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Frases de valdenir de lima oliveira

174 frases

Metade Quis me olhar só com um olho E apagar toda a nossa história
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Metade Quis me olhar só com um olho E apagar toda a nossa história Deixando o meu coração Aqui de molho Sempre escravo da ilusão Numa triste trajetória Quis me ver do fim até o começo Rasgando o meu peito E errando sempre O que há de direito Naquele meu endereço Como um rio que erra seu leito Num breve e leve tropeço Quis me olhar só de segunda A sexta-feira Isso se eu fosse na barra funda E ficasse lá a semana inteira Quis me ver só pela metade E quando me olhava Era só de lado Não sei se era medo Dessa verdade Ou pra esconder algum pecado Por dentro eu só tinha felicidade Porque a vida Me obrigava a ter E aquele meu jeito delicado Você era incapaz de ver Corria quando eu estava perto E voltava quando eu estava longe A minha vida parecia um deserto E você parecia que é monge.

Brasileiro Já que a vida ta ai pra viver E cá no Brasil eu cair pra sofrer
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Brasileiro Já que a vida ta ai pra viver E cá no Brasil eu cair pra sofrer Que façam valer Esse meu único direito Enquanto é direito por aqui se viver Já que eu corrir E não posso alcançar Que façam valer Esse meu único direito Enquanto é direito Por aqui se acabar Se isso é a minha sorte Qual serar a minha sina? Serar a morte Em meio a uma chacina? Ou um corte na veia Como se fosse vacina? Já que a vida ta ai pra viver E cá no Brasil eu cair pra morrer Que façam valer Esse meu único direito Enquanto é direito Por aqui padecer Enquanto em mim Ainda existir um peito Que sirva de álibi ao país Quando tudo perder o respeito E ser arrancado pela raiz Mesmo que o rosto Alguém pinta com giz O que fará esse moço Com essa cicatriz Novela ele já não assiste mais Com vergonha Daquela atriz Na mesa já não senta pra almoço E esconde até as suas digitais Com vergonha do que passou E com medo do que vem depois Pois quando quebraram Os seus cristais Quebraram também Os sonhos de nós dois E nem ilusão aqui mais restou.

O Brilho Da Lua Eu vejo uma lua prateada Tão cheia de vida
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O Brilho Da Lua Eu vejo uma lua prateada Tão cheia de vida E bem animada E quando ela brilha Parecem dois faróis Nos olhos da moça Quando estar apaixonada Eu vejo uma lua refletida na louça E dois caracóis Perdidos na trilha Um se aquecendo Com dois lençóis E o outro em forma de colosso Brilhando mais que o dente Daquele cão Quando morde o osso O brilho da lua Não conhece Olhar tristonho Ela brilha mais Que sonho de moço Quando ele vai pra rua E o seu caminho ele tece Dizendo querer sempre mais E assim como um bom caminho O seu brilho a gente merece.

Fadiga Já não dar mais pra seguir A mesma estrada sorrindo
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Fadiga Já não dar mais pra seguir A mesma estrada sorrindo Já não vou mais conseguir Com tanto chão se abrindo Eu já não tenho tantas pernas E nem fé que a vida seja eterna Eu vi tudo que é luz apagar E fiquei perdido no ar E quando olhei pra o lado Nenhuma lanterna Eu vi pra mim clarear A minha vida é uma ciranda Que roda dia e noite sem parar Mais alto fala é quem manda E besta é quem cala E para pra escutar Eu já não tenho o mesmo rojão Que antes eu pensava que tinha Quando acabava a farinha E na mesa faltava o pão Quando infeliz Era o inimigo que vinha E eu mandava pra longe Ir enfrentar a multidão Pra que ela te desse sal e açúcar Pra adoçar a sua vida Ou salgar de vez o seu coração Eu já não tenho a mesma amizade Pra quem me deixou Em pé no portão Questionando a minha igualdade E sobretudo a minha condição Como se eu e você Não fossemos tudo igual Feitos de carne e osso Uma espécie de doce Vindo da mesma fruta E fabricado no mesmo quintal.

