Todo grande amor só é bem grande se for triste!
Frases de Vinicius de Moraes
356 frases
O maior solitário é o que tem medo de amar, o que tem medo de ferir e ferir-se, o ser casto da mulher, do amigo, do povo, do mundo. Esse queima como uma lâmpada triste, cujo reflexo entristece também tudo em torno. Ele é a angústia do mundo que o reflete. Ele é o que se recusa à…
Continuar lendo
O maior solitário é o que tem medo de amar, o que tem medo de ferir e ferir-se, o ser casto da mulher, do amigo, do povo, do mundo. Esse queima como uma lâmpada triste, cujo reflexo entristece também tudo em torno. Ele é a angústia do mundo que o reflete. Ele é o que se recusa às verdadeiras fontes de emoção, as que são o patrimônio de todos, e, encerrado em seu duro privilégio, semeia pedras do alto de sua fria e desolada torre.
Que não seja imortal, posto que é chama, mas que seja infinito enquanto dure...
E posso te dizer que o grande afeto que te deixo Não traz o exaspero das lágrimas
Continuar lendo
E posso te dizer que o grande afeto que te deixo Não traz o exaspero das lágrimas nem a fascinação das promessas Nem as misteriosas palavras dos véus da alma... É um sossego, uma unção, um transbordamento de carícias E só te pede que te repouses quieta, muito quieta E deixes que as mãos cálidas da noite encontrem sem fatalidade o olhar estático da aurora.
É amigo, mas ela anda longe, perdida, num mundo lírico e confuso,
Continuar lendo
É amigo, mas ela anda longe, perdida, num mundo lírico e confuso, cheio de canções, aventura e magia...
Vai tua vida, Teu caminho é de paz e amor Vai tua vida é uma linda canção de amor
Continuar lendo
Vai tua vida, Teu caminho é de paz e amor Vai tua vida é uma linda canção de amor Abre os teus braços E canta a última esperança A esperança divina de amar em paz Se todos fossem iguais a você Que maravilha viver Uma canção pelo ar, Uma mulher a cantar Uma cidade a cantar, A sorrir, a cantar, a pedir A beleza de amar Como o sol, Como a flor, Como a luz Amar sem mentir, Nem sofrer Existiria verdade, Verdade que ninguém vê Se todos fossem no mundo iguais a você.
TRÊS RESPOSTAS EM FACE DE DEUS! Sim, vós sois (eu deveria ajoelhar dizendo os vossos nomes!) E sem vós quem se mataria no presságio de alguma madrugada?
Continuar lendo
TRÊS RESPOSTAS EM FACE DE DEUS! Sim, vós sois (eu deveria ajoelhar dizendo os vossos nomes!) E sem vós quem se mataria no presságio de alguma madrugada? À vossa mesa irei murchando para que o vosso vinho vá bebendo De minha poesia farei música para que não mais vos firam os seus acentos dolorosos Livres as mãos e serei Tântalo - mas o suplício da sede vós o vereis apenas nos meus olhos Que adormeceram nas visões das auroras geladas onde o sol de sangue não caminha… E vós!... (Oh, o fervor de dizer os vossos nomes angustiados!) Deixai correr o vosso sangue eterno sobre as minhas lágrimas de ouro! Vós sois o espírito, a alma, a inteligência das coisas criadas E a vós eu não rirei - rir é atormentar a tragédia interior que ama o silêncio Convosco e contra vós eu vagarei em todos os desertos E a mesma águia se alimentará das nossas entranhas tormentosas. E vós, serenos anjos... (eu deveria morrer dizendo os vossos nomesl) Vós cujos pequenos seios se iluminavam misteriosamente à minha presença silenciosa! Vossa lembrança é como a vida que não abandona o espírito no sono Vós fostes para mim o grande encontro… E vós também, ó árvores de desejo! Vós, a jetatura de Deus enlouquecido Vós sereis o demônio em todas as idades.
A música das almas... Na manhã infinita as nuvens surgiram como a loucura numa alma. E o vento como o instinto desceu os braços das árvores que estrangulavam a terra... Depois veio a claridade, os grandes rios, céus, a paz dos campos...
Continuar lendo
A música das almas... Na manhã infinita as nuvens surgiram como a loucura numa alma. E o vento como o instinto desceu os braços das árvores que estrangulavam a terra... Depois veio a claridade, os grandes rios, céus, a paz dos campos... Mas nos caminhos todos choravam com os rostos levados para o alto. Porque a vida tinha misteriosamente passado na tormenta.
