Frase de Fabrício N. Ferreira
Na cripta poeirenta, onde a luz hesita, Sob arcos quebrados que o tempo medita, Um homem aguarda, de alma trespassada, A dama da noite, a espectral amada. Não carne mortal, mas sombra e desejo, Com asas de couro e um frio cortejo De sussurros lascivos que o vento conduz, Ela emerge das trevas, banhada em não-luz. Seus olhos são poços de estrelas extintas, Promessas de gozos e dores infindas. A pele é alabastro tocado por gelo, Mas queima o mortal num profano apelo. Ele busca o toque que a vida abomina, A garra suave que a carne combina Com a dor extasiante, o arrepio letal, Um beijo que rouba a centelha vital. Entrelaçam-se os corpos em dança sombria, O mármore frio, a febre que arrepia. Seu hálito é enxofre e jasmim decadente, Um vinho amargo que o embriaga e mente. Mordidas que marcam, não só pele, mas ser, Um pacto selado no impuro prazer. O sangue que escorre, um rubro detalhe, Na tela macabra onde o amor não falhe. É um amor de abismo, de fim iminente, Nutrido na ânsia do que é diferente. Ele, prisioneiro do encanto infernal, Ela, demônia achando um gozo mortal. E quando a penumbra reclama seu vulto, Deixando-o vazio, sozinho, inulto, Resta a marca na alma, o frio do além, Do amor proibido com quem não convém.
No pensador.ai desde