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Frases de Vinicius de Moraes

356 frases

Homem, sou a fera Poeta, sou um louco Amante, sou pai
UM NOVO DIA Um novo dia vem nascendo Um novo sol já vai raiar
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UM NOVO DIA Um novo dia vem nascendo Um novo sol já vai raiar Parece a vida, rompendo em luz E que nos convida a amar Oh, meu irmão, não desespera Espera a luz acontecer Para que a vida renasça em paz Nesse novo amanhecer Surgem as abelhas em zoeira a sugar o mel das flores gentis Param as ovelhas pelo monte, a recordar os horizontes felizes Vindo à distância cantam galos em longínquos intervalos de sons Pombos revoando, vão uivando, vão passando nestes céus tão azuis Ah, quanta cor e luz! E o movimento vai crescendo Vai aumentando em amplidão Parece a vida pulsar no ar O bater de um coração Sobem pregões vindos da praça Começa o povo a aparecer Quem quer comprar neste novo dia A alegria de viver?

QUARTO SONETO DE MEDITAÇÃO Apavorado acordo, em treva. O luar É como o espectro do meu sonho em mim
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QUARTO SONETO DE MEDITAÇÃO Apavorado acordo, em treva. O luar É como o espectro do meu sonho em mim E sem destino, e louco, sou o mar Patético, sonâmbulo e sem fim. Desço na noite, envolto em sono; e os braços Como ímãs, atraio o firmamento Enquanto os bruxos, velhos e devassos Assoviam de mim na voz do vento. Sou o mar! sou o mar! meu corpo informe Sem dimensão e sem razão me leva Para o silêncio onde o Silêncio dorme Enorme. E como o mar dentro da treva Num constante arremesso largo e aflito Eu me espedaço em vão contra o infinito.

SONETO DE MARTA Teu rosto, amada minha, é tão perfeito Tem uma luz tão cálida e divina
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SONETO DE MARTA Teu rosto, amada minha, é tão perfeito Tem uma luz tão cálida e divina Que é lindo vê-lo quando se ilumina Como se um círio ardesse no teu peito E é tão leve teu corpo de menina Assim de amplos quadris e busto estreito Que dir-se-ia uma jovem dançarina De pele branca e fina, e olhar direito Deverias chamar-te Claridade Pelo modo espontâneo, franco e aberto Com que encheste de cor meu mundo escuro E sem olhar nem vida nem idade Me deste de colher em tempo certo Os frutos verdes deste amor maduro.

Tomara Que a tristeza te convença Que a saudade não compensa
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Tomara Que a tristeza te convença Que a saudade não compensa E que a ausência não dá paz E o verdadeiro amor de quem se ama Tece a mesma antiga trama Que não se desfaz E a coisa mais divina Que há no mundo É viver cada segundo Como nunca mais... Tomara Que a tristeza te convença Que a saudade não compensa E que a ausência não dá paz E o verdadeiro amor de quem se ama Tece a mesma antiga trama Que não se desfaz E a coisa mais divina Que há no mundo É viver cada segundo Como nunca mais... Vinicius de Moraes

Teu Nome Teu nome, Maria Lúcia Tem qualquer coisa que afaga
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Teu Nome Teu nome, Maria Lúcia Tem qualquer coisa que afaga Como uma lua macia Brilhando à flor de uma vaga. Parece um mar que marulha De manso sobre uma praia Tem o palor que irradia A estrela quando desmaia. É um doce nome de filha É um belo nome de amada Lembra um pedaço de ilha Surgindo de madrugada. Tem um cheirinho de murta E é suave como a pelúcia É acorde que nunca finda É coisa por demais linda Teu nome, Maria Lúcia…

