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Frases de Vinicius de Moraes

356 frases

Não me venha achar ruim, porque você me conheceu assim!
Entre as prendas com que a natureza Alegrou este mundo onde há tanta tristeza A beleza das flores realça em primeiro lugar
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Entre as prendas com que a natureza Alegrou este mundo onde há tanta tristeza A beleza das flores realça em primeiro lugar É um milagre do aroma florido Mais lindo que todas as graças do céu E até mesmo do mar Olhem bem para a rosa Não há mais formosa É flor dos amantes É rosa-mulher Que em perfume e em nobreza Vem antes do cravo E do lírio e da Hortência E da dália e do bom crisântemo E até mesmo do puro e gentil malmequer E reparem no cravo o escravo da rosa Que é flor mais cheirosa De enfeite sutil E no lírio que causa o delírio da rosa O martírio da alma da rosa Que é a flor mais vaidosa e mais prosa Entre as flores do nosso Brasil Abram alas pra dália garbosa Da cor mais vistosa Do grande jardim da existência das flores Tão cheias de cores gentis E também para a Hortência inocente A flor mais contente No azul do seu corpo macio e feliz Satisfeita da vida Vem a margarida Que é a flor preferida dos que tem paixão E agora é a vez da papoula vermelha A que dá tanto mel pras abelhas E alegra este mundo tão triste No amor que é o meu coração E agora que temos o bom crisântemo Seu nome cantemos em verso e em prosa Porém que não tem a beleza da rosa Que uma rosa não é só uma flor Uma rosa é uma rosa, é uma rosa É a mulher rescendendo de amor

E por falar em saudade onde anda você Onde andam seus olhos que a gente não vê Onde anda esse corpo
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E por falar em saudade onde anda você Onde andam seus olhos que a gente não vê Onde anda esse corpo Que me deixou morto de tanto prazer E por falar em beleza onde anda a canção Que se ouvia na noite dos bares de então [...] E por falar em paixão, em razão de viver, Você bem que podia me aparecer Nesses mesmos lugares, na noite, nos bares Onde anda você?

Não é sem freqüência que, à tarde, chegando à janela, eu vejo um casalzinho de brotos que vem namorar sobre a pequenina ponte de balaustrada branca que há no parque. Ela é uma menina de uns 13 anos, o corpo elástico metido nuns blue jeans e num suéter folgadão, os cabelos puxados…
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Não é sem freqüência que, à tarde, chegando à janela, eu vejo um casalzinho de brotos que vem namorar sobre a pequenina ponte de balaustrada branca que há no parque. Ela é uma menina de uns 13 anos, o corpo elástico metido nuns blue jeans e num suéter folgadão, os cabelos puxados para trás num rabinho-de-cavalo que está sempre a balançar para todos os lados; ele, um garoto de, no máximo, 16, esguio, com pastas de cabelo a lhe tombar sobre a testa e um ar de quem descobriu a fórmula da vida. Uma coisa eu lhes asseguro: eles são lindos, e ficam montados, um em frente ao outro, no corrimão da colunata, os joelhos a se tocarem, os rostos a se buscarem a todo momento para pequenos segredos, pequenos carinhos, pequenos beijos. São, na sua extrema juventude, a coisa mais antiga que há no parque, incluindo velhas árvores que por ali espapaçam sua verde sombra; e as momices e brincadeiras que se fazem dariam para escrever todo um tratado sobre a arqueologia do amor, pois têm uma tal ancestralidade que nunca se há de saber a quantos milênios remontam. Eu os observo por um minuto apenas para não perturbar-lhes os jogos de mão e misteriosos brinquedos mímicos com que se entretêm, pois suspeito de que sabem de tudo o que se passa à sua volta. Às vezes, para descansar da posição, encaixam-se os pescoços e repousam os rostos um sobre o ombro do outro, como dois cavalinhos carinhosos, e eu vejo então os olhos da menina percorrerem vagarosamente as coisas em torno, numa aceitação dos homens, das coisas e da natureza, enquanto os do rapaz mantêm-se fixos, como a perscrutar desígnios. Depois voltam à posição inicial e se olham nos olhos, e ela afasta com a mão os cabelos de sobre a fronte do namorado, para vê-lo melhor e sente-se que eles se amam e dão suspiros de cortar o coração. De repente o menino parte para uma brutalidade qualquer, torce-lhe o pulso até ela dizer-lhe o que ele quer ouvir, e ela agarra-o pelos cabelos, e termina tudo, quando não há passantes, num longo e meticuloso beijo. Que será, pergunto-me eu em vão, dessas duas crianças que tão cedo começam a praticar os ritos do amor? Prosseguirão se amando, ou de súbito, na sua jovem incontinência, procurarão o contato de outras bocas, de outras mãos, de outros ombros? Quem sabe se amanhã quando eu chegar à janela, não verei um rapazinho moreno em lugar do louro ou uma menina com a cabeleira solta em lugar dessa com os cabelos presos? E se prosseguirem se amando, pergunto-me novamente em vão, será que um dia se casarão e serão felizes? Quando, satisfeita a sua jovem sexualidade, se olharem nos olhos, será que correrão um para o outro e se darão um grande abraço de ternura? Ou será que se desviarão o olhar, para pensar cada um consigo mesmo que ele não era exatamente aquilo que ela pensava e ela era menos bonita ou inteligente do que ele a tinha imaginado? É um tal milagre encontrar, nesse infinito labirinto de desenganos amorosos, o ser verdadeiramente amado... Esqueço o casalzinho no parque para perder-me por um momento na observação triste, mas fria, desse estranho baile de desencontros, em que freqüentemente aquela que devia ser daquele acaba por bailar com outro porque o esperado nunca chega; e este, no entanto, passou por ela sem que ela o soubesse, suas mãos sem querer se tocaram, eles olharam-se nos olhos por um instante e não se reconheceram. E é então que esqueço de tudo e vou olhar nos olhos de minha bem-amada como se nunca a tivesse visto antes. É ela, Deus do céu, é ela! Como a encontrei, não sei. Como chegou até aqui, não vi. Mas é ela, eu sei que é ela porque há um rastro de luz quando ela passa; e quando ela me abre os braços eu me crucifico neles banhado em lágrimas de ternura; e sei que mataria friamente quem quer que lhe causasse dano; e gostaria que morrêssemos juntos e fôssemos enterrados de mãos dadas, e nossos olhos indecomponíveis ficassem para sempre abertos mirando muito além das estrelas.

