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Frase de Gesiel Modesto

⁠Fui, por tempos, o mais ingênuo dos poetas. Traduzi minha alma em escritos, ofertados a rostos que jamais souberam ler; justamente por esconderem-se atrás de máscaras. As palavras — essas que julguei importantes —, definhavam-se à medida do correr do tempo. Então, tornaram-se meras lembranças do que poderiam ser: pontes de transformação, não muros de adorno. Foi à escuridão do meu quarto — a única leal que me restou — que compreendi: não era a beleza que faltava aos versos, mas o merecimento dos olhos. Toda poesia é imperfeita, como todo homem; e é essa a essência da natureza. Os dissimulados, na vã procura do eterno, hão de pasmar-se aos espasmos da tênue verdade. Agora, ao ausentar-me, deixo um rastro de luz contida — mínima, talvez, mas real. Aqueles que um dia lerem, não mais embuçados — com a alma aberta —, sentirão o brilho de minha partícula viva, explodindo no silêncio cósmico. “Não fui lido, mas fui real.”

Gesiel Modesto

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Pensador.com

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⁠Meu desespero não é o que poderia ser, Nem o que poderia ter sido, Mas sim o desespero Dos infinitos caminhos Que posso escolher. Alguns demasiadamente ruins, Outros demasiadamente bons, Mas nenhum completamente estável. Isso define a vida: A instabilidade que aparecerá Quando menos se espera. E isso nos define como humanos: Sempre procurar sermos estáveis, Mas ainda assim falhamos. Pois esse é o mal da sociedade: Um inevitável desacordo social, Uma troca injusta do bem pelo mal. Um mal disfarçado de egocentrismo. E aqueles que o evitam Tendem a ser o dobro do sonho, Precisam ser demasiadamente menos humanos. E sempre será o mesmo caminho para todos Ao olhar para si no reflexo De um espelho fragmentado. Assim, percebo que não há Como sermos humanos de fato, Pois ser humano é não ser humano.

⁠Quando me liberei das correntes que carregavam toneladas, percebi que, liberto, pulei e planei como se fosse vento. Olhei ao redor e percebi que minha vista havia mudado: agora, enxergava horizontes livres para caminhar. Caminhei lentamente e contemplei a paisagem—aquele pôr do…
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⁠Quando me liberei das correntes que carregavam toneladas, percebi que, liberto, pulei e planei como se fosse vento. Olhei ao redor e percebi que minha vista havia mudado: agora, enxergava horizontes livres para caminhar. Caminhei lentamente e contemplei a paisagem—aquele pôr do sol, tão levemente quente ao meu rosto. Caminhei apressadamente, sentindo a necessidade de encontrar um caminho. Comecei a balançar meu corpo: estava em trote. E, quando vi, estava correndo disparadamente, até que me tornei um só com a vida. Não sentia o calor do sol, pois eu o era—tão fervorosamente majestoso e livre. Explodia luz que, ao tocar o mundo, tornava-se cor—cores vivas que pintariam a esplêndida arte da vida.