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Frases de Tiago landeira

183 frases

Adolescência... Fase dos primeiros arranques.
O mago e a pétala do bem me quer Mago - Pétala do bem me quer, venho a ti porque preciso fazer chover.
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O mago e a pétala do bem me quer Mago - Pétala do bem me quer, venho a ti porque preciso fazer chover. Já consegui o mais difícil pra tal feito. O piano de calda que tive que trazer na cabeça. A fumaça do primeiro cachimbo e lágrimas de anjo que, numa pequena prece, tive que fazê-los, por mim, se compadecer. Não sabe o que tive de dizer. Agora, tendo tudo reunido e prestes a porção finalizar; sei que todo esforço só terá valia se espontaneamente, desta flor pra esta caldeira, você se lançar. Essa chuva vai regar tuas irmãs, tua terra e tudo que conheces... Se eu tivesse que te arrancar você não seria uma pétala que bem me quereria; assim não tenho mais o que justificar. - O que me diz? Pétala do bem me quer - Aprecio seu amor, mas se meu bem quero te dar é aqui onde estou; no mesmo lugar desde quando a ultima chuva me fez brotar. - Vá ali, pegue uma de plástico e o mesmo efeito terá, e ela até poderás arrancar. Mago - Há quase três séculos nascestes; no broto mais novo na última chuva. Teu vigor já está cansado e nunca antes foi renovado. Se perder a tua vida, a chuva será também perdida. A falsa pétala não traria o mesmo resultado, pois se mostra pétala, mas poderia ser apenas um saco. Julgue sua decisão pelo amor. Ele exige o sacrifício e ainda ignora a dor. Ele constrói sonhos com os restos de outros destruídos. Sua conquista não supera as perdas descompensadas. O amor não enxerga com medidas. Ele é um deus voraz por acordar as ilusões. Assim, se este apelo recusar e vida decidir continuar; já terá a si mesma julgado. E, ainda que na flor; sua alma vazia de todo esse amor será. Seca vai murchar e cedo, muito antes de cair, nunca mais sorrirá. De outro modo, se decidir ser lembrança e sacrifício, partirá leve para liberdade de outro sonho. - Pelo amor, perdoada você estará. Pétala do bem me quer - Me convences do amor, sábio mago, e de todo o bem que queres causar. Sou fruto deste rude sentimento e fora dele não posso eu sequer me imaginar. Atiro-me agora a esta caldeira mágica sabendo que todo o meu medo e saudade de apenas pétala ser, são as únicas forças das que agora preciso me libertar. Escolho ser sacrifício sabendo, também, que estas forças são as menos duradouras e as primeiras das quais irei me aliviar. - Escolho ser lembrança, sabendo que da dor nunca irei me lembrar. Mago - Bela pétala do bem me quer; antes mesmo de caíres, a esperança em torno teu renascerá. Tua vida dura hoje e para sempre durará. Nem com tua despedida; partido, de fato, terá. Mesmo o fogo destruidor, quente e aniquilador, com seu toque de pureza, irá se transformar. Lá fora, já vem o grande vento com o benevolente propósito de esta fusão mágica espalhar. Serás para sempre verde, rosas e céu belo em dia aberto ou em noite de luar. - Então, sendo eu, mago em tantas vidas, testemunhava mais um milagre perturbado pela paz exigente de algum sacrifício. Vi a linda pétala de meu bem querer saltar. Senti o amor de toda sua vida e dor brilhantes em seu ultimo olhar.