Tudo é expressão. Neste momento, não importa o que eu te diga Voa de mim como uma incontenção de alma ou como um afago.
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Tudo é expressão. Neste momento, não importa o que eu te diga Voa de mim como uma incontenção de alma ou como um afago. Minhas tristezas, minhas alegrias Meus desejos são teus, toma, leva-os contigo! És branca, muito branca E eu sou quase eterno para o teu carinho. Não quero dizer nem que te adoro Nem que tanto me esqueço de ti Quero dizer-te em outras palavras todos os votos de amor jamais sonhados Alóvena, ebaente Puríssima, feita para morrer...

E é então que esqueço de tudo e vou olhar nos olhos de minha bem-amada como se nunca tivesse visto antes. É ela, Deus do céu, é ela! Como a encontrei, não sei. Como chegou até aqui, não vi. Mas é ela, eu sei que é ela porque há um rastro de luz quando ela passa; e quando ela me a…
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E é então que esqueço de tudo e vou olhar nos olhos de minha bem-amada como se nunca tivesse visto antes. É ela, Deus do céu, é ela! Como a encontrei, não sei. Como chegou até aqui, não vi. Mas é ela, eu sei que é ela porque há um rastro de luz quando ela passa; e quando ela me abre os braços eu me crucifico neles banhado em lágrimas de ternura; e sei que mataria friamente quem quer que lhe causasse dano; e gostaria que morrêssemos juntos e fôssemos enterrados de mãos dadas, e nossos olhos indecomponíveis ficassem para sempre abertos mirando muito além das estrelas.

Voltou-se e mirou-a como se fosse pela última vez, como quem repete um gesto imemorialmente irremediável. No íntimo, preferia não tê-lo feito; mas ao chegar à porta sentiu que nada poderia evitar a reincidência daquela cena tantas vezes contada na história do amor, que é história…
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Voltou-se e mirou-a como se fosse pela última vez, como quem repete um gesto imemorialmente irremediável. No íntimo, preferia não tê-lo feito; mas ao chegar à porta sentiu que nada poderia evitar a reincidência daquela cena tantas vezes contada na história do amor, que é história do mundo. Ela o olhava com um olhar intenso, onde existia uma incompreensão e um anelo, como a pedir-lhe, ao mesmo tempo, que não fosse e que não deixasse de ir, por isso que era tudo impossível entre eles. Viu-a assim por um lapso, em sua beleza morena, real mas já se distanciando na penumbra ambiente que era para ele como a luz da memória. Quis emprestar tom natural ao olhar que lhe dava, mas em vão, pois sentia todo o seu ser evaporar-se em direção a ela. Mais tarde lembrar-se-ia não recordar nenhuma cor naquele instante de separação, apesar da lâmpada rosa que sabia estar acesa. Lembrar-se-ia haver-se dito que a ausência de cores é completa em todos os instantes de separação. Seus olhares fulguraram por um instante um contra o outro, depois se acariciaram ternamente e, finalmente, se disseram que não havia nada a fazer. Disse-lhe adeus com doçura, virou-se e cerrou, de golpe, a porta sobre si mesmo numa tentativa de seccionar aqueles dois mundos que eram ele e ela. Mas o brusco movimento de fechar prendera-lhe entre as folhas de madeira o espesso tecido da vida, e ele ficou retido, sem se poder mover do lugar, sentindo o pranto formar-se muito longe em seu íntimo e subir em busca de espaço, como um rio que nasce. Fechou os olhos, tentando adiantar-se à agonia do momento, mas o fato de sabê-la ali ao lado, e dele separada por imperativos categóricos de suas vidas, não lhe dava forças para desprender-se dela. Sabia que era aquela a sua amada, por quem esperara desde sempre e que por muitos anos buscara em cada mulher, na mais terrível e dolorosa busca. Sabia, também, que o primeiro passo que desse colocaria em movimento sua máquina de viver e ele teria, mesmo como um autômato, de sair, andar, fazer coisas, distanciar-se dela cada vez mais, cada vez mais. E no entanto ali estava, a poucos passos, sua forma feminina que não era nenhuma outra forma feminina, mas a dela, a mulher amada, aquela que ele abençoara com os seus beijos e agasalhara nos instantes do amor de seus corpos. Tentou imaginá-la em sua dolorosa mudez, já envolta em seu espaço próprio, perdida em suas cogitações próprias - um ser desligado dele pelo limite existente entre todas as coisas criadas. De súbito, sentindo que ia explodir em lágrimas, correu para a rua e pôs-se a andar sem saber para onde...

