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Frases de Warley Tomáz

183 frases

O templo do coração é construído de pequenos gestos, quase despercebidos, mas, cheios de significados.
Uma lagarta espreguiçada A tarde chegava mansinha enquanto eu praticava meu instrumento; os sentidos atentos aos sons e posições do dedilhado. A curiosidade instigou-me a fitar os olhos em uma lagarta. Estava ao meu lado, na cerca. Lagarta bonita: preta com certas listas amarelo…
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Uma lagarta espreguiçada A tarde chegava mansinha enquanto eu praticava meu instrumento; os sentidos atentos aos sons e posições do dedilhado. A curiosidade instigou-me a fitar os olhos em uma lagarta. Estava ao meu lado, na cerca. Lagarta bonita: preta com certas listas amarelo-pálidos, corpo da largura de um dedo polegar adulto. Um conjunto de patinhas e aparelho digestivo bem planejados. Enfim, ela estava suspensa na cerca de forma hábil. Eis a razão de minha curiosidade. Com oito pares de patas abraçava-se às hastes da cerca, deixando livre as patas dianteiras. Desse modo, permanecia envergada para trás, como se fosse um exercício de alongamento ou ioga. Inerte, a lagarta espreguiçada e de vida morosa sugeriu-me pensamentos a respeito de nossas transcendências. Lagarta e homem têm desfechos semelhantes: ser pleno. Após a eclosão dos ovos, a lagarta verá a vida de baixo. Uma existência carregada de limitações e inseguranças. Naturalmente, seu ofício é alimentar-se de folhas, paciência e esperança. Precisa estar bem nutrida para a metamorfose. Todavia, a lagarta não conhece a transformação futura a que experimentar-se-á, mas, pode ser testemunha dos voos cheios de cores das borboletas se ergue a pequena cabeça para o céu. Esse bichinho virtuoso, objeto de fobia para muitos, terá de superar as vicissitudes para se tornar plena. E, para alcançar a plenitude, alçar voo rumo ao céu, seu ser viverá cá embaixo, experimentará a harmonia dos contrários, que une o selvagem e o divino no mesmo berço, digo, a vida.

Filtro de barro A água é indubitavelmente, o líquido por excelência, que refresca a sede. Mas, não apreciei um bom copo d’água como aqueles provenientes de um filtro de barro. Sim, daqueles que se encontram facilmente na casa de toda avó. Agora, vejo filtros modernos, ligados d…
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Filtro de barro A água é indubitavelmente, o líquido por excelência, que refresca a sede. Mas, não apreciei um bom copo d’água como aqueles provenientes de um filtro de barro. Sim, daqueles que se encontram facilmente na casa de toda avó. Agora, vejo filtros modernos, ligados diretamente à torneira. Filtros com purificadores, filtros com duas opções de temperatura da água: gelada e natural. Até encontrei um filtro automático, apenas se colocava o copo e a água decantava sem interferência humana. Esses tipos de filtros retardatários não matam a minha sede. A sensação de suprir nossas necessidades básicas quando, em uma situação de extrema vontade, causa-nos uma prazerosa sensação de alívio. Nessa situação, qualquer água serve. O filtro de barro, por sua vez, possui o método de filtragem mais eficiente e barato do mercado; além de, manter a temperatura da água sempre ideal. É possível sentir um leve gosto de argila, mas, a água continua insossa e potável. O gostinho típico é marca, selo da simplicidade de uma época nostálgica. É! Decididamente, eu jamais hei de comprar filtros modernos.

Possibilidade Poética Sou um pássaro de asas saradas, da gaiola não mais prisioneiro,
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Possibilidade Poética Sou um pássaro de asas saradas, da gaiola não mais prisioneiro, não mais o horizonte finito e traçado por verticalidades que não me elevam, não me levam a lugar algum. Não me impeça de voar! E subirei... subirei ao mais longínquo de meus sonhos e desejos mais sutis, às mais poéticas paisagens do espírito livre. E, quando entre as cores anis, perceber que Deus me sorri gostosamente, compreenderei que o mistério que a toda vida envolve não me é mais temerosa, livre, enfim, serei.

São Francisco dos Empobrecidos Admira-me, pai Francisco, ver-te, assim, amoroso tem o Bom Deus em seus braços, ferido de amor.
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São Francisco dos Empobrecidos Admira-me, pai Francisco, ver-te, assim, amoroso tem o Bom Deus em seus braços, ferido de amor. São as feridas dos pobres, pai. Os mesmos flagelos que se perpetuam pelos séculos. Nas páginas escritas com o sangue de negros e sangue de índios misturam-se o sangue sagrado dos empobrecidos. Por força de ordem crucificam o Cristo com cravos de cifrão em uma cruz capitalizada. Mas, não se deve pronunciar à respeito. O silêncio é deveras obrigação. E, não bastasse tantos corpos tombados, amigados com a liberdade; outros tantos, seguem, vitimados pelo progresso. Para estes, as migalhas que caem da mesa são acompanhadas de uma taça de suor. Vê, pai seráfico! Em teus braços magros abarcas o que digo: o amor e a pobreza descansam da sina desta noite sem fim.