Naturalidade Digo agora, de novo, todas as palavras já repetidas. Não sou nenhum gênio de fazer o novo se apresentar tão distante do que já tinha em minhas mãos.
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Naturalidade Digo agora, de novo, todas as palavras já repetidas. Não sou nenhum gênio de fazer o novo se apresentar tão distante do que já tinha em minhas mãos. Continuo relevando conflitos pra me sentir confortável e tratando com praticidade as questões que me trazem idade, solidão e alguma lágrima. Mas voltando a falar do novo, receio incluir desta vez a palavra lamento. Lamento sem significar tristeza ou propriamente me sentir lamurioso. Não. Aposto mais na obviedade do sentimento; significando algum desgaste, usurpando alguma atenção, obscurecendo, causando certa náusea, mas simplesmente sendo sentida por estar no transito do caminho agora. Mas lamento sim; as mudanças que freiam, cansaço que subtrai. Coisas que ando sentindo a essa altura da vida que comparo a estar sendo acordado no meio de um sonho bom com aquela voz que de longe vai te chamando a um despertamento. Natural; o barulho faz acordar. Naturalidade, inclusive, talvez seja a palavra mais verdadeira que eu conheça, mais até que “verdade”, que pode ser negada e daí tudo muda de uma hora pra outra. Não se está impune a efeitos de mudanças. Principalmente sendo tudo verdade. Me sinto adequado a qualquer dos adjetivos entre confortável e seguro, quando experimento naturalidade. Piso firme e posso correr. Se escorregar, sei onde vou cair. E vão se dando meus movimentos e direções. Por mais que se ensaie, o que se tem de fazer, no fim, é relaxar e deixar acontecer. Enfim, longe de mim me atrever a dar conselhos sobre a natureza das pessoas ou escrever um livro de auto-ajuda, mas, como são comprimidos gases dentro de uma garrafa pet; todos os meus lados são empurrados tendendo a me esvaziar. Assim falo demais e me atrevo. Pareço estar tratando disso tudo como se tivesse 15 ou 17 anos; mas pouco importa, de fato as razões para pensar melhor onde estou hoje não podem ser ignoradas nem tratadas levianamente seja cedo ou tarde. Confesso que por mais reveladoras sejam as situações; sentindo o peso, travas de segurança e etc.; digo sem cautela que percebo tudo seguindo normal. Não passa de um lado novo que se experimenta. Um calo que se formou. Uma palavra que nasceu de uma tradução global. Coisas que vão se tornando conhecidas, regidas de novas impressões. Loucura em garrafas pet fazendo pressão e deixando todos em alerta de escape. E me parece ser bom reunir tudo numa coleção de traços de maturidade e naturalmente, sentir o meu riso e todas as outras reações fisiológicas dentro da adaptação nova. Ouvir que, “Nada se perde, tudo se transforma”, ou “o homem é um ser social inacabado”, ou ainda, que somos indivíduos em constante transformação; ler sobre evolução dos seres, ou sobre evolução espiritual; seja como for, reconheço o valor de precisar ainda mais entender sobre o que sinto; afinal, mesmo o óbvio precisa ser entendido. Por fim sei que não tem nenhuma novidade no que disse; mas naturalmente sinto que acordei e dei de cara com isso pela primeira vez em toda a minha vida, como frutos no período da safra, na qual os que não chegam a ser colhidos caem de apodrecidos. Naturalidade empurrando sem pedir licença. E eu não lamento nada disso.

Joaquim Maria Azevedo limão mel cana caldo aposta carneiro Brasa coalho João partida dado dinheiro
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Joaquim Maria Azevedo limão mel cana caldo aposta carneiro Brasa coalho João partida dado dinheiro Suzana cafuza lava prato avental farinha paliteiro Chega Chico facão pé quente escarra bigode brejeiro Dança do lado Joana seu macho toca Dedé Tonho sanfoneiro Zé cochila baba madruga na barca pesca robalo inteiro Fiado de novo Santana busca Manél bebo queda levanta ligeiro Seu Joaquim balcão caneta casa no fundo poço terreiro pato cercado galinha poleiro. Reza no quarto Maria seis filho estante retrato santo padroeiro

Sinto... Ansiedade... , peso das letras; gritam sem voz.
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Sinto... Ansiedade... , peso das letras; gritam sem voz. Angústia... Delírio... Cura... , normalidade; equilíbrios na paz... suspiros provados no fôlego esvaído. Calma... Serenidade... Pureza... Leveza... , melodias escorrendo pela janela, pelas escadas. Melancolia... Nostalgia... Simplicidade... Quietude... Ternura... , imaginação revolvida; reinvenções; revoltas; abrigo de muitos quereres. Cólera... Desejo... Vontade... Dúvida... Silêncio...

Sou de mim Alma além dos erros. Distração além do remorso.
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Sou de mim Alma além dos erros. Distração além do remorso. Natureza além da carne. Que os olhos fecho para melhor me perceber. Sou estes dedos além do pensar. Calor além do abraço. Fuga além das marcas. Que me toco e me reconheço. Me encontro além do lugar. No que vejo... No que desejo...

Imediatômico Pensamento A precisão de dizer mesmo as urgências da necessidade.
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Imediatômico Pensamento A precisão de dizer mesmo as urgências da necessidade. Comer; beber; contar. Antes, pensar. Pensar água e copo. Pensar seco e sede. Água se bebe. Copo se enche. Cheio por não transbordar. Pensar o gole, como dormir sem esquecer-se de respirar. Ir longe se vendo de volta. Pensamento Voltas repassando as ordens para acontecimentos. Iniciativas reais, de jura ou de desejo. Pegadas, velozes trilhas e extensos campos abertos estendidos em quilômetros no olhar. Sendo o agora, momento que mais cedo está posto; cobra-me antes, por viver e ser urgente, o pensamento.