A ARTE DE SER VELHO É curioso como, com o avançar dos anos e o aproximar da morte, vão os homens fechando portas atrás de si, numa espécie de pudor de que o vejam enfrentar a velhice que se aproxima. Pelo menos entre nós, latinos da América, e sobretudo, do Brasil. E talvez seja…
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A ARTE DE SER VELHO É curioso como, com o avançar dos anos e o aproximar da morte, vão os homens fechando portas atrás de si, numa espécie de pudor de que o vejam enfrentar a velhice que se aproxima. Pelo menos entre nós, latinos da América, e sobretudo, do Brasil. E talvez seja melhor assim; pois se esse sentimento nos subtrai em vida, no sentido de seu aproveitamento no tempo, evita-nos incorrer em desfrutes de que não está isenta, por exemplo, a ancianidade entre alguns povos europeus e de alhures. Não estou querendo dizer com isso que todos os nossos velhinhos sejam nenhuma flor que se cheire. Temo-los tão pilantras como não importa onde, e com a agravante de praticarem seus malfeitos com menos ingenuidade. Mas, como coletividade, não há dúvida que os velhinhos brasileiros têm mais compostura que a maioria da velhorra internacional (tirante, é claro, a China), embora entreguem mais depressa a rapadura. Talvez nem seja compostura; talvez seja esse pudor de que falávamos acima, de se mostrarem em sua decadência, misturado ao muito freqüente sentimento de não terem aproveitado os verdes anos como deveriam. Seja como for, aqui no Brasil os velhos se retraem daqueles seus semelhantes que, como se poderia dizer, têm a faca e o queijo nas mãos. Em reuniões e lugares públicos não têm sido poucas as vezes em que já surpreendi olhares de velhos para moços que se poderiam traduzir mais ou menos assim: "Desgraçado! Aproveita enquanto é tempo porque não demora muito vais ficar assim como eu, um velho, e nenhuma dessas boas olhará mais sequer para o teu lado..." Isso, aqui no Brasil, é fácil sentir nas boates, com exceção de São Paulo, onde alguns cocorocas ainda arriscam seu pezinho na pista, de cara cheia e sem ligar ao enfarte. No Rio é bem menos comum, e no geral, em mesa de velho não senta broto, pois, conforme reza a máxima popular, quem gosta de velho é reumatismo. O que me parece, de certo modo, cruel. Mas, o que se vai fazer? Assim é a mocidade- ínscia, cruel e gulosa em seus apetites. Como aliás, muito bem diz também a sabedoria do povo: homem velho e mulher nova, ou chifre ou cova. Na Europa, felizmente para a classe, a cantiga soa diferente. Aliás, nos Estados Unidos dá-se, de certo modo, o mesmo. É verdade que no caso dos Estados Unidos a felicidade dos velhos é conseguida um pouco à base da vigarista; mas na Europa não. Na Europa vêem-se meninas lindas nas boates dançando cheek to cheek com verdadeiros macróbios, e de olhinho fechado e tudo. Enquanto que nos Estados Unidos eu creio que seja mais... cheek to cheek. Lembro-me que em Paris, no Club St. Florentin, onde eu ia bastante, havia na pista um velhinho sempre com meninas diferentes. O "matusa" enfrentava qualquer parada, do rock ao chá-chá-chá e dançava o fino, com todos os extravagantes passinhos com que os gauleses enfeitam as danças do Caribe, sem falar no nosso samba. Um dia, um rapazinho folgado veio convidar a menina do velhinho para dançar e sabem o que ela disse? - isso mesmo que vocês estão pensando e mais toda essa coisa. E enquanto isso, o velhinho de pé, o peito inchado, pronto para sair na física. Eu achei a cena uma graça só, mas não sei se teria sentido o mesmo aqui no Brasil, se ela se tivesse passado no Sacha's com algum parente meu. Porque, no fundo, nós queremos os nossos velhinhos em casa, em sua cadeira de balanço, lendo Michel Zevaco ou pensando na morte próxima, como fazia meu avô. Velhinho saliente é muito bom, muito bom, mas de avô dos outros. Nosso, não.