O Haver Resta, acima de tudo, essa capacidade de ternura Essa intimidade perfeita com o silêncio
Continuar lendo
O Haver Resta, acima de tudo, essa capacidade de ternura Essa intimidade perfeita com o silêncio Resta essa voz íntima pedindo perdão por tudo - Perdoai-os! porque eles não têm culpa de ter nascido... Resta esse antigo respeito pela noite, esse falar baixo Essa mão que tateia antes de ter, esse medo De ferir tocando, essa forte mão de homem Cheia de mansidão para com tudo quanto existe. Resta essa imobilidade, essa economia de gestos Essa inércia cada vez maior diante do Infinito Essa gagueira infantil de quem quer exprimir o inexprimível Essa irredutível recusa à poesia não vivida. Resta essa comunhão com os sons, esse sentimento Da matéria em repouso, essa angústia da simultaneidade Do tempo, essa lenta decomposição poética Em busca de uma só vida, uma só morte, um só Vinicius. Resta esse coração queimando como um círio Numa catedral em ruínas, essa tristeza Diante do cotidiano; ou essa súbita alegria Ao ouvir passos na noite que se perdem sem história. Resta essa vontade de chorar diante da beleza Essa cólera em face da injustiça e o mal-entendido Essa imensa piedade de si mesmo, essa imensa Piedade de si mesmo e de sua força inútil. Resta esse sentimento de infância subitamente desentranhado De pequenos absurdos, essa capacidade De rir à toa, esse ridículo desejo de ser útil E essa coragem para comprometer-se sem necessidade. Resta essa distração, essa disponibilidade, essa vagueza De quem sabe que tudo já foi como será no vir-a-ser E ao mesmo tempo essa vontade de servir, essa Contemporaneidade com o amanhã dos que não tiveram ontem nem hoje. Resta essa faculdade incoercível de sonhar De transfigurar a realidade, dentro dessa incapacidade De aceitá-la tal como é, e essa visão Ampla dos acontecimentos, e essa impressionante E desnecessária presciência, e essa memória anterior De mundos inexistentes, e esse heroísmo Estático, e essa pequenina luz indecifrável A que às vezes os poetas dão o nome de esperança. Resta esse desejo de sentir-se igual a todos De refletir-se em olhares sem curiosidade e sem memória Resta essa pobreza intrínseca, essa vaidade De não querer ser príncipe senão do seu reino. Resta esse diálogo cotidiano com a morte, essa curiosidade Pelo momento a vir, quando, apressada Ela virá me entreabrir a porta como uma velha amante Mas recuará em véus ao ver-me junto à bem-amada... Resta esse constante esforço para caminhar dentro do labirinto Esse eterno levantar-se depois de cada queda Essa busca de equilíbrio no fio da navalha Essa terrível coragem diante do grande medo, e esse medo Infantil de ter pequenas coragens.
"A maior solidão é a do ser que se ausenta, que se defende, que se fecha, que se recusa a participar da vida humana. A maior solidão é a do homem encerrado em si mesmo, no absoluto de si mesmo, o que não dá a quem pede o que ele pode dar de amor, de amizade, de socorro" Vinicius…
Continuar lendo
"A maior solidão é a do ser que se ausenta, que se defende, que se fecha, que se recusa a participar da vida humana. A maior solidão é a do homem encerrado em si mesmo, no absoluto de si mesmo, o que não dá a quem pede o que ele pode dar de amor, de amizade, de socorro" Vinicius de Moraes em Para Viver um Grande Amor (Companhia das Letras).
Hei de seguir eternamente a estrada Que há tanto tempo venho já seguindo Sem me importar com a noite que vem vindo
Continuar lendo
Hei de seguir eternamente a estrada Que há tanto tempo venho já seguindo Sem me importar com a noite que vem vindo Como uma pavorosa alma penada. Sem fé na redenção, sem crença em nada Fugitivo que a dor vem perseguindo Busco eu também a paz onde, sorrindo Será também minha alma uma alvorada. Onde é ela? Talvez nem mesmo exista… Ninguém sabe onde fica… Certo, dista Muitas e muitas léguas de caminho… Não importa. O que importa é ir em fora Pela ilusão de procurar a aurora Sofrendo a dor de caminhar sozinho.
Medo de Amar Petrópolis O céu está parado, não conta nenhum segredo
Continuar lendo
Medo de Amar Petrópolis O céu está parado, não conta nenhum segredo A estrada está parada, não leva a nenhum lugar A areia do tempo escorre de entre meus dedos Ai que medo de amar! O sol põe em relevo todas as coisas que não pensam Entre elas e eu, que imenso abismo secular... As pessoas passam, não ouvem os gritos do meu silêncio Ai que medo de amar! Uma mulher me olha, em seu olhar há tanto enlevo Tanta promessa de amor, tanto carinho para dar Eu me ponho a soluçar por dentro, meu rosto está seco Ai que medo de amar! Dão-me uma rosa, aspiro fundo em seu recesso E parto a cantar canções, sou um patético jogral Mas viver me dói tanto! e eu hesito, estremeço... Ai que medo de amar! E assim me encontro: entro em crepúsculo, entardeço Sou como a última sombra se estendendo sobre o mar Ah, amor, meu tormento!... como por ti padeço... Ai que medo de amar!