Distante o meu amor, se me afigura O amor como um patético tormento Pensar nele é morrer de desventura
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Distante o meu amor, se me afigura O amor como um patético tormento Pensar nele é morrer de desventura Não pensar é matar meu pensamento. Seu mais doce desejo se amargura Todo o instante perdido é um sofrimento Cada beijo lembrado uma tortura Um ciúme do próprio ciumento. E vivemos partindo, ela de mim E eu dela, enquanto breves vão-se os anos Para a grande partida que há no fim De toda a vida e todo o amor humanos: Mas tranqüila ela sabe, e eu sei tranqüilo Que se um fica o outro parte a redimi-lo.

A QUE VEM DE LONGE A minha amada veio de leve A minha amada veio de longe
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A QUE VEM DE LONGE A minha amada veio de leve A minha amada veio de longe A minha amada veio em silêncio Ninguém se iluda. A minha amada veio da treva Surgiu da noite qual dura estrela Sempre que penso no seu martírio Morro de espanto. A minha amada veio impassível Os pés luzindo de luz macia Os alvos braços em cruz abertos Alta e solene. Ao ver-me posto, triste e vazio Num passo rápido a mim chegou-se E com singelo, doce ademane Roçou-me os lábios. Deixei-me preso ao seu rosto grave Preso ao seu riso no entanto ausente Inconsciente de que chorava Sem dar-me conta. Depois senti-lhe o tímido tato Dos lentos dedos tocar-me o peito E as unhas longas se me cravarem Profundamente. Aprisionado num só meneio Ela cobriu-me de seus cabelos E os duros lábios no meu pescoço Pôs-se a sugar-me. Muitas auroras transpareceram Do meu crescente ficar exangue Enquanto a amada suga-me o sangue Que é a luz da vida.

Rancho das flores Vinicius de Moraes com música de J.S.Bach
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Rancho das flores Vinicius de Moraes com música de J.S.Bach da Cantata 147, Jesus, alegria dos homens Entre as prendas com que a natureza Alegrou este mundo onde há tanta tristeza A beleza das flores realça em primeiro lugar É um milagre do aroma florido Mais lindo que todas as graças do céu E até mesmo do mar Olhem bem para a rosa Não há mais formosa É flor dos amantes É rosa-mulher Que em perfume e em nobreza Vem antes do cravo E do lírio e da Hortência E da dália e do bom crisântemo E até mesmo do puro e gentil malmequer E reparem no cravo o escravo da rosa Que é flor mais cheirosa De enfeite sutil E no lírio que causa o delírio da rosa O martírio da alma da rosa Que é a flor mais vaidosa e mais prosa Entre as flores do nosso Brasil Abram alas pra dália garbosa Da cor mais vistosa Do grande jardim da existência das flores Tão cheias de cores gentis E também para a Hortência inocente A flor mais contente No azul do seu corpo macio e feliz Satisfeita da vida Vem a margarida Que é a flor preferida dos que tem paixão E agora é a vez da papoula vermelha A que dá tanto mel pras abelhas E alegra este mundo tão triste No amor que é o meu coração E agora que temos o bom crisântemo Seu nome cantemos em verso e em prosa Porém que não tem a beleza da rosa Que uma rosa não é só uma flor Uma rosa é uma rosa, é uma rosa É a mulher rescendendo de amor

A você, com amor O amor é o murmúrio da terra quando as estrelas se apagam
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A você, com amor O amor é o murmúrio da terra quando as estrelas se apagam e os ventos da aurora vagam no nascimento do dia... O ridente abandono, a rútila alegria dos lábios, da fonte e da onda que arremete do mar... O amor é a memória que o tempo não mata, a canção bem-amada feliz e absurda... E a música inaudível... O silêncio que treme e parece ocupar o coração que freme quando a melodia do canto de um pássaro parece ficar... O amor é Deus em plenitude a infinita medida das dádivas que vêm com o sol e com a chuva seja na montanha seja na planura a chuva que corre e o tesouro armazenado no fim do arco-íris.