Ofegância Busco no silêncio os seus passos; algum sinal que me amanse a respiração...
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Ofegância Busco no silêncio os seus passos; algum sinal que me amanse a respiração... O coração segue um pulsar apressado, rompendo os limites do espaço, num abraço que não se cumpriu. E na noite, porém, meu desejo desprezo no sono que vem e o silêncio que outrora aguardara, rompido apenas pelos entrecortes de ar nos pulmões, se consente à mudez dos sentimentos adormecidos em um canto qualquer do meu leito noturno.

Pecado original Foi-me dito em minha infância sobre um tal pecado original. Mas criança que eu era e, antes disso, ainda no regaço de minha mãe, inocente, puro, indefeso, como ser portador de um pecado? Nascer pecador, eu, que sem consciência de mim nada sabia e tudo ignorava a…
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Pecado original Foi-me dito em minha infância sobre um tal pecado original. Mas criança que eu era e, antes disso, ainda no regaço de minha mãe, inocente, puro, indefeso, como ser portador de um pecado? Nascer pecador, eu, que sem consciência de mim nada sabia e tudo ignorava a não ser os seios que me amamentaram?! Os anos correram ligeiro, a criança adolesceu para o mundo. E continuava sem entender o porquê do pecado. E, se nos primórdios, o pai e mãe original pecaram por degustar um fruto proibido plantado no paraíso, diga-me, porque diabos a sua árvore estava plantada no paraíso, com o selo de interdição? Seria melhor Deus não a ter plantado... E que diabos, o diabo fazia no paraíso? O menino cresceu. Tornou-se um homem. Um homem não feito. Porque este menino-homem é um homem de incertezas. O pecado original não o aflige, ignora-o. Os outros pecados, igualmente, recebem o mesmo descrédito. O amor. Apenas o amor é originariamente necessário, magnânimo. A sua falta é uma falta verdadeira. O homem de incertezas não se apoia em conceitos absolutos. Duvida das verdades doutrinárias e da mediocridade humana, começando por si próprio. Duvida de suas posições contra a natureza do ser, duvida de suas investidas contra o que lhe é mais humano: o desejo, a dor, o prazer e o sofrimento. A certeza habita apenas o epílogo da morte. Entretanto, a morte não lhe é estranha. Acolhe-a como o pobrezinho de Assis, com familiaridade. A morte que não nos vem por causa do pecado. Mas, porque nos intervalos entre a vida, nascemos e morremos. O pecado original de Adão e Eva não me importa e, ouso mais, meu Deus, porque se Você morreu por meu pecado, pelo pecado da humanidade passada, presente e futura, é necessário comunicar-lhe que as pessoas cá embaixo continuam desamando-se uns aos outros. Se se compreende que pela falta do amor entre seus semelhantes, mataram-Lhe, verifico que, na ausência de um amor mais socialmente integrado entre os seres humanos, (com menos apetrechos legalistas e mestres déspotas das fés), nossa racionalidade e emocionalidade se descaminham e se extinguem em um inferno geográfico. Pecado original...

Amizades O verbo amar conjuga a vida e dos amores que a vida traz,
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Amizades O verbo amar conjuga a vida e dos amores que a vida traz, a cumplicidade de um amigo nenhum amor se iguala, nenhum amante segreda. Amizades que crescem na simpatia espontânea no primeiro dia de aula, da primeira infância. E envelhecem juntas até a hora derradeira. Um amigo querido que a inevitabilidade da morte acolhe em seu manto de mistério, sem ao menos nos permitir um último adeus... Um amor dolorido por sentimentos engasgados na garganta. Tamanha a dor. Amizades seladas por laços sanguíneos. Um irmão que se faz grande amigo. Um amigo que antecede o irmão. Um amigo, uma amiga que chegam ao acaso e em pouco ocupam as mais deliciosas lembranças. Amigos de conversas noite adentro, de madrugadas até a aurora. Amigos para se permitir adentrar a casa sem bater à porta, abrir a geladeira sem permissão e acordar assustadoramente às onze da manhã. Amizades que escondem uma paixão, um beijo desejado. Um beijo bem dado, talvez... por que não?! Amores que em amizade se fundem, confundem-se. O amigo que o tempo e o distanciamento enuviaram, e um dia, quem sabe, tropeçaremos, um e outro, em uma rua qualquer, em qualquer lugar do globo. O amigo que parece esquecer-se de mim, quando na verdade, aguarda-me ansioso para o abraço. Amizades que me ensinam, me apaixonam pela vida. Amizades que me salvam não uma única vez, mas quase todos os dias. Amizades que guardam consigo metades de mim.

