Frase de Cosmo Palasio de Moraes Jr.
Horas serenas me invadem a vida E eu que raramente sei o que é ter paz Assusto-me diante da plenitude E guardo-me no medo. Nascemos todos poetas Morremos a maioria Soldados. E as mãos – instrumentos Para um mundo melhor Jamais passam de garras Que apenas tiram Deformam e batem. Poderíamos passar a vida Cantando Ser cigarras sobre arvores E não formigas arrastando nas costas O peso do mundo Para que alguns poucos bebam vinho E acham graça Da desgraça que os cerca. Horas serenas me invadem a alma E eu de tão vadio que já sou Procuro coisas entre as lendas Da criação e a vida que vejo Não me entrego ao prazer Por medo da porta do mundo Que sempre abre-se sem me avisar Não dou vida as aves Porque voar pode ser perigoso Num tempo e instante Onde rastejar é a ordem do dia. Se o que parece anjo Me sussurra amor Logo me aqueço E me escondo entre pernas No mundo conhecido do prazer. Horas serenas me invadem a alma São como chá quente Mas minha boca viciou-se em cachaça A vida dorme na sarjeta E aprendi apenas a sonhar Com fatos, pessoas e coisas Que eu possa trazer E empurrar Com as próprias mãos. Não me digam Não me falem De coisas que suponho existam Mas habitam mundos Onde os mortais não podem ir. Quando as horas serenas Habitam meu ser Aprendo a ser forte Refaço a couraça E distraidamente olho as armas Que me manterão vivo Quando a paz novamente se for.
No pensador.ai desde