Poema: A CASA Era uma casa Muito engraçada
Continuar lendo
Poema: A CASA Era uma casa Muito engraçada Não tinha teto Não tinha nada Ninguém podia Entrar nela não Porque na casa Não tinha chão Ninguém podia Dormir na rede Porque a casa Não tinha parede Ninguém podia Fazer pipi Porque penico Não tinha ali Mas era feita Com muito esmero Na Rua dos Bobos Número Zero.
O ELEFANTINHO Onde vais, elefantinho Correndo pelo caminho
Continuar lendo
O ELEFANTINHO Onde vais, elefantinho Correndo pelo caminho Assim tão desconsolado? Andas perdido, bichinho Espetaste o pé no espinho Que sentes, pobre coitado? — Estou com um medo danado Encontrei um passarinho!
O Peru Glu! Glu! Glu! Abram alas pro Peru!
Continuar lendo
O Peru Glu! Glu! Glu! Abram alas pro Peru! O Peru foi a passeio Pensando que era pavão Tico-tico riu-se tanto Que morreu de congestão. O Peru dança de roda Numa roda de carvão Quando acaba fica tonto De quase cair no chão. O Peru se viu um dia Nas águas do ribeirão Foi-se olhando foi dizendo Que beleza de pavão! Glu! Glu! Glu! Abram alas pro Peru!
Eu não sou feito essa gente que ama e de repente tchau, e se acabou.
Contem-lhe que há milhões de corpos a enterrar, muitas cidades a reerguer, muita pobreza pelo mundo. Contem-lhe que há uma criança chorando em alguma parte do mundo e as mulheres estão ficando loucas, e há legiões delas carpindo a saudade de seus homens; contem-lhe que há um vácu…
Continuar lendo
Contem-lhe que há milhões de corpos a enterrar, muitas cidades a reerguer, muita pobreza pelo mundo. Contem-lhe que há uma criança chorando em alguma parte do mundo e as mulheres estão ficando loucas, e há legiões delas carpindo a saudade de seus homens; contem-lhe que há um vácuo nos olhos dos párias, e sua magreza é extrema; contem-lhe que a vergonha, a desonra, o suicídio rondam os lares, e é preciso reconquistar a vida.
Menininha do meu coração eu só quero você a três palmos do chão.
Continuar lendo
Menininha do meu coração eu só quero você a três palmos do chão. Menininha não cresça mais não, fique pequenininha na minha canção, senhorinha levada batendo palminha fingindo assustada do bicho-papão... Menininha que graça é você uma coisinha assim começando a viver..."
De nada vale ao homem a pura compreensão de todas as coisas, se ele tem algemas que o impedem de levantar os braços para o alto. De nada valem ao homem os bons sentimentos, se ele descansa nos sentimentos maus.
Eu reconheço que não tem preço gente que gosta de gente assim feito você
Eu deixarei... tu irás e encostarás a tua face em outra face. Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada. Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo da noite.
Continuar lendo
Eu deixarei... tu irás e encostarás a tua face em outra face. Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada. Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo da noite. Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa. Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço. E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado. Eu ficarei só como os veleiros nos pontos silenciosos. Mas eu te possuirei como ninguém porque poderei partir. E ter todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas.
Eu sou como o velho barco que guarda no seu bojo o eterno ruído do mar batendo No entanto, como está longe o mar
Continuar lendo
Eu sou como o velho barco que guarda no seu bojo o eterno ruído do mar batendo No entanto, como está longe o mar como é dura a terra sob mim... Felizes são os pássaros que chegam mais cedo que eu à suprema fraqueza E que, voando, caem, pequenos e abençoados, nos parques onde a primavera é eterna.
Pra que chorar Se o sol já vai raiar Se o dia vai amanhecer
Continuar lendo
Pra que chorar Se o sol já vai raiar Se o dia vai amanhecer Pra que sofrer Se a lua vai nascer É só o sol se pôr Pra que chorar Se existe amor A questão é só de dar A questão é só de dor Quem não chorou Quem não se lastimou Não pode nunca mais dizer Pra que chorar Pra que sofrer Se há sempre um novo amor Em cada novo amanhecer... Pra que chorar Se o sol já vai raiar Se o dia vai amanhecer Pra que sofrer Se a lua vai nascer É só o sol se pôr Pra que chorar Se existe amor A questão é só de dar A questão é só de dor Quem não chorou Quem não se lastimou Não pode nunca mais dizer Pra que chorar Pra que sofrer Se há sempre um novo amor Em cada novo amanhecer...
Os acrobatas Tensos Pela corda luminosa
Continuar lendo
Os acrobatas Tensos Pela corda luminosa Que pende invisível E cujos nós são astros Queimando nas mãos Subamos à tona Do grande mar de estrelas Onde dorme a noite Subamos!