Sacrilégios Não me importa um Deus todo poderoso reinante glorioso em algum lugar...
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Sacrilégios Não me importa um Deus todo poderoso reinante glorioso em algum lugar... A minha fé é rica em dúvidas, ilusão e utopias. E cá, neste mundo insano, padeço existência. Sofro o sentimento de tantos amores sacrilegiados pelos deuses. Enquanto que em minha irrelevância frente à magnificência do universo, de Deus me basta saber que seja amor.

Empatias apáticas Nublei-me... como nublado o céu se acinzenta. Acinzentado de névoas meu coração primaveril.
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Empatias apáticas Nublei-me... como nublado o céu se acinzenta. Acinzentado de névoas meu coração primaveril. Não quero presenças. Não quero amigos. Não quero a mim. Mas a mim não posso dispersar-me. Impossível. E ao quarto me tranco na falsa sensação de estar só. Enquanto a mente permanece aberta a gritar seus palavrões. Pressão. Indisposição. Empatias apáticas. Chega! Quero respirar fundo até sentir vertigem. Um abraço bem apertado que estrale uma vértebra lombar. Um beijo, se não for pedir demais. Um silêncio que me diga algo sem nada dizer. Eu quero empatia.

Um outro que não eu Um outro que não eu passou por mim, ligeiro como a fase de uma lua.
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Um outro que não eu Um outro que não eu passou por mim, ligeiro como a fase de uma lua. Foi quando percebi o ar bucólico. Apercebi-me numa fragrância de pinheiros quando esse outro que não eu passou por mim. Brincava com as palavras, a falar de céu e de terra como quem fala da vida ou da lida com a mesma leveza na voz. E então, passou por mim, abraçou-me e foi-se embora. Saberás por ventura, que meus olhos brilhavam silenciosos e risonhos quando tu, este outro, exalava as suas palavras?

Dogmas e poesias O céu é um lugar chato, disse um dia o Rubem... É, também acho – diria a ele.
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Dogmas e poesias O céu é um lugar chato, disse um dia o Rubem... É, também acho – diria a ele. Um lugar monótono. O que eu quero é a terra, a música que arrepia a pele, o sabor da comida de mãezinha, a excitação gostosa do corpo alheio, o aroma úmido do solo regado pelas chuvas, e a sofrença do amante de alguém. Devolvam a Deus o humor que lhe é bendito, o seu deleite sobre a criação. E que não se faça Dele as rubricas dogmáticas nossas... Nem me falem com horror da monotonia do céu ou das diabruras do inferno porque não quero dogmas, quero poesias.

Alada Rebeldia Deixe para mim uma janela aberta, não te preocupe com a porta fechada.
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Alada Rebeldia Deixe para mim uma janela aberta, não te preocupe com a porta fechada. Não terei prazo para entrar ou sair por ela. Se me amas, peço apenas que eu seja livre para partir. Se me amas, teus calorosos sentimentos deixarão rastros caso eu me perca de mim, ajudando-me a recompor o meu ser, e então, nos encontraremos em algum momento no tempo, envoltos em saudades. Pois quando me encontro nos horizontes da tua saudade, vejo-me como o amante inalcançado, um fato não consumado. Deixe para mim a janela aberta, que a minha alada rebeldia tem nomes, e a quem queira saber, chamam-lhe amor e liberdade.

Solitárias e Solidões Na pequena cidade, no silêncio noturno e pacato, quase fantasmagórico e solitário de suas ruas,
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Solitárias e Solidões Na pequena cidade, no silêncio noturno e pacato, quase fantasmagórico e solitário de suas ruas, não há quem caminhe por entre elas, cada qual se refugia entre os seus muros de concreto. Solitária condição fortuita ou não, as pessoas vão-se embora, migram pelo mundo a procura de si. Vilas de campos verdes e pastos, de fortalezas-morros e estradas curvilíneas, habitados pela simpatia de seus concidadãos, uma hospitalidade com aroma de café, solidões acompanhadas de broas e pães de queijo. Solitárias são as margens de rios que secam aos poucos, que surpreende um filho que outrora não alcançava as suas ‘funduras’. Solidões somos muitas entre as matas, o canto do canário, a chuva fininha a cair. História e sabores das Minas em mim veladas pelas areias do tempo em nós.

