AFINIDADES
[Para a poetisa Florbela Espanca]
Eras a flor... de todas a mais bela!
A poetisa sem sorte e em tua dor,
Viveste toda uma vida sem amor.
Triste e bela, teu nome era Florbela!
Mostraste ao mundo a tua solidão.
Tua mágoa, em lágrimas naufragava,
Teus sonetos, com lirismo encantava.
Só tu sabias como sofria teu coração.
Em tua alma de pássaro encantado,
Vejo muito do que sinto, me espanta
Coisas minhas escritas em tuas linhas.
O amor por ti almejado e sonhado
Em versos declamado me encanta.
- Que afinidades comigo tu tinhas!
Verluci Almeida
080407
PIETÀ
Carinhosamente ela o embala... mas...
Ele já não mais escuta sua cantiga de ninar.
Não vê a lágrima sofrida que cai lentamente.
Não fala e nem sorri ternamente para ela.
Morto...
Alheio ao tempo e ao espaço...
- E ela chora!
Michelângelo retratou no frio mármore
A angústia e a tristeza da Mãe de Deus!
Atônita... ela o segura docemente,
Como para transmitir-lhe seu calor.
Morto...
O Deus-Menino que ela gerou e criou.
- E ela chora!
Verluci Almeida
060407
AURORA BOREAL
Não há distância,
nem tempo e nem espaço.
Existindo o verso,
haverá a poesia
neste mundo de magia.
Rimas se casam,
versos se abraçam.
Pela noite...
só estrelas e luares
em ternos olhares,
poetas enamorados!
O vento sussurra palavras,
qual uma linda sinfonia.
E, de seus versos, em cada linha
simbiose perfeita!
O brilho das estrelas,
em seu olhar traz
a luz que falta fazia.
Nada existirá mais...
Somente os dois, poeta e musa
- unidos numa só poesia!
Por entre vales floridos,
sob um límpido e claro céu,
surge no horizonte
tingido por bela aquarela
um enorme arco-íris.
A primavera, ainda tímida
chegando de mansinho,
entre velhos muros, devagarinho,
de alecrim, canela e jasmim
seu cheiro adocicado traz.
...
e a mais bela aurora boreal
no céu dos enamorados se faz!
Verluci Almeida
221108
À FLOR DA PELE
ouvindo este blues
que arranha minh'alma
sinto saudades...
de coisas que não vivi.
abraço meu joelho
e contemplo a lua
enquanto as estrelas
sorriem para mim.
Verluci Almeida
020409
O POETA E A BORBOLETA
O poeta escreve com a janela aberta.
A borboleta entra pelas venezianas.
Quer observar de perto as filigranas,
Que ele esparrama na página deserta.
Lembranças... fantasias doidivanas,
Suaves e doces sonhos de criança!
Relembra a bela menina de trança,
Que coloria suas horas cotidianas.
Jogos de luz desenhados na folhagem,
Fazem-no esquecer o que ia escrever.
Imagens dela, uma deliciosa miragem!
Fecha os olhos! Sorri... fica sonhando!
O poeta e a borboleta! De enternecer,
É a cena para quem está observando.
Verluci Almeida
261010
De Traças e Lembranças
guardei teus versos
dentro do livro
que se amarelou na estante
anos depois...
quando o procurei
somente as traças sorriram para mim
tuas palavras?
- voaram como pássaros -
nada mais restou daquele imenso amor!
Verluci Almeida
221106
DESEJO
Fiquei ali
naquela noite fria
pensando em ti...
O vinho,
(talvez o culpado)
despertava em mim
um desejo imenso
de tua presença,
de teu sorriso,
de teus abraços,
enquanto na lareira
o fogo crepitava
e uma lágrima furtiva
de meus olhos deslizava.
Verluci Almeida
020611
SEMPRE-LUAS
Porque em noites tristes como esta,
tenho vontade de roubar estrelas e
apanhar um ramo florido da macieira
que exala suave e inebriante perfume.
De meu jardim quero as açucenas,
cravos, lírios, violetas, rosas e jasmins.
