Frase de André toledo
Do Amor que Não é Água Parada Não te ensinaram o mais perigoso dos segredos, o amor não pede permissão, ele é. Chega como o sol da manhã, não como a luz tímida de uma vela que se pode apagar. E se um dia ele bater à tua porta, não lhe ofereças o pão morno da prudência. Porque o amor que é moderado é uma flor de plástico, tem a forma da beleza, mas não tem o perfume da vida. Há os que buscam o amor como um refúgio, um porto seguro contra a solidão. E fazem dele uma casa aconchegante, com janelas fechadas para o vento. Mas eu te digo: O amor não é abrigo! É a tempestade que arrasa a casa para que você relembre o céu. É fogo que consome a lenha morna da tua existência comodista. O que é morno não queima, é verdade. Mas também não aquece a alma, que é de gelo e de estrela. O amor insípido é a maior das traições a si mesmo. É uma concha vazia na praia, que acredita ser oceano porque um dia a água a tocou. É um beijo dado com os lábios cerrados, um abraço que calcula a distância entre dois corpos. É a comida sem sal, que sacia a fome do estômago, mas deixa o espírito em jejum. Porque o amor, quando é, é intenso ou não é. Ou é um grito que parte o silêncio ao meio, ou é apenas um eco cansado. Ou é um rio que transborda e altera o mapa dos teus dias, ou é um filete de água estagnada, criando limo. Ama, pois, com a fúria dos que não temem a destruição, porque só o que é intenso conhece a verdadeira reconstrução. Entrega-te não como quem depõe uma arma, mas como quem mergulha no abismo, certo de que voarás ou encontrarás as profundezas que te habitam. Porque o amor morno não perde, é verdade. Mas também não ganha. Apenas... permanece. E permanecer é a morte disfarçada de vida. Que a tua entrega seja um vulcão, não um braseiro controlado. Pois é melhor a cinza do que foi intenso, do que a perfeição intacta do que nunca se ousou ser...
No pensador.ai desde