, Som da existência implorando argumento. Tantos sons no silêncio pouco tranquilo da noite insone. Três e treze, marcam os ponteiros. Há algo que esta questão solucione? Meu sono aniquilado por bulícios certeiros? A chuva começa. É mais um som! Chuva mansa, sem relâmpago ou trovão. Mas seu som se sobrepõe, é o seu dom. Está em seu âmago cumprir sua missão. Como mãe amorosa Ciente da fadiga enorme Acalenta-me, religiosa Instruindo suave: dorme! É o que permanece. Só a chuva mansa. Nina-me e me adormece A chuva... amansa.

A saudade e eu ⁠Não sei mais quem hospeda quem. Quem foi ao encontro da outra
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A saudade e eu ⁠Não sei mais quem hospeda quem. Quem foi ao encontro da outra E achou por bem ali morar. Quem terá invadido? Quem foi a vítima resignada Que se deixou invadir? Não sei. Há tanto tempo estamos juntas, Entrelaçadas, emaranhadas, entrançadas, Que a razão se perdeu. Tantas vezes quis expulsá-la E ela não foi. Não queria me deixar só. Talvez seja eu a invasora de sua morada. Talvez tenha sido eu a invadir Seu terreno e tomá-lo por meu. Se ela já me mandou partir alguma vez, Se já me quis ver pelas costas, Não tenho essa recordação. Deve ser mesmo ela a hospedeira. Paciente que é, Deixa-me ir ficando... Suporta meus deboches, Aguenta minhas grosserias, Sem me mandar embora. Mas que ironia! Como voltar? Como ir embora? Tanto tempo juntas! Se me for, sentirei saudades... E cá já estarei de volta.