Profundo silêncio se fez Eram migrantes, não havia lugar para eles nas moradas de Belém. Buscavam refúgio para a criancinha que iria nascer.
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Profundo silêncio se fez Eram migrantes, não havia lugar para eles nas moradas de Belém. Buscavam refúgio para a criancinha que iria nascer. Nasceu-nos um Menino! Profundo silêncio se fez. Uma multidão de anjos vem adorá-lo ou seriam a multidão de imigrantes que não encontraram lugar em outra Belém? Profundo silêncio se fez. Veio Deus feito menino, brincar com a humanidade. Deus menino veio ser gente simples. Despojado como criança que se lança nos braços firmes do pai ou no colo seguro da mãe, lançou-se nos braços frágeis da humanidade. Profundo silêncio se fez.

Coroação Mês de maio. Em muitas igrejas, ao final da missa se faz uma homenagem a Maria. Coroação. Uma pequena trupe infantil vestida de anjinhos entram cantando um canto antigo até o altar montado para o momento. A imagem da santa fica no topo e os anjinhos se colocam em volta.…
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Coroação Mês de maio. Em muitas igrejas, ao final da missa se faz uma homenagem a Maria. Coroação. Uma pequena trupe infantil vestida de anjinhos entram cantando um canto antigo até o altar montado para o momento. A imagem da santa fica no topo e os anjinhos se colocam em volta. De par em par, vão cantando suas estrofes e em seguida, depositam um símbolo: flores, um coração, um véu (se for mulher) e a coroa na imagem da santa ou do santo homenageados. Na minha infância em Coroaci, fiz muitas coroações de Nossa Senhora, do Sagrado Coração de Jesus e da Senhora Santana, a padroeira. Dona Nigrinha organizava as coroações, preparava e ensaiava as crianças. Em todas elas, dona Nigrinha me encarrega sempre das flores ou do coração. Nunca depositei a coroa... será que pequei, tão criança que eu era, por querer demais algo assim? Mas também nunca pedi para mim a função de coroar. Se eu voltasse no tempo e tivesse a chance de falar sobre isso com o menino que fui, diria a ele – eu – que no futuro me sentiria muito orgulhoso por sempre depositar flores e o coração nas imagens dos santos naquelas coroações. E diria mais a mim mesmo, diria que as flores me trazem à memória a beleza e a arte. E que o coração traz vida aos meus desejos e amores. Poderíamos ofertar mais? A beleza e a arte; o desejo e o amor é o que impulsiona a nossa humanidade para o futuro, marcas de nossa efêmera existência sobre a Terra.

Saudade e carestia No amor há sempre uma saudade. Carestia do ato de amar.
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Saudade e carestia No amor há sempre uma saudade. Carestia do ato de amar. Se se está perto, saudade na distância que há na proximidade. Uma distância voraz incessante. Se longe, saudade da contemplação, saudade da consumação de corpos na unidade, abreviação da distância insistente. No amor há sempre uma saudade e carestia, um querer a mais, um querer... mais.

Vinte e nove Fui encontrar-me a mim em um encontro atemporal,
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Vinte e nove Fui encontrar-me a mim em um encontro atemporal, numa estação sem plataformas, em meu terreno sem local. O eu que era e agora jaz e o eu que aqui se faz. Passado e presente diante de si, sem quaisquer dizeres, apenas um encontro de olhares. Quanto daquele me pertence ainda ser e quanto de mim se perdeu comigo? Vi descer uma criança em corpo de homem feito. Trazia fogo nos olhos e sonhos no andar. Não hei de afirmar que hesitou ao me ver amarrotado, de sonhos torcidos como as roupas de lavadeiras de rio. Apenas um reencontro de olhares, uma parada prévia para um café sem prosa e o abraço íntimo entre um homem e um menino que ‘sendo’ me sonham seguir.

Novembrosas Desce o poente entardecido por novembrosas precipitações. E impotente se afiguram as palavras benfazejas que renovam a esperança
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Novembrosas Desce o poente entardecido por novembrosas precipitações. E impotente se afiguram as palavras benfazejas que renovam a esperança ao aterrado desconsolo de minh’alma desarmada, desamada, talvez. Queira morrer-me um pouco mais por esta noite, absorto em fantasmagorias da religião. Se em tua taça houver um pouco mais que amargor, oferece-a à insaciedade de minha sede. Abranda a secura que me aflige. E, incauto, vem tragar minha paixão no poente infindo em que vivi.

O teu silêncio O teu silêncio me ensurdece de saudade. A memória insiste no perfume de instantes
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O teu silêncio O teu silêncio me ensurdece de saudade. A memória insiste no perfume de instantes abreviados por uma fronteira que nunca existiu. E quanto a mim, perdido estou em sonhos flutuantes, recostado à cabeceira, numa noite de lua minguante. Meu coração míngua também, ele apequena e a saudade só aumenta. O teu silêncio, eu quereria no instante de um abraço. Mas o silêncio é a presença de tua ausência. E eu nada poderei.