"O meu eu, ateu, fez de ti um templo de adoração. Eu que não tinha divindade, faço de ti hoje, meu único motivo de oração. O meu eu, inexorável, frio, por você, abriu alas ao diálogo e ao perdão.
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"O meu eu, ateu, fez de ti um templo de adoração. Eu que não tinha divindade, faço de ti hoje, meu único motivo de oração. O meu eu, inexorável, frio, por você, abriu alas ao diálogo e ao perdão. Fez-me sentir o calor e o aconchego da paixão. O vazio que trazia eu no peito, quando sinto seu beijo, se preenche com chamas, meu coração. As noites, com seus ventos gélidos, já não me causam o apavoro de outra ocasião. Hoje tenho seus suspiros e abraços para afastar de mim a solidão. As palavras não foram em vão. Quando se trata das palavras, o meu eu, ateu, agora só lembra daquela nossa oração. Quando a cada beijo e abraço, aquele "Eu te amo" se traduzia em uma forma redimir-me junto à minha religião. Fiz de ti muitas coisas; o meu eu pecador fez de ti perdão. O meu eu, ateu, fez de ti minha religião. Fiz do teu corpo, na noite, meu templo de adoração..."