Delas farei um ramalhete e te ofertarei
acompanhadas por nossa suave canção.
Juntarei às delicadas sempre-vivas
para que haja sempre-sol em teus dias.
Tua musica preferida e brilhantes estrelas
sejam sempre-luas em tuas noites vazias!
Verluci Almeida
VENTO COR-DE-ROSA
Foi um vento
cor-de-rosa
que passou.
Suave canção
que em minha
memória ficou.
Breve história de amor.
Não houve culpados.
Apenas feridos.
Verluci Almeida
MULHERES
Advogada brilhante
médica competente
alegre balconista
exímia pianista,
eficiente empresária
modelo afamada
elegante aeromoça
culta professora
notável escritora,
sorridente bancária.
Entre todas elas fico
com a triste operária,
que mata um leão por dia
pra sustentar a família.
Dois onibus para o trabalho
almoço pronto às 5 da manhã,
roupas para lavar e passar,
casa para limpar e encerar,
o aluguel atrasado, a lista
escolar, água e luz vencidas,
telefone cortado.
- E o marido?
- Cachaça no bar -
Ela, cansada de batalhar.
- E da vida o que lhe resta?
À noite com o ator da novela
sonhar... e ela dorme feliz!
No sonho é a mais bela atriz.
Verluci Almeida
JANELA
De minha janela
vejo a velha árvore
que chove folhas
amarelo-ouro
quando o vento
abraça seus galhos
enquanto desenho
nuvens azuis
ouvindo o triste
lamento da cigarra.
De minha janela
te procuro nas luas
nas flores do jardim
nos livros, nas canções
nas ondas verdes do mar.
Lembranças soltas
nos poemas que escreveu
no sorriso que deixou
no perfume que ficou
na saudade que restou!
Verluci Almeida
Sou dos que acreditam que a felicidade é possível.
Distribua amor, carinho, ternura, delicadezas, afagos.
Faça pequenas gentilezas. Tente fazer deste nosso
mundo, um mundo melhor! Seja LUZ!! Seja PAZ!
(Verluci Almeida)
LUSCO-FUSCO
Nas últimas luzes do sol
a noite se entrega ao clarão da lua
num céu coalhado de estrelas.
Não sei onde esqueci meus sonhos.
Procuro no álbum de fotografias
os amores felizes que tive
e que no tempo se perderam.
Na cozinha, o suave aroma
do chá de madressilva.
Debruçada à janela,
ouvimos o som de um violão.
- Eu e minha solidão.
Verluci Almeida
Renda-se!
entre rendas e laços
a musica suave...
teu vinho predileto.
teus dedos em meu corpo,
nele escrevendo o mais belo
poema de amor...
Rendo-me!
Verluci Almeida
INTERAÇÃO
é mágico o instante
em que o poeta e o leitor
se encontram numa poesia.
neste momento,
compartilham seus sonhos
em uma catarse colorida.
pisam em nuvens azuis
apanham estrelas
catam vagalumes.
com belas flores
pintam um arco-íris no céu.
é pura magia!
Verluci Almeida
ENCENAÇÃO
coloque um pedaço
de poesia na sua janela.
entregue-lhe a entreaberta rosa,
beije-a com imensa ternura.
com seu mais belo sorriso
acarinhe-a suavemente
deixando-a acreditar
que seu amor é somente dela.
Verluci Almeida
SONHOS
Em que palco da vida se
perdera a minha linda bailarina
que tão famosa seria?
O mundo inteiro viajaria...
a todos eu encantaria
com minha elegância e magia.
Uma famosa Bailarina eu seria!
A dor suportei!
Cai, errei, levantei, não desanimei!
Retornei, ensaiei, acertei.
Acreditei!
Querer, poder ser, ritmo ter...
Enternecer e o mundo conhecer!
Plumas... paêtes... estrelar...
E brilhar!
Uma famosa Bailarina eu seria!
Arabesque, developeé, sauté,
penchée, grand jetés, pas-de-deux,
em meu dicionário... não mais!
- Por quê?