Amigo Amigo é jornada Que não se cansa
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Amigo Amigo é jornada Que não se cansa E quando chora na madrugada Tem sempre a mão Que nos alcança Pra nos levantar do chão Quando cair feito criança Amigo nunca perde a esperança É distância que não separa Pois ele estar sempre vivo Em nossa lembrança E mesmo longe ele nos ampara Amigo é a palavra mais certa Uma espécie de abrigo E um sinal de alerta Quando vem a dor de umbigo E a nossa mão ele aperta Amigo é o sentimento mais certo Talvez o mais o puro E também o mais antigo Quando estamos em apuros E quando vem o perigo.

Idílio Como é bom sentir o cheiro Doce de terra molhada
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Idílio Como é bom sentir o cheiro Doce de terra molhada Junto aquele aroma Que vem do canteiro Remetendo a mim Á vida passada Em tudo que um dia Eu já fui o primeiro Junto á aquela beleza De um campo todo florido Onde sempre eu tenho corrido Atrás daquela primavera Que sempre deixava cair A mais linda rosa no chão E como se fosse uma bola Eu pegava e segurava com a mão Como é bom acordar de manhã Ouvindo o cantar dos passarinhos Pra mim já não existe o amanhã Nem outras vidas que mostre Esse mesmo caminho Com aquele aroma do café Que exala sempre Onde você estiver Eu não troco essa vida por nada Nem que eu tenha Que beber de colher Toda a água que vem da chuva Em uma noite de invernada.

Frutos Do Amor O amor é fruto Do que não se furta
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Frutos Do Amor O amor é fruto Do que não se furta É pedra bruta A se lapidar O amor é o fim de toda canceira E também da triste labuta O amor sempre corre da feiticeira E sabe que a luta não é passageira O amor quer sempre acordar E ter você do seu lado Por isso não mede palavras E nem gasta com besteira Com ele não tem demora Por isso já não pode esperar Que tanto sentimento Se perca no ar Virando uma cordilheira E na boca permanecendo calado.

O Velho Indio Sábio Do Rio O velho índio sábio Tantas vezes um homem sério
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O Velho Indio Sábio Do Rio O velho índio sábio Tantas vezes um homem sério Hoje finalmente ele sorriu Pois ele é quem guarda e conhece Todos os segredos E mistérios do rio E como a palma da sua mão Conhece também O profundo vazio Que cerca e invade O seu coração O teu sorriso vivia esquecido Até que um dia ele se abriu Foi como de novo ele ter nascido E tudo que é anjo do jardim saiu Muita história ele tem pra contar Algumas até são de arrepiar O indio sabia de tudo Mas não queria falar Por isso fingia de cego E outras vezes de mudo Pois tinha medo do abismo E de ser jogado no fim do mundo O indio sabia demais De todos os Mistérios E segredos do rio Desde ali até o cais E até dentro do navio O indio conhecia A alma de cada pescador Como quem conhece a cara Que silencia um pecador Ele sabia onde o seu calo apertava E quem te causava essa dor Quem botava a lenha na fogueira E acendia a chama do amor.

Dias Melhores Veio de lá pra cá Como quem vai de cá pra lá
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Dias Melhores Veio de lá pra cá Como quem vai de cá pra lá E quando vem a chuva O vento forte quer decolar Mas tem sempre Aquele tempo bom E cada pedaço ele quer colar Veio de lá pra cá Contando cada passo Parecendo que vinha de longe Mas não queria chegar Não vinha sorrindo E nem vinha cantando Mas sua voz A gente podia escutar Como um rádio de pilha Ligado o dia inteiro Como se tivesse numa ilha E esquecesse de trabalhar A vida assim Ia sempre levando Não era um jogo Mas vinha sempre ganhando Sabia o que queria Só não sabia como chegar Mas nunca perdia a sua fé E sabia sempre esperar Jamais perdia a sua perseverança E com dias melhores Vivia sempre sonhando Veio como quem vai E ficou como se já fosse embora Hoje é ele quem cai E amanhã é você quem chora Veio como se fosse bonito Mas pra ser feio Amanhã não demora Pois beleza não tem infinito Um dia essa feiura chega E por inteira ela te devora.

