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Frases de Vi Cianci

20 frases

⁠Malbec Achava que era tronco; Achava que era árvore;
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⁠Malbec Achava que era tronco; Achava que era árvore; Atestava que era madeira da melhor qualidade. Mas é uva. Doce e macia na Argentina; Na França, dizem que é amarga. No Brasil, é cheiro. Que grudou nas minhas paredes, nos meus lençóis e no meu próprio ar; invadindo os meus pulmões com o absoluto consentimento do meu coração; que aí, então, eu já nem tinha mais a escolha de retornar praquele oxigênio fastil, e ora, bem como se eu quisesse.

⁠Manequim Naturalmente esperançosa Naturalmente desesperançosa
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⁠Manequim Naturalmente esperançosa Naturalmente desesperançosa Lamentavelmente melancólica Pacientemente sem pressa Enganadamente no aguardo Terrificamente dialética Surpreendentemente útil Explicitamente chorosa Densamente tristonha Caladamente gritante Curiosamente forte Vitoriosamente tenra Tardiamente estudando Saudosamente suportando Cuidadosamente ponderando Normalmente arrependendo Milagrosamente adormecida Redencialmente tentando Desesperadamente ansiando Inevitavelmente aqui

⁠Chama o Samu Não sinto, transbordo; não sofro; dilacero. Sangro pelos poros todos mas não dá pra ver. Dá? Quase morri, e tipo Brás Cubas, no primeiro dia pensei em me matar, no segundo virei padre, no terceiro escrevi uma carta pra Marcela... aquela coisa toda. Não sei se ness…
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⁠Chama o Samu Não sinto, transbordo; não sofro; dilacero. Sangro pelos poros todos mas não dá pra ver. Dá? Quase morri, e tipo Brás Cubas, no primeiro dia pensei em me matar, no segundo virei padre, no terceiro escrevi uma carta pra Marcela... aquela coisa toda. Não sei se nessa ordem. Um caos. E referenciando de novo algum brasileiro de alma rasgada: Ei Renato Russo: se minha voz tivesse força igual a imensa dor que sinto, meu grito acordaria não só minha casa, mas uma galáxia inteira.

⁠Inteira Vem pro abate Embate
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⁠Inteira Vem pro abate Embate Qualquer não-querer Não é você Arranca essa força Floresce que de tanto Estufa o concreto Te faz aparecer A vida ali que carrega Mesmo abaixo de uns paralelepípedos Deu certo

⁠AÇÚCAR Sempre quis ir pra fora da curva; Deve ser querer aparecer.
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⁠AÇÚCAR Sempre quis ir pra fora da curva; Deve ser querer aparecer. Eu roteio essa órbita, Eu não quero falar sobre empatia na internet - eu quero ajudar a menina com as malas. Eu não quero apontar caráter - Eu quero ser coerente. Eu não quero sorrir nas fotos - Eu quero sorrir pro gari, pras crianças, pros cachorros, pro meu chefe, pra quem precisa e pra quem não precisa. Noutro dia um moço sentado no chão com um cobertor retalhado gritava no morno da calçada paulistana: "- Hoje é dia 2???? É dia 2???" Eu quero parar, olhar ele nos olhos e dizer: "- Mas eita, JÁ? Não é 1, não? Nossa senhora, moço. Já é dois, mesmo." Assim foi, assim é, assim será. Eu desenho por fora das bordas, Eu quero entender o porquê de vocês gostarem tanto dessa música. Ouve essa aqui também. Eu pego o caminho detrás, Eu quero admirar minhas amigas; tão inteligentes... e quero que conheçam um pouco da minha sensibilidade. Eu ligo os pontos do avesso, Tenho sido linchada, demitida, excluída, vexada e abandonada. Tudo por chorar demais. As pessoas não sabem como se sentir a meu respeito - parece que me amam, me odeiam, tudo junto. Pode ser que eu sou metade amável, metade odiável, mesmo - ou pode ser esse movimento. Odioso que eu faço. Gracioso. Infindável, inerte ou cansativo. Eu começo pelo fim, A gente poder surfar nas afetividades sem o ódio do movimento; Eu como o doce antes, Eu tô tentando mexer o açúcar que tá no fundo. Ajuda aí. Vi Cianci

