Muitas vezes, a vida se torna pesada e difícil de suportar. E eu me sinto extremamente exausto, confuso e sufocado,
como que me afogando num abismo de águas profundas e negras. Em momentos nebulosos assim, a dor da
solidão é mais perversa e tortuosa que as muitas linhas profundas a sangrar em meus braços.
Meus lúgubres devaneios são o clamor da vida prestes a ceder ao quase inevitável. Mas meu esvair-se na escuridão,
longe de ser desesperador, é pura placidez; mórbida, talvez, mas atenuante e profundamente apaziguadora,
suave como uma serena brisa do paraíso. É em suma tudo que preciso para relaxar em meu etéreo padecer.
Vida esta que segue em penumbra, cercada pelo vazio e o som de ecos distantes, oriundos de minha alma
quase sempre entorpecida. Meu tudo se resume a um absoluto nada. Quem sou, no flagelo desta escuridão?
Pode uma sombra existir sem a luz? Qual a utilidade da luz sem a escuridão?
Fui um dia talvez, um frágil clamor de vida que subitamente se esvaiu na solidão de sua própria ignorância?
Caatinga espinhenta
Que arrebata o obstinado espírito
Do vaqueiro empinado de olhar empírito
Aboiando triste o magrelo barbatão
Caatinga malvada
Que açoita o espinhaço calejado
Do caboclo obstinado
Em morrer pelo seu mórbido sertão
Caatinga bravia
Que o tempo e a vida desafia
Impávida de decadente e ousada teimosia
Que não morre pela falta d'água fria
E nem se entrega ao sol ardente do meio dia
Caatinga sem noção
Que fura o olho do desavisado
E enlaça o valente de coração apaixonado
Com tamanho luar que atenua a valentia sem razão
Caatinga desalmada
Que abriga a alma perdida na desolação
E oculta o mistério do espectro fujão
Extinto da incrédula civilização
Caatinga estranha
De morredouro existir
Que ora parece deixar de viver
E de súbito volta a reluzir
A Eternidade é a carruagem do tempo, ensandecida em sua interminável viagem pelo infinito. Ela é o oceano sem limites, sobro o qual passam as frágeis frotas dos tempos, das idades e das eras em sua inútil e ridícula jornada rumo ao nada. Diante da Eternidade, um ano, um século, um milênio, mil milênios, um trilhão de milênios, não chegam a representar nem sequer um mero segundo. Em face da Eternidade os heróis desaparecem, as pedras viram pó, as estrelas perdem seu resplendor, e os deuses, consumidos pelo tédio de contemplar inertes o repetitivo devanear de galáxias moribundas, clamam pela morte...
A Eternidade é o oceano sem limites, sobro o qual passam as frágeis frotas dos tempos, dos séculos, das idades. Diante da Eternidade, um século, um milênio, mil milênios, não chegam a ser sequer um mero segundo. Em face dela os heróis desaparecem, as estrelas perdem seu resplendor e os deuses clamam pela morte...
Cobras e Escorpiões
______________________
Quando me senti protegido por uma muralha de amigos e irmãos, tomei a facada nas costas.
Foi então que descobri que entre cobras e escorpiões, amizade e confiança são somente palavras vazias.
Aqueles que te abraçam e proferem lealdade são os primeiros a te apedrejar.
_______________________
Zeffi Joy em 20 de setembro de 2020, após um relativo sono de descanso matinal, relembrando recentes traições.
Paixão...
------------
... Paixão...
É carne que queima em libido!
Permitido ou proibido,
É fogo que chameja dos olhos,
Chama que asperge o coração
Desprovido de razão - em penúria -,
Sangrando ao fulgor da desmedida introspecção;
Arrebatamento que se arrebata
Na desenfreada luxúria,
É loucura sem contentamento,
Folha ao vento que se desenlaça
Num débil afago ao brando vento que passa
E sem graça, ri de si...
Mas é só um riso, nada mais...
Apenas um vermelho olhar, nada mais...
Um pensamento qualquer, uma abstração,
Meramente um fogo que chameja na ilusão
Da mais febril desconexão
De sentimentos e razão...
É paixão, nada mais que paixão.
Pobre coração
-------------
Pobre coração, qual sombra vagando em profunda escuridão...
Impelido por amor não correspondido,
Miserável indivíduo desiludido,
Por profunda depressão abatido,
Engolido por um mar de solidão;
Remetido a insano desejo de apaziguar tamanha dor
numa taça de veneno indolor...
Miserável criatura, pobre coração sem amor.