O Canto Da Sereia Os meus passos Eu deixo na areia
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O Canto Da Sereia Os meus passos Eu deixo na areia Pra que homens devassos Não roubem o canto da sereia Pois a minha presença A eles faz pirraça E quando eles caiem na cachaça Assinam logo a sua sentença Os meus passos Se apagam com o vento Mas não há tempo que apaga Cada passo do meu sentimento Pois a minha marca Eu deixo no chão Mas tudo que eu sinto É guardado no coração Os meus passos Eu deixo no ar Quando eu soubo Em cima da árvore E o vento me joga no mar E quando eu piso Na pedra de mármore Eu vejo o mundo rodar E todo que é riso mudar de lugar Eu me rasgo na cerca de arame Pois sou mais liso do que sabão E quando eu soubo nesse tatame Sempre me jogam de cara no chão.

A Minha Voz No Vento Eu solto a minha voz no vento E deixo ela ser levada pra longe
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A Minha Voz No Vento Eu solto a minha voz no vento E deixo ela ser levada pra longe Pra que ela vá de encontro Ao teu sofrimento Isolados em terra de monge Eu solto a minha voz no vento Como quem solta por ai Algum pensamento Na ponta da lingua Um amor ciumento E de tanto ser assim Muitas vezes até cai Só não morre a míngua Porque tem documento E o amor não é assim Um ser lazarento Quando eu solto A minha voz no vento É como quem dar mil saltos E perde a noção do tempo Na pressa eu já calço Os sapatos Pra dar chute na cara De alguns ratos Quando insistirem No meu encalço E se mesmo assim Eles resistirem No seu pescoço Eu faço um laço Depois amarro e dou um nó E faço isso com um cadarço Pois quando eu solto A minha voz no vento Eu também me revolto E brigo pelo movimento Mas se tu é meu amigo E tem sentimento Eu te dou o meu abraço Pra que faça dele o teu abrigo.

O Nosso Nascimento A luta começa Desde o nosso nascimento
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O Nosso Nascimento A luta começa Desde o nosso nascimento Quando ainda nem temos idade E começa aquele sofrimento Nos sofrendo pra nascer Pra buscar felicidade E lutando pra vencer Pra ser feliz de verdade Mas pra isso acontecer Ainda há muito o que fazer É preciso muito luta Pra ver tudo florescer Muita mãe ainda chora Pra ver seu filho nascer Algumas tão cedo vai embora E não ver o seu filho crescer A nossa luta começa tão cedo E a nossa mãe a gente faz padecer E sem querer a gente Faz a ela tanto medo Pois logo ela se desespera Achando que seu filho Não vai nascer.

Três Caminhos O que não se sonha O que não se vê
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Três Caminhos O que não se sonha O que não se vê O que não se sente O que não se ganha É fogo apagado É mente esquecida Quando não se crê Ou não se pressente Já meio perdida E quase ausente Por estar descontente Não se dar por vencida E vê tudo acabado Entre eu e você, E a vida da gente Não há fogo na palha Nem nó na gravata Pra o corte tem a navalha E pra o calor a camisa é regata Quem não ajuda Também não atrapalha Vem de bermuda Mas não banca o canalha Porque a vida te derruba E te põe numa cangalha A vida te mostra Sempre três caminhos Aquele que é certo Aquele que é perto E aquele que é longe Apenas um caminho Você vai trilhar Escolhendo o caminho mais longo Você demora chegar Mas quando você chega Lhe satisfaz Ao contrário Do caminho mais curto Tão logo você chega Mas a vida te faz voltar Pra buscar o que se escondeu Quando quis trapacear Sem subir nenhuma ladeira E sem ver tudo escurecer Achou que estava a passear E levou tudo na brincadeira A vida é uma escola E te ensina muito bem Corda por corda Como tocar a viola E que a nota de cem Vinda do marajá Vale muito menos Que a nota de dez Que um coração Te dar de esmola A vida te ensina princípios Que nenhum município É capaz de ensinar A vida é um livro de sonhos E quem não seguir Os seus ensinamentos Tão cedo perdarar sua vida E todos os seus sonhos Serão jogados no precipício.

O Frio Da Noite Deixa eu tocar o meu tambor Pra encantar o amor
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O Frio Da Noite Deixa eu tocar o meu tambor Pra encantar o amor E espantar essa dor Que bole e remexe por dentro Acompanhando O tic, tac do despertador Deixa eu tocar o meu tambor Nessa noite fria De coração gelado Quero fazer do seu corpo O meu cobertor Como se a gente fosse namorado Deixa eu tocar o meu tambor Olhando dentro dos seus olhos Pra te mostrar a batalha Travada por um sofredor De mão, braço E perna amarrada Congelado no breu E no frio da madrugada.

