Frase de Fabrício N. Ferreira
"Contigo, não tenho medo de naufragar, pois não sou o barco.Contigo eu sou o mar."
No pensador.ai desde
"Contigo, não tenho medo de naufragar, pois não sou o barco.Contigo eu sou o mar."
No pensador.ai desde
Eu só queria um punhado de felicidade, Um átomo de luz nesta treva imunda. Mas a alma, ferida, clama em vão por paz,
Eu só queria um punhado de felicidade, Um átomo de luz nesta treva imunda. Mas a alma, ferida, clama em vão por paz, Em meio a este caos, a dor me consome. A vida, um labirinto sem saída, Um abismo negro, onde a esperança se afoga. A carne, prisão da alma atormentada, Em decomposição lenta, feito folha seca. O cosmos, indiferente, gira em seu eixo, Enquanto a Terra geme, em sofrimento eterno. A ciência, impotente, não cura a dor, E a fé, um véu frágil, que se desfaz ao vento. A morte, alívio cruel, me chama a si, Um sono profundo, sem pesadelos e aflições. Mas a vida insiste, em sua crueldade, E eu sigo, arrastando meus passos, em direção ao fim. Um punhado de cinzas, tudo que restará, Quando a alma se libertar desta prisão carnal. E no silêncio do nada, encontrarei a paz, Que em vida, me foi negada.
Ó, meus demônios, sombras que me habitam, Formas retorcidas de um eu que não quis, Vós, que me arrastais para abismos sem fim,
Ó, meus demônios, sombras que me habitam, Formas retorcidas de um eu que não quis, Vós, que me arrastais para abismos sem fim, E me aprisionais em celas de aço frio. Medo, imenso abismo, que me devora, Onde a esperança se afoga e a razão se perde, Tu, que me paralisa e me aterroriza, Transformando meus sonhos em cinzas mortas. Insegurança, tua voz ecoa em meus ouvidos, Sussurrando dúvidas e plantando espinhos, Tu, que me roubas a paz e a alegria, E me faz duvidar de cada passo que dou. Mas eu vos desafio, demônios e abismo, Não me curvarei diante de vossa tirania, Lutarei contra vós, com todas as minhas forças, E conquistarei a liberdade que me pertence. Em minhas veias corre um rio de rebeldia, Que alimenta a chama da esperança que me habita, E me impulsiona a enfrentar cada desafio, A fim de construir um futuro mais bonito. Ó, universo, testemunha minha luta, E concede-me a força para superar, Os obstáculos que se erguem em meu caminho, E alcançar a luz que me guia.
Noite. E em teus olhos, amada, não vejo estrelas, Mas sim a fúria gélida de luas estilhaçadas, O eco persistente de antigas procelas,
Noite. E em teus olhos, amada, não vejo estrelas, Mas sim a fúria gélida de luas estilhaçadas, O eco persistente de antigas procelas, As sombras disformes, por medos abraçadas. Teu peito é um mausoléu de mágoas não ditas, Um jardim devastado onde só espinhos ousam florir. E eu? Eu sou o coveiro faminto que visita Cada cripta da tua alma, sem jamais fugir. Que venham teus demônios! Que urrem e se contorçam! Eu os recebo com a fúria faminta do meu desejo. Rasgo suas carnes espectrais, que me devorem! Em cada ferida deles, o meu amor eu vejo. Teus traumas são tapeçarias que eu venero, Bordadas com o sangue escuro do teu penar. Eu beijo cada nó, cada fio austero, E neles encontro o mais sagrado altar. Não tente esconder a angústia que te corrói, O veneno lento que gela tuas veias finas. Entrega-me! Deixa que meu beijo o destrói, Ou que se misture ao meu, em danças assassinas. Teus receios são bestas? Eu serei o caçador! Não para matá-los, mas para domar sua ira. Montarei em seu dorso, com selvagem ardor, E farei da tua escuridão a minha lira. Eu não vim para curar, nem para trazer a luz. A luz é frágil, mente sobre a podridão que resta. Eu vim para fincar minha bandeira na tua cruz, Para reinar contigo nesta noite funesta. Abraça-me com tuas garras de pavor cravadas, Deixa teu caos sangrar sobre meu peito aberto. Sou o guardião voraz das tuas alvoradas Quebradas, o amante do teu deserto. Em meus braços, teus monstros encontrarão espelhos, E em meu toque feroz, um reconhecimento brutal. Sou o santuário profano dos teus pesadelos, O inferno seguro, teu paraíso mortal. Então, chora tuas dores em meu ombro de granito, Liberta as sombras que insistes em acorrentar. Eu as devoro, as acolho, as bendigo e as incito. Pois amar-te, minha sombria flor, é abraçar o teu lugar mais maldito e chamá-lo, enfim, de lar.
Na cripta poeirenta, onde a luz hesita, Sob arcos quebrados que o tempo medita, Um homem aguarda, de alma trespassada,
Na cripta poeirenta, onde a luz hesita, Sob arcos quebrados que o tempo medita, Um homem aguarda, de alma trespassada, A dama da noite, a espectral amada. Não carne mortal, mas sombra e desejo, Com asas de couro e um frio cortejo De sussurros lascivos que o vento conduz, Ela emerge das trevas, banhada em não-luz. Seus olhos são poços de estrelas extintas, Promessas de gozos e dores infindas. A pele é alabastro tocado por gelo, Mas queima o mortal num profano apelo. Ele busca o toque que a vida abomina, A garra suave que a carne combina Com a dor extasiante, o arrepio letal, Um beijo que rouba a centelha vital. Entrelaçam-se os corpos em dança sombria, O mármore frio, a febre que arrepia. Seu hálito é enxofre e jasmim decadente, Um vinho amargo que o embriaga e mente. Mordidas que marcam, não só pele, mas ser, Um pacto selado no impuro prazer. O sangue que escorre, um rubro detalhe, Na tela macabra onde o amor não falhe. É um amor de abismo, de fim iminente, Nutrido na ânsia do que é diferente. Ele, prisioneiro do encanto infernal, Ela, demônia achando um gozo mortal. E quando a penumbra reclama seu vulto, Deixando-o vazio, sozinho, inulto, Resta a marca na alma, o frio do além, Do amor proibido com quem não convém.