⁠Collina Tão errada (ou certa demais.), quanto linda Era mais que meu espelho, essa guria
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⁠Collina Tão errada (ou certa demais.), quanto linda Era mais que meu espelho, essa guria Não sabia, e não fazia que sabia. E eu, sabia menos ainda. Do que? Ué, sobre a vida. Por vezes a gente achava que tinha sido esquecida. Por muitas, a gente espalhava rancor e alegria. Li que ao contrário das montanhas, é uma elevação com decline suave, a colina. C O LL I N A É também um nutriente que quando ingerido, faz bem pro coração, exatamente comovocê tem agido no meu e me mantido viva. Esse é um pequeno, simples, confesso e confuso poema em memória de minha amiga sublime, potente e insubstituível, que agora faz parte deste todo ar que respiro, este poema é seu, Priscilla Da Collina.

⁠SEM TÍTULO Ora, pronto. Justo a mim, coube ser eu: um poema sem título!
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⁠SEM TÍTULO Ora, pronto. Justo a mim, coube ser eu: um poema sem título! "SEM TÍTULO!" - já está me retirando algum prêmio sem eu nunca ter ganhado um. Ora, sem título. Sem título não dá direção! Sem título pode ser... qualquer coisa! Qualquer coisa que não tenha título, domínio, vida, cor. Sou sem. Queria ter um título bonito como os outros poemas têm. "Carrossel", e a tratativa seria sobre, o giro da morte. O lento e colorido toque suave da vida em Paris que te mata em praça pública. Quem sabe, "Pégaso", e recitaria sobre um romance onde seus cabelos escuros me lembravam a constelação que meu avô me mostrava enquanto um cheiro doce de bolo quente de cenoura com cobertura açucarada de um chocolate pretíssimo (como era possível aquilo? tal como a constelação, e seus cabelos...) invadia nossos narizes, meu e de meu avô, apontados pra Pégaso. "Sol". E escreveria qualquer besteira quente, laranja, tropical, caribenha com alguma decepção terrífica em alguma parte. "As águas eram tão claras que deu pra ver que tudo era dor." Em "Acetona", eu diria como meus pais removeram todos os meus sonhos de esmaltes coloridos, e é por isso que você nunca vai me ver fora de uma paleta terracota. Em "Plot Twist", declamaríamos que, no início, eu era quase uma crônica e fui morto por meus pais, armados de acetona, que me dissolveu em um poema lírico tenebroso. Mas quando você me coloca SEM TÍTULO, os olhos que me percorrerem jamais vão ter lido sobre a ilusão de Paris, sabido qual constelação meu avô me ensinou, qual era o bolo de minha avó, a cor dos seus cabelos, o que a clareza das águas caribenhas revelavam, qual arma meus pais usaram pra me matar, e qualquer reviravolta minimamente interessante sobre ser crônico-lírico.

⁠Trânsito No Céu No céu também tem caos. Dia desses, observei cerca de 25 passarinhos
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⁠Trânsito No Céu No céu também tem caos. Dia desses, observei cerca de 25 passarinhos disputando árvores e territórios privilegiados. 25. Será que sempre é assim ou se só aquele dia que eu consegui enxergar os passarinhos? Ainda assim, eles resolvem seus problemas cantando. Também notei; Que não é impossível Uma forte flor Estufar o concreto E nascer amarela Mesmo debaixo de todos os paralelepípedos. Será que aquele foi o único dia que de fato olhei para a natureza que invadia meu caminho? E a flor vencendo as mais, literalmente concretas, adversidades. Não tarde percebi que quem invadia o caminho da natureza era eu.