O Que Eu Sinto Por Você O que eu sinto por você É muito mais que amor
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O Que Eu Sinto Por Você O que eu sinto por você É muito mais que amor É coisa que eu não sei explicar Mas todo dia me vence E me causa essa dor É sentimento Que vai além do prazer Pois o seu corpo É um doce tormento Uma montanha de desejos Que faz meu corpo estremecer Por você eu ainda perco o juízo Pois de tanto o meu mundo girar Há de me fazer enlouquecer Eu quero estar perto de você Todo dia e toda hora E ja não quero nem saber Se tar certo ou errado E o que for pra ser meu Eu quero é agora Pois o amanhã é distante E ele sempre demora E o meu sorriso pode ter acabado Quando você pegar a estrada E dizer adeus e for embora O que eu sinto por você Não caberia nesse mundo Vai além da amizade É coisa que desconhece A nossa própria humanidade É o fruto mais doce Mais singelo e profundo Você é o carinho E toda honestidade Só você abre o meu caminho E fortalece a minha felicidade.

A Festa Na Serra Hoje a festa é lá no pé da serra Onde bicho e pedra
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A Festa Na Serra Hoje a festa é lá no pé da serra Onde bicho e pedra Também vão dançar Pra cumprir mais um ciclo Que se encerra E o seu corpo há de lançar Sonhos de amor E esperança na terra Juntando o presente Passado e futuro Em meio a tudo O que a gente espera Hoje a festa é lá no pé da serra E quem tem fé Corre pra lá também Vamos ali muito além No balanço que esconde Atrás do seu pé Onde os bichos soltos Com saltos a desimbestar Relembram seus amigos mortos E dessa solidão quer se libertar Hoje a festa é lá no pé da serra Feita especialmente Pra quem não tem pressa A folia faz bem ás pedras Aos bichos e também a gente Pois o amanhã É apenas promessa Talvez uma grande ilusão Ou quem sabe até Uma certa quimera.

Alvedrio Hoje eu acordei Querendo tocar o sol
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Alvedrio Hoje eu acordei Querendo tocar o sol E até duvidei que a minha alma Era quem se escondia Atrás daquele lençol Com tanta calma que se perdia A procura de um só farol Que me service de guia Hoje eu acordei E dei de cara com meu passado Foi tudo tão complicado Mas confesso que não chorei Guardei o que tinha sobrado Pra mim nunca esquecer Daquilo que um dia Tem me feito chorar E um dia por um triz Quase me fez enlouquecer E o giz por incrível que pareca A nossa história Ele também escreveu E tudo tão bem guardado Ficou lá no passado Como se fosse um museu Pra registrar o que passou E mostrar o que se viveu.

Condição Se quiser correr Que seja só pra me ver
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Condição Se quiser correr Que seja só pra me ver Se quiser me prender Que seja no laço Do teu abraço Pra que eu fique De rosto colado E bem grudado em você Se quiser me vencer Que seja com teu amor E se quiser me enlouquecer Tire primeiro essa dor Que fica martelando no peito E vai do meu lado esquerdo Direto ao lado direito Traga pra mim O teu olhar Com aqueles mesmos Olhos de sempre E quando me olhavam Eu arrepiava A sua boca eu logo beijava E do seu corpo eu ficava afim Traga pra mim aquela boca Tão cheia de batom Onde sempre eu me escondia E fazia dela a minha toca Isso é que era alegria E não tinha nada tão bom.

O Jogo Do Amor O amor é um resto de mato Que nasce, cresce e morre
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O Jogo Do Amor O amor é um resto de mato Que nasce, cresce e morre Dentro da gente Porque as vezes Lhe falta quem rega E até o olhar você se esconde E pra ele você nega O amor é um pouco de tudo Guardado no fundo de um baú As vezes ele parece que é mudo E tem a cara pintada de cau O amor parece cegueira Visão perdida com a sua beleza Quando caimos dentro desse fogo Aceso com essa incerteza E as regras que tem esse jogo Queima mais do que a fogueira.

