Frase de Gesiel Modesto
Prefiro ser escravo do conhecimento do que das formas e tão somente dos desejos.
No pensador.ai desde
Prefiro ser escravo do conhecimento do que das formas e tão somente dos desejos.
No pensador.ai desde
Meu desespero não é o que poderia ser, Nem o que poderia ter sido, Mas sim o desespero
Meu desespero não é o que poderia ser, Nem o que poderia ter sido, Mas sim o desespero Dos infinitos caminhos Que posso escolher. Alguns demasiadamente ruins, Outros demasiadamente bons, Mas nenhum completamente estável. Isso define a vida: A instabilidade que aparecerá Quando menos se espera. E isso nos define como humanos: Sempre procurar sermos estáveis, Mas ainda assim falhamos. Pois esse é o mal da sociedade: Um inevitável desacordo social, Uma troca injusta do bem pelo mal. Um mal disfarçado de egocentrismo. E aqueles que o evitam Tendem a ser o dobro do sonho, Precisam ser demasiadamente menos humanos. E sempre será o mesmo caminho para todos Ao olhar para si no reflexo De um espelho fragmentado. Assim, percebo que não há Como sermos humanos de fato, Pois ser humano é não ser humano.
E após a vida tirar-me aquilo que era mais importante, eis o que restou de mim: um mísero vagalume, forçado a viver numa imensurável casca repleta de vazio
Quando me liberei das correntes que carregavam toneladas, percebi que, liberto, pulei e planei como se fosse vento. Olhei ao redor e percebi que minha vista havia mudado: agora, enxergava horizontes livres para caminhar. Caminhei lentamente e contemplei a paisagem—aquele pôr do…
Quando me liberei das correntes que carregavam toneladas, percebi que, liberto, pulei e planei como se fosse vento. Olhei ao redor e percebi que minha vista havia mudado: agora, enxergava horizontes livres para caminhar. Caminhei lentamente e contemplei a paisagem—aquele pôr do sol, tão levemente quente ao meu rosto. Caminhei apressadamente, sentindo a necessidade de encontrar um caminho. Comecei a balançar meu corpo: estava em trote. E, quando vi, estava correndo disparadamente, até que me tornei um só com a vida. Não sentia o calor do sol, pois eu o era—tão fervorosamente majestoso e livre. Explodia luz que, ao tocar o mundo, tornava-se cor—cores vivas que pintariam a esplêndida arte da vida.
Foi quando me deparei: a realidade cobriu-me naquele instante, como um véu que cobre objetos e os reduz a nada, senão simples formas. Os vultos me cercavam, e um silêncio ensurdecedor ecoou nos meus ouvidos. A existência, antes anestesiada pela minha tentativa inútil de esquecer…
Foi quando me deparei: a realidade cobriu-me naquele instante, como um véu que cobre objetos e os reduz a nada, senão simples formas. Os vultos me cercavam, e um silêncio ensurdecedor ecoou nos meus ouvidos. A existência, antes anestesiada pela minha tentativa inútil de esquecer-me ou até fugir dela, penetrou-me aos olhos: já não enxergava mais nada. O breu tomou conta de minha visão, e ali já havia entendido — e, certamente, foi o estopim da fatalidade que me poderia ocorrer. Não poderia fugir; como conseguiria, se já não me havia forças para correr, muito menos direção para guiar-me? E, se os tivesse, alcançando o topo da colina mais alta e mais distante de todas, como poderia fugir de mim mesmo? Como poderia fugir da angústia que tomou completamente meu corpo naquele instante? A única coisa que poderia fazer era olhar fixamente para o nada, assim como olho para mim no espelho pelas manhãs. Sem escapatória, era apenas uma alma passando frio, ao lado de tantas outras vestidas, combinadas e esquentadas pelo calor de suas vestimentas: seus corações, que palpitavam ferozmente ao contato dentre tantas outras parecidas, enquanto o meu já não tinha forças para viver. Meu coração estava num imensurável inverno congelante, sem previsão de essência: espera-se, somente, a morte por hipotermia.