Frase de Gesiel Modesto
Fui, por tempos, o mais ingênuo dos poetas. Traduzi minha alma em escritos, ofertados a rostos que jamais souberam ler; justamente por esconderem-se atrás de máscaras. As palavras — essas que julguei importantes —, definhavam-se à medida do correr do tempo. Então, tornaram-se meras lembranças do que poderiam ser: pontes de transformação, não muros de adorno. Foi à escuridão do meu quarto — a única leal que me restou — que compreendi: não era a beleza que faltava aos versos, mas o merecimento dos olhos. Toda poesia é imperfeita, como todo homem; e é essa a essência da natureza. Os dissimulados, na vã procura do eterno, hão de pasmar-se aos espasmos da tênue verdade. Agora, ao ausentar-me, deixo um rastro de luz contida — mínima, talvez, mas real. Aqueles que um dia lerem, não mais embuçados — com a alma aberta —, sentirão o brilho de minha partícula viva, explodindo no silêncio cósmico. “Não fui lido, mas fui real.”
No pensador.ai desde