Sonhos!
Os sonhos me dão...
o que a realidade me tira!
Uma famosa Bailarina eu seria!
AFRODITE
Venha amado meu!
Quero despertos os deuses de tua alma
E então provarás iguarias de Afrodite.
Desafio-te... Zeus a me conquistar.
Com o charme de Hermes, devotando-me
de Hades, seu amor fiel.
Deus viril... Apolo eterno...
Seduza-me agora! Em jogos de amor
me envolva ardente Hefesto.
Quero as mais loucas emoções
de Poseidon... e então...
possua-me, incontrolável Ares!
DIA CHUVOSO
Olhando a chuva, minh'alma é pura tristeza.
Uma cantilena que lembra antiga canção,
invade suave e devagarinho o meu coração.
A chuva tece na vidraça linda renda de Veneza.
Tua imagem se faz presente em mim, lentamente,
vejo além da janela teu sorriso lindo e tão amado.
As minhas mãos tristes tocam o vidro gelado,
nele buscando talvez o calor de tua mão ausente.
Mãos que tão suavemente me acariciavam.
Pernas que se entrelaçavam, me aprisionaram.
Olhos onde eu naufragava e me perdia em mim.
Relembro teus beijos que do chão me tiravam.
Teus braços que com sofreguidão me apertaram!
Saudade! Nunca houvera amor tão grande assim.
Verluci Almeida
P.S.
Com este soneto 'Dia Chuvoso', ganhei o primeiro lugar
no 3º Concurso de Poesias da Comunidade "Navegantes
das Estrelas", no ORKUT em março/2006
EU GOSTO DE SER ASSIM...
Adoro flores nos vasos,
ver meu jardim florido
e ouvir pássaros cantando.
Gosto de cuidar de minhas plantas
Adoro beijar... e abraço apertado.
Adoro telas, vasos, cerâmicas
que transbordam em cores alegres,
me deliciando com aquarelas
que me lembram flores e amores.
Não vivo sem coca-cola e chocolate.
Gosto de amizades duradouras
e com elas jogar conversa fora,
sentada no chão ou na grama do jardim,
relembrando fatos passados, rindo muito
de mim mesma e das loucuras que fiz.
Gosto de meus dois lindos filhos,
de minha querida mãe e de minha irmã.
De minhas primas, sobrinhas, tias e tios.
Amo meu amor de adolescente, meu marido
até hoje, que me tolera e não vive sem mim!
- Eu gosto de ser assim!
AUSÊNCIA
A noite se faz quieta.
Nenhum som se ouve.
Da árvore nenhuma folha caiu.
Na varanda iluminada pelo luar
estrelas brilhantes piscam para mim.
No silêncio da madrugada
tento resgatar tua imagem.
Tatuadas em minh'alma
ficaram tuas ansiosas mãos
que ao percorrerem delicadamente
meu corpo, nele escrevias
o mais belo poema de amor.
Procuro teus versos dentro do livro
que se amarelou na estante.
Apenas as traças sorriem para mim...
Nada mais restou daquele imenso amor.
JABUTICABAS
Pomar de minha infância:
Laranjeiras, bananeiras, abacateiro,
Mangueiras, goiabeiras, uvas docinhas.
Um cajueiro e o pessegueiro em flor.
Mas o que eu mais curtia era a jabuticabeira.
Quando florida, prenuncio de doçura no ar,
Enchia de doce expectativa, meu paladar.
Como era bom chupar jabuticabas no pé!
O sabor só pode ser comparado
A esta doce e suave lembrança.
É na jabuticabeira de minha infância,
Que reencontro os meus sonhos...
- Saudade! -
MOTIVOS
e porque penso em ti
todos os dias, a todo momento,
e porque tornas o meu céu
muito mais azul,
- eu te amo!
e porque sinto a brisa
brincando delicadamente,
com meus cabelos longos
enquanto desliza a lágrima,
- eu te amo!
e porque fazes-me ouvir
a canção que vem do mar,
e porque colocas estrelas
em minha escura noite,
- eu te amo!