Cabaré Eu sentir um cheiro de cigarro E vinha lá do cabaré
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Cabaré Eu sentir um cheiro de cigarro E vinha lá do cabaré Ouvir também um escarro E era de homem e mulher Eu vi o seu fogo aceso E era tanta fumaça Que parecia uma chaminé A sua boca parecia um vulcão E o seu corpo derrubava Como um furacão Você era um perigo A que se guardava Um certo abrigo Á sua perdição Se ver uma mulher de capuz E uma argola na orelha Faça logo o teu sinal da cruz E corra do mel dessa abelha Se ela fala demais Tape logo os seus ouvidos E também as suas orelhas Seja muito prevenido E esconde até As suas sobrancelhas O cabaré é um canivete Lugar onde se enfeitiça E sai muito pivete A mulher mascla sua língua E o seu bolso também Tudo isso ela faz Sempre por um vintém Como quem mascla um chiclete E deixa morrer á mingua O caberá é a navalha E a mulher é a bebida Chega o homem canalha E a trata como mulher da vida Ali corre sangue E mesmo assim a mulher convida Sempre em gangue E quase não tem despedida De corpo, alma e mente despida Já quase enlouquecida Não dispensa nem a gângster E ainda banca a ensandecida Á querer sempre mais E nunca estar agradecida.

Abutre Você mentiu E dissimulou
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Abutre Você mentiu E dissimulou Nada você sentiu E logo me condenou Querendo cobrar em mim Sempre um bom respeito E logo eu percebi Que isso era o fim Porque há muito tempo você Já havia perdido esse direito De exigir o que nunca deu E tentar ressuscitar em mim Aquilo que nunca morreu Você magoou o meu coração E toda esperança que eu tinha Fez eu perder a ilusão E tudo que lá dentro continha Amassou todos os meus sonhos Como se eles fossem latinha Você passou por cima de mim Como se fosse um caminhão Que recolhe detritos no jardim Pra levar depois ao lixão.

Escachar Ninguém é feliz aqui Por muito tempo
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Escachar Ninguém é feliz aqui Por muito tempo Há sempre uma vida que junta E outra que separa Há sempre uma luz que acende E outra que apaga Ninguém é feliz aqui Por muito tempo Há sempre uma gente que rir E outra gente que chora Há sempre uma saudade a insistir Quando alguém vai embora Ninguém é feliz aqui Por muito tempo Há sempre uma estrada que abre E outra que fecha Há sempre quem joga uma pedra Ou te atira uma flecha Ninguém é feliz aqui Por muito tempo Há sempre quem faz tudo sozinho E aquele que precisa de ajuda Há sempre quem abre o caminho Mas precisa se benzer com arruda.

Casaco Marrom Ainda lembro Daquele casaco marrom
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Casaco Marrom Ainda lembro Daquele casaco marrom Todo em mosaico E sujo de batom E quando eu usava Ficava parecendo um atum Mas todo mundo me aturava E achava aquilo Tudo muito comum Todo mundo queria me ver Como antes nunca se quis Todo mundo via o casaco Como antes nunca se viu Assim fazia essa essa gente Sempre que me vestia Aquele casaco marrom E não queria nem saber Se pra quem sorria tava bom E se o tempo tava quente Ou fazia muito frio Se a estrada era aquela Que já não levava a lugar nenhum.

Anjo Há um anjo em cada um de nós Nos amando por dentro
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Anjo Há um anjo em cada um de nós Nos amando por dentro E por fora também Há um anjo segurando a sua mão Quando o carro vem E você tá na contramão Tem anjo guardando o seu sono E no sonho fazendo presente Alertando de todo perigo Que pode acontecer de repente Há um anjo em tudo que eu vejo Em tudo que eu penso ou desejo Tem anjo até no telhado Segurando vela Durante o seu beijo Tem anjo pelo pão de cada dia E anjo segurando o vento Quando a gente canta a melodia E mexe com teu sentimento Tem anjo até no perfume Que faz eu lembrar de você Mesmo com todo o tormento Quando traz aquele ciúme Tem anjo vagando no ar E nos olhando dia e noite Sem parar Tem anjo voando no mar E se afogando em nossa agonia E com açoite ele sempre vem Aqui prontos pra nos salvar.