De forma que, certo dia, à mesa, ao cortar o pão, o operário foi tomado
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De forma que, certo dia, à mesa, ao cortar o pão, o operário foi tomado de uma súbita emoção ao constatar, assombrado, que tudo naquela mesa - garrafa, prato, facão - era ele quem fazia. Ele, um humilde operário; um operário em construção. Olhou em volta: gamela, banco, enxerga, caldeirão, vidro, parede, janela, casa, cidade, nação! Tudo, tudo o que existia, era ele quem os fazia. Ele, um humilde operário. Um operário que sabia exercer a profissão. Ah, homens de pensamento! Não sabereis nunca o quanto aquele humilde operário soube naquele momento.

O caminho para a distância Alma que sofres pavorosamente A dor de seres privilegiada
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O caminho para a distância Alma que sofres pavorosamente A dor de seres privilegiada Abandona o teu pranto, sê contente Antes que o horror da solidão te invada. Deixa que a vida te possua ardente Ó alma supremamente desgraçada. Abandona, águia, a inóspita morada Vem rastejar no chão como a serpente. De que te vale o espaço se te cansa? Quanto mais sobes mais o espaço avança... Desce ao chão, águia audaz, que a noite é fria. Volta, ó alma, ao lugar de onde partiste O mundo é bom, o espaço é muito triste... Talvez tu possas ser feliz um dia.

Bom dia, tristeza (com música de Adoniran Barbosa) Bom dia, tristeza
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Bom dia, tristeza (com música de Adoniran Barbosa) Bom dia, tristeza Que tarde, tristeza Você veio hoje me ver Já estava ficando Até meio triste De tanto tempo Longe de você Se chegue, tristeza Se sente comigo Aqui, nesta mesa de bar Beba do meu copo Me dê o seu ombro Que é para eu chorar Chorar de tristeza Tristeza de amar

" ... Quem já passou por essa vida e não viveu. Pode ser mais, mas sabe menos do que eu... Porque a vida só se dá, para quem se deu. Para quem amou, para quem chorou, para quem sofreu. Quem nunca curtiu uma paixão, nunca vai ter nada não! Não há mal pior do que a descrença, mesmo…
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" ... Quem já passou por essa vida e não viveu. Pode ser mais, mas sabe menos do que eu... Porque a vida só se dá, para quem se deu. Para quem amou, para quem chorou, para quem sofreu. Quem nunca curtiu uma paixão, nunca vai ter nada não! Não há mal pior do que a descrença, mesmo amor que não compensa, é melhor que a solidão..."

É melhor ser alegre que ser triste. Alegria é a melhor coisa que existe. É assim como a luz no coração. Mas pra fazer um samba com beleza é preciso um bocado de tristeza, é preciso um bocado de tristeza, senão, não se faz um samba não. Senão é como amar uma mulher só linda. E daí…
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É melhor ser alegre que ser triste. Alegria é a melhor coisa que existe. É assim como a luz no coração. Mas pra fazer um samba com beleza é preciso um bocado de tristeza, é preciso um bocado de tristeza, senão, não se faz um samba não. Senão é como amar uma mulher só linda. E daí? Uma mulher tem que ter qualquer coisa além de beleza, qualquer coisa de triste, qualquer coisa que chora, qualquer coisa que sente saudade. Um molejo de amor machucado, uma beleza que vem da tristeza de se saber mulher, feita apenas para amar, para sofrer pelo seu amor e pra ser só perdão.

Trecho Quem foi, perguntou o Celo Que me desobedeceu?
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Trecho Quem foi, perguntou o Celo Que me desobedeceu? Quem foi que entrou no meu reino E em meu ouro remexeu? Quem foi que pulou meu muro E minhas rosas colheu? Quem foi, perguntou o Celo E a Flauta falou: Fui eu. Mas quem foi, a Flauta disse Que no meu quarto surgiu? Quem foi que me deu um beijo E em minha cama dormiu? Quem foi que me fez perdida E que me desiludiu? Quem foi, perguntou a Flauta E o velho Celo sorriu.