Primeira Manhã Lá em cima vai estar lindo... Já me encontra o sol.
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Primeira Manhã Lá em cima vai estar lindo... Já me encontra o sol. Sim, aqui em cima tem a primeira manhã. Espelhando as nuvens por cima. Acordando, antes das palavras, o canto. Trazendo a cor para apagar a luz acendida quando me vejo tarde. Repensar a esperança no significado que chegou. Me sentindo cedo de vontade amanhecida que vem na vida da primeira manhã.

Passos Recebo um espaço pra criar mais de mim. Encontro as quinas, dimensiono as bordas em palmos e imagino o desenho.
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Passos Recebo um espaço pra criar mais de mim. Encontro as quinas, dimensiono as bordas em palmos e imagino o desenho. Mas já no começo do traço chego perto demais de outra idéia e agora, usado já está o espaço. Passado não apaga e sei que logo tenho um novo espaço por instante. Recomeçar é fácil quando tenho apenas que repetir o traço, retomar de onde parei e só seguir por um fim. Traço pensado; palavras nascidas. Imagino o desenho. Passo dado que no contato, já busca o seguinte que pede pelo próximo... Então me encontro percebendo que a ninguém sigo e que sou eu o caminho. A frente só vai à espera de um fim. Já sou outro rumo quando parte o passo dado. Assim o sonho está refeito e a ideia mais próxima é o que de mim está ainda para ser.

Sob o azul Conto sobre o azul por sobre pautas azuis. Enxergo alto, de onde vem a cor do mar e assim falo de lá.
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Sob o azul Conto sobre o azul por sobre pautas azuis. Enxergo alto, de onde vem a cor do mar e assim falo de lá. Se falo do mar, molho meus medos, já o céu me leva com eles esquecidos. Deitado, navego seguro. Firme no meu chão adentro abismos, espumas, vastidão. Mesmo ambos sendo o mesmo; perto de mim está o mar. Mas sempre em meus melhores sonhos, estou a voar.

Circo Nos acordes da sanfona se via as cores da lona do circo... Todo o lugar era como uma pintura bonita em giz de cera.
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Circo Nos acordes da sanfona se via as cores da lona do circo... Todo o lugar era como uma pintura bonita em giz de cera. Remontava uma afinidade antiga de brincadeira. Mágica de dia feliz. Dançava, sendo eu as mesmas cores do acorde da sanfona. Sorria, e era eu as mesmas cores da lona do circo. Brincando de fazer pedido de sonho impossível. Confiante naquelas estrelas estampadas no céu logo acima de mim.

Eu secreto Acorda do nada. Me cala quando me diz...Quando me digo.
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Eu secreto Acorda do nada. Me cala quando me diz...Quando me digo. Estrondo; barulho; ruído. Me ensurdece e surdo escuto essa voz... E me mudo sem fala. Me reconta pra mim. Me sofre. Me conclui versões. Me mato por não duvidar. Árvore sem fruto... Só sombra produz. Nada me enxerga. Nem olhos brilhantes. Existe vivo por não existir em outro; por nunca, nem por acaso, terem me dito.

Jeito de ser feliz . Tem um jeito de ser feliz nas descobertas, como encontrar numa música um achado fantástico como sentiu um dia o explorador que chegou naquela ilha cansada de ser buscada. Ganhar o mundo por pelo menos 5 minutos.
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Jeito de ser feliz . Tem um jeito de ser feliz nas descobertas, como encontrar numa música um achado fantástico como sentiu um dia o explorador que chegou naquela ilha cansada de ser buscada. Ganhar o mundo por pelo menos 5 minutos. Tem o jeito de ser feliz acompanhado, como naquela mesa de café da tarde que sua avó se empolga falando da juventude e você acha tão lindo que não quer que nada interrompa ao ponto de lamentar pela tarde ter fim. O jeito de ser feliz sozinho. Estar com seus botões; se dar bem mesmo depois que o plano A, de ir à praia, foi boicotado pela chuva e já que ficou em casa vai arrumar o quarto ouvindo as músicas que gosta. Quando se percebe está cantando alto com uma ótima disposição gratuita. Tem o jeito previsível e, por isso aguardado, como o regresso pra casa depois de um dia inteiro de trabalho onde as melhores e mais simples coisas estão ali colecionadas e ao alcance; a alegria do seu cachorro; o banho demorado; mais um episódio da série; a receita, o fogão e todos os ingredientes... Tem aquele jeito de ser feliz construído, como uma arte que se aprimora. E você descobre a sua arte, se realiza ao mostrá-la como um carimbo de reconhecimento próprio e entende que pode ir adiante ao seu tempo. Tem o jeito de ser feliz de saudade, como daquele veraneio que se repetiu por anos, tinha o mar todo dia, os primos distantes, as conversas de assombração, picolé na praça e o dia inteiro de sunga. Tem também aquele jeito de se ter felicidade que chega numa explosão de euforia, como acontece logo depois que se aprende a dirigir e no carro da mãe você junta a galera pra sair, ouvindo música alta e rindo com pouco. Todo mundo fala alto sem se incomodar e a parece que a liberdade nunca esteve tão perto. Tem o jeito suave de se ter felicidade, como adormecer na rede da varanda refrescado pela brisa que trás sonhos levemente alaranjados vindos da pouca luz do entardecer. Tem aquele jeito de se ter felicidade que com o tempo se torna comum, mas ninguém quer que se acabe nunca, como quando o trabalho que se faz é um prazer diário e dá muito mais sentido e segurança sobre o que se é. Tem o jeito de ser feliz vindouro; chega num futuro bom, como descobrir que aquele seu conhecido “joga no mesmo time” que o seu e por isso passam a freqüentar muito mais a vida um do outro ao ponto de serem amigos. Tem ainda o jeito de arriscar a felicidade, como quando vemos em alguém uma aproximação que tem as melhores chances de amor e brincar com o destino se vendo mais forte pra tentar tudo de novo. Pensando nisso tudo, penso em ter mais atenção na ordinária vida. Pode ser até só o que se precisa.

Com ciência Preciso frear o carro. Chegou o momento de falar com você.
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Com ciência Preciso frear o carro. Chegou o momento de falar com você. Só a consciência é quem vai seguir agora. Vamos sair daqui dessa roupa. Crus. Só assim que se pode lembrar o vento. Como vai tocar meu corpo? (Havia esquecido essa intimidade). Bem, pergunto pra minha inteligência estúpida, carente da atenção dos livros depois. Agora te vejo meu eu que nunca nasceu, mas que sempre foi o miolo da coisa toda. Venha pra fora! Saia do seu átrio! O mundo é só um cômodo. O nascimento acontece uma vez da mesma forma que cada idade. Ambos são puramente descobertas. Vai ter de tocar nelas e às vezes vai sangrar. Venha aprender a julgar o belo. Partir corações, Discordar dos pais, e brigar com os amigos. Nessas horas o amor cuida de você. É preciso existir e não se preocupe; você não será percebido. Apenas pelas árvores do passeio e pela grama pisada. Vão te olhar e ver uma máscara, estará bem disfarçado de si mesmo. Você vai gostar, só não se acostume a gostar; lembre que não dá pra voltar quando a coisa toda começa. Vai ter que ver o fim acontecendo e pode causar certo incômodo. Melhor ser cauteloso. Praticamente é sempre assim: Subida. Tempo gera experiência e experiência eleva sempre. Oxigênio, por motivos óbvios. E água, muita água. 1litro e ½ ao dia no mínimo. O resto também tem de sobra. Supérfluo não falta lá fora. Ah... Posso procurar em algumas gavetas, são elas que guardam os segredos. Deve ter algum método guia esquecido pra te ajudar. Vou precisar ascender a luz. Dói, mas é só apertar um pouco os olhos e a vista vai acostumar. Nossa! Quantos brinquedos egoístas colecionados com devoção, eu bem devia saber que aqui estaria propício a isso mesmo, mas também sei que não se vence a surpresa quando ela vem. Pelo menos gostei daquele ali, o palhaço traído de riso gratuito. Dentro do cômodo entupido de tantos anos passados; Parede, chão e teto são o que mais se tem de cansado. Ali só a janela se renova e é isso que você nunca entendeu. Mas é porque vem de fora pra dentro. Logo tudo estará esclarecido. Vê-se o mundo, mas não dá vontade de sair eu sei. No começo é assim. Mas as suas lembranças estão lá viajando e rápido. Só passando sempre. Sua história também está por lá e infelizmente vai precisar de ambas. Não