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Frase de Rosana Fleury

⁠Envidraçada Você disse: “Não me questione... nunca...” Frase feita, determinada. Mas, a cozinha era pequena com fogareiro de duas bocas, perdido sem intenção de nada e o pior, não havia cheiro e calor de coisa alguma. Mas o aroma de seu beijo navegava em minha boca e eu precisava dar um jeito de digerir seu feitio. Tínhamos que namorar. Peguei suas mãos ásperas para sentir seu movimento, sua energia e o modo que manipulava e você as retirou: triturei as cebolas e Chorei!... Olhei em seus olhos sem desviar, para descobrir qual era o seu tempero e a sua hora. Você desviou e duvidou e eu acreditei no Curry como condimento e companheiro. Abracei você desavisado na sala e sussurrei amores e você desdenhou. Fui à cozinha novamente, piquei as maçãs ácidas e verdolengas e percebi que estava em descompasso, não era a hora. Na biblioteca, você distraiu na leitura sobre motores e aquecimento e observei sua atenção e namorei seu perfil e sua paz. No quarto, sozinha, retirei o avental, pintei minha boca e desejei a mim mesma, paz e discernimento das verdades. Voltei ao escritório e com segurança disse que estava tudo pronto. Você, descansadamente, arqueou as sobrancelhas e perguntou: —O que você fez hoje? Respondi: —Frango ao Curry. E você. num silêncio mordaz, sentenciou: — “Não como frango!" Livro: Não Cortem Meus Cabelos Autora: Rosana Fleury

Rosana Fleury

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Pensador.com

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Outras frases de Rosana Fleury

⁠A roupa dos dias A elegância sempre aparecia silenciosa. Não disputava com as cores dos dias nem com o brilho dos céus em tempos de proclamo.
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⁠A roupa dos dias A elegância sempre aparecia silenciosa. Não disputava com as cores dos dias nem com o brilho dos céus em tempos de proclamo. A elegância é muda. Modificava de estação e nunca de alinho. Misteriosa e sem explicação. Discreta e sabiamente sensacional, a elegância tinha seu espaço sem brigas no mundo interrogado. Ardilosa era a verdade desvestida. Sem medos e sustos desfilava com finura. Era mágica, emblemática, sem artifícios. Acordava faminta e dormia com todas as dúvidas sangrando. Não, nunca, jamais queria ser reconhecida e seu caminho de fuga era desaparecer. A elegância induz sem duelos. O artifício era ser semelhante e macia, como um idêntico caçador. A elegância não era loura nem trigueira, transpirava calada e nos encontramos. Meu coração não acelerou, a pressão permaneceu inalterável, o estômago não borbolhetou anseios, inalterou e persistiu no mesmo lugar. Fiquei a olhar se aproximar toda emudecida, sucumbindo ao total silêncio. E todos os ares emudeceram, a elegância estampou serena, densa e indissolúvel. Tinha os olhos pequenos, obliculares, maquiados de preto. No mimetismo que a escondia ela desfilou manchada por segundos, com cuidado entre as burcas do capim cerrado. Tive inveja do ser bicho. Onça. E o animalesco da covardia em mim passa a permanecer e desafiar a benevolência, somente aspirando bom gosto. Livro Pó de Anjo Autora: Rosana Fleury

⁠Um lugar... Com aspiração Quando o mês de Julho chegar, estarei com vocês. Quando Setembro anunciar, verei as Cavalhadas de Corumbá de Goiás pela primeira vez.
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⁠Um lugar... Com aspiração Quando o mês de Julho chegar, estarei com vocês. Quando Setembro anunciar, verei as Cavalhadas de Corumbá de Goiás pela primeira vez. Quando Dezembro espalhar, ficarei na praça debaixo do flamboyant, me escondendo das tardes em choro, das chuvas mornas encharcando meus cabelos. Estarei submersa na terra. Sentirei seu cheiro. Acalmando minha ansiedade. No fruto de minha gente. E nas estações, meus pensamentos constroem pontes de uma viagem internacional ao Corumbá de Goiás, todos os dias, incessantemente. E não me canso, me frustro. Verei Anita já crescida, dançando em sapatilhas de ponta. Victor apaixonado pela certeza das horas. Amarei as minhas orações desnudas e farei promessas a Nossa Senhora da Penha. Ela me ouve. O ensaio das vozes do coral irá convidar retumbar em minhas janelas e de meus olhos trincados escorrerá balsamo. Virarei histórias na voz de todas minhas tias. Amarei o jiló da horta de minha casa, onde Sebastiana plantou e Narcisa aguou. E tudo aparecerá novo e inconfundível em minha memória. As corujas visitarão meu alpendre e ficarei admirada com sua elegância reservada. Acordarei cedo e irei contemplar a neblina do planalto central. Admirarei as mangueiras retorcidas, centenárias, os muros de adobe, e não me sentirei invadida, namoro a minha solidão. Vou cozinhar esta ideia, servir a todos com guariroba e pequi na margem arborescida do Rio Corumbá no cerrado. E dizer que amar é acolhedor, descansado no silencioso do Goiás. E minha saudade acordará do choro de mil dias. Se navegar, acontecer, a Deus pertence, mas aluguei na vida, momentaneamente, de passagem, enquanto existir um lugar para amar. Livro Pó de Anjo Autora: Rosana Fleury

⁠ Fale Se você não quer falar comigo Não tem problema
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⁠ Fale Se você não quer falar comigo Não tem problema Eu falo por você Nesta hora sua mudez Vira conto. Verso, Metáfora Aí tenho as rédeas Sou dono de suas palavras Impero e domino seus movimentos Eu olho para você Você olha em mim E em versos Dialogamos E nos amamos para sempre. Livro: Não Cortem Meus Cabelos Autora: Rosana Fleury

⁠ “A cidade dos Muros" Na sua vida muros
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⁠ “A cidade dos Muros" Na sua vida muros Minha vida pontes Ultrapassar Indecisão Te esperei Aos pés das pontes Você não apareceu Ficou rente aos muros Não me viu Talvez estivesse Me esperando Assim É mais romântico Murros quero dar Destruir estes muros Para que me veja Te esperando Nas pontes Interligando canais Navegue entre eles Como todo carma Talvez algum dia Nos vejamos em Veneza Nesta hora Tenho certeza Seremos carnais Ou Assim Murros quero dar Destruir muros Ficar somente pontes Interligando canais Como todo carma Te espero em Veneza Ou Assim Vou destruir muros Para que me veja Navegue nos canais Carnais Talvez algum dia Nos vejamos em Veneza. Livro: Não Cortem Meus Cabelos Autora: Rosana Fleury