As incertezas movem o mundo e fascinam os homens
Frases de Vinícius Dantas
25 frases
Quem não tem medo de amar, não tem medo da morte, não tem medo de nada!
O que Deus faz por nós, está muito além da nossa ingênua capacidade de compreensão!
Putz... cheguei a conclusão de que a burrice é invencível. Foda essa realidade ignorante! =/
"Aqueles que tem dificuldade em amar,é aqueles que precisam ser mais amados"
As vezes sinto saudades do tempo presente
Vivemos em um Estado canibal de nós mesmos!
vira-lata mesmo sem carne, roo o osso —
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vira-lata mesmo sem carne, roo o osso — rosno para mim. mostro os dentes — ninguém encosta. curvo, cavo, te enterro. quebra os dentes, não enche estômago. tutano egóico, só por ser meu.
provocação I (o que você sente quando ninguém está olhando?) quem te ensinou
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provocação I (o que você sente quando ninguém está olhando?) quem te ensinou a fazer charme com o trauma? usar tristeza como perfume, esperar aplauso pelo olhar vazio? te acho linda com raiva, e sinto pena do texto ensaiado de "não sei o que sinto". (cresce um tédio onde deveria haver mistério) me provoca, vai. fala do teu passado ruim, como quem canta uma música pop. (não resistem a uma mulher em ruínas, não é isso que dizem?) teu silêncio chega sempre depois da tragédia, mas nunca antes. e eu finjo que não vejo a performance da lágrima no timing perfeito. (esse seu cinismo manteve a gente em pé.) vem, me escreve um poema como ferida de estimação. me chama de babaca com sotaque de dor. mas lembra: quem se despe demais vira vitrine de si mesmo. teu corpo (e o meu) é palco, tua dor — roteiro. eu, só plateia. o palhaço que aplaude em pé: gostosa.
ode aos mortos brindo-lhes as memórias
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ode aos mortos brindo-lhes as memórias de todos que se foram — fantasmas que habitam meu passado, bebendo minhas lágrimas como vinho barato. aquilo que foi construído seu legado, desmoronado: ruínas que carrego no peito, pedras que nunca viraram pão. momentos únicos, fincados na carne da memória — feridas, sangrando, abertas, como portas que não levam a lugar nenhum. na infinitude do tempo, no deserto da vida, imensidão de areia. enterro ossos, perguntas e vestígios. levanto o copo aos que se foram, mas não estão mais aqui: espectros que bebem meu vinho e deixam o copo vazio. sussurram promessas que não se cumprem, como flores que murcham antes de brotar. que seu jazigo perpétuo lapide o futuro daqueles que morreram em vida — e que eu seja seu fardo mais pesado, um monumento ao não-dito. um brinde a mim: o coração bate, ossos doem, alma seca como um rio que nunca vai ao estuário, arrastando consigo tudo o que sobrou de mim. o legado póstumo deixou um véu de sau-dade e pálidas perguntas, como lápides sem nome em cemitérios esquecidos. a todos que desfalecem, letárgicos amigos: desejo-lhes saúde — a vida, ou, ao menos, um túmulo onde eu também possa descansar... enquanto devoramos a nós mesmos e o tempo nos devora a todos.
lápide de açucar atravessando a rua, fui atravessado. caminhão de sorvete me deixou gelado.
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lápide de açucar atravessando a rua, fui atravessado. caminhão de sorvete me deixou gelado. almíscar e sangue, doce e amargo. rosa, azul e um branco pálido. dançando junto em cima do asfalto, corpo fechado, pé numerado. meu túmulo caramelizado, que jeito melado de morrer. e apesar da dor, virei sabor: sorvete derretido, perdeu o valor. agora sou história, verso travado, epitáfio doce e congelado.
parasitologia I o verme que primeiro roeu as entranhas
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parasitologia I o verme que primeiro roeu as entranhas a saudosa lembrança ficou por aí (assim, sem ponto final, como coisa que não termina) multiplica-se tecidos novos sepse em microgênese da vida à morte fermenta por dentro (o branco das páginas sangrando nas margens) altamente contagioso simbiose desigual infecção lenta necrose mortal ferida aberta na alma descoberta — encoberta a dor desperta e a chaga infesta. (e o silêncio entre os versos é o som do vírus se reproduzindo)
floresta tal qual um herbívoro pastaria, lento,
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floresta tal qual um herbívoro pastaria, lento, nessa relva úmida — beberia orvalho (um doce noturno) até que a floresta toda se desmanchasse em chuva. (e eu, fitófago) ao morder teu broto e inundar-me dela, jamais secarei: porque após a chuva fica entre as folhas o brilho da falta — água que não evapora. mas não há fim para quem bebeu de tua fonte: o gosto que a boca guarda (não se perde) — é eterno como sede. e teu rio, que em mim virava mar brotava até o que não era semente, na boca de outro herbívoro — secou. antes que ele pudesse beber. (risos)
parasitologia II apodrece no ar no contato
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parasitologia II apodrece no ar no contato no palato gangrena a veia o suor escorre em linhas de mapa (geografia da doença) vício viscoso morto? nunca. contamina a todos: reflexo pálido ego frágil escamas brancas restos de micróbios inflamação no espírito, erupção na derme e pus no coração grito calado com olho cerrado véu hum ano e luta por fô le go pulmões, um saco de mel (doce e sufocante)
provocação II (um rascunho de pele) es pa ço
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provocação II (um rascunho de pele) es pa ço entre nós: meu s u s s u r r o (quero te machucar de tão bonita que você é) risca o ar — seco — (risco risos risco risos risco) --- toque? (mentira. só o ar que você roubou do meu pulmão.) (a alça do seu sutiã escapou do ombro por descuido?) --- sumiço? (mentira. só o eco do meu hálito na sua boca fantasma.) (apaguei quatro metáforas aqui: todas mentiam) --- vontade? (verdade e, contra minha vontade, te xingando sem maldade encerro a escrita te deixando na...) reticência.
porta passam velhos, passam jovens,
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porta passam velhos, passam jovens, passam felizes, miseráveis. passa a vida, e ninguém nota. abre, fecha. fechadura seca, chave de carne, pulsa, sangra, expulsa. soleira, solitária. passam mulheres, ciganas, anjos, feias, magras, gordas, felizes, miseráveis. rangem meus pecados nas dobradiças inquestionáveis da velha porta. passo, tropeço, nunca reparo como algo tão simples e ordinário meu batente abre as portas do meu peito trancado. butiquim enfer- rujado agora fecho. maçaneta dura, travada. viro a chave, cerro o quarto. não vem, não vai, não leva, não traz, não volta, não abre mais.
opióide II devaneio sussurrado sufocando
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opióide II devaneio sussurrado sufocando em versos brandos, a morfina das metáforas, delírios brancos. néctar, veneno, remédio insano, êxtase puro em sonho arcano. arpejo mental, torpor visceral, perfuração física — dança letal, remédio e veneno num ciclo final. abre espaço para o vazio silêncio — a aorta dormiu. a vertigem se desfaz em névoa e sombra o que da realidade me separaria antes, ao sangue, se assimilaria. arpejo mental — anestésico de braço aberto: dança pura entre remédio e perfume. e o universo é um cobertor de esquecimento.
provocação II som: esquisito radical que sem
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provocação II som: esquisito radical que sem som bra de — dúvidas te as sombram. pois se existe (?) algo que exista mais que palavras, é som e sombras, perguntas. (essa sua inclinada som brancelha) no teu peito se propagam as mesmas perguntas mas não ressoa o som. e os sons se misturam, ao nada, ao vácuo e as perguntas. e não há nada que possamos fazer. (sobre esse ensom breado em você) absolutamente nada a respeito do som da sombra das perguntas dos por quês. “e se’s?” (e as razões do seu existir?) se perguntar: qual a finalidade de coexistir à realidade? consegue aceitar? que não há verdade? (e todas essas perguntas?) no vácuo adquirir a habilidade, em meio a complexidade, de simplesmente sentir seu som. (e na hora de cantar, desafinar no tom.)
vitoria talvez seja só um reflexo do que nunca alcancei. se um dia te encontrar —
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vitoria talvez seja só um reflexo do que nunca alcancei. se um dia te encontrar — te reconhecerei? havia algo insaciável, a fome me corroía. me entreguei a camas rasas, onde o calor de corpos alheios me deixou de barriga vazia. (será que sua gengiva é mel? ou é puro piche?) procurei no asfalto cinza, nos vidros pretos dos carros brancos. encontrei vestígios dela em lençóis úmidos, bordados em amarelo. segui por caminhos que não prometiam chegadas. repetiam-se em silêncio: cicatrizes que voltam. e o nome permaneceu — nas sombras do tempo, na hipoderme: gravou. sangrou. escorreu. (meu estômago morreu. de fome.)
sangue e lápis asas da liberdade entre linhas
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sangue e lápis asas da liberdade entre linhas algo que poucos podem captar perdi-me e me refiz em refúgio abstrato, disforme. depois que te conheci, ó Poesia, ganhei forma no caos que era meu rosto torto. meu eu-lírico tornou-se meu sangue, meu respirar, meu garfo. dou corpo à dor, a entalho— para que ela encontre o cinzel e ali morra. me dissolvo na escrita; morro no papel para renascer em cada linha. se um dia eu calar, morremos juntos: verso e peito. entre escrever e alívio, escolhi sangrar. quem escreve pra curar continua doente.
opióide III escrevo versos como quem afia pétalas
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opióide III escrevo versos como quem afia pétalas de papoula leitosa sangria sussurando letargia pra folha sinestesia líquida (e a poesia) é o único néctar que nunca intoxica. (reprovado no toxicológico).
parasitologia III corpo febril
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parasitologia III corpo febril toque sutil fado senil riso infantil a noite cresce como micélio nos cantos... (fungos na alma) infecção vai além: raízes infestadas de pústulas negras espalham-se em dermes, roupas retratos amores vermes e o que por elas passam encontram: pus nos cantos pretos e lágrimas no espelho (rindo de nervoso) toxina exótica, instinto apático oxida a carne rasga a pele delira a mente sempre desce — e o tempo escorre como seiva grossa. (devagar enquanto apodrece) pulmão afogado, berros encharcados, sonhos errados em corpos fechados. células morrendo, estradas cedendo, horas tremendo, tempo moendo e nada. (só o ponto final, como tampa de caixão)
retratos passa-se do momento de colocar tudo
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retratos passa-se do momento de colocar tudo que me lembra você na caixa de sapatos e enfiar-te no escuro do meu móvel. só por tempo suficiente para esquecer, esquecer, essas memórias. mais pedras para a coleção fúnebre, cemitério doméstico: rostos pálidos, mortos, gravados nas fotos, vivos, velhos. esperando apenas um olhar. e assim alegrar, transformar e lembrar antes de retornar pro lugar escuro. e relembrar dos tempos, velhos momentos, jogados ao vento. doces lembranças, na caixa velha, suja, podre, que, no dia dezenove de março me trouxe, de dois mil e vinte e cinco. e logo depois, quando eu terminar, só restará o breve instante, perdido no tempo, voltando ao nada, ao não sofrimento. na caixa, esquecimento. sem ninguém pra olhar. e foda-se.
apenas resta a indiferença, silêncio gélido,
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apenas resta a indiferença, silêncio gélido, tem o hábito de atrofiar qualquer traço de compaixão. o rancor, raiva em brasa, tem o dom de rasgar em fúria meu bom senso. o amor, feito saudade, tem o costume de virar poesia e fugir de mim. e eu, sombra e afeto, tenho a sina de me perder em tudo e não sobrar em nada. e você? perdeu algo que nunca teve? ou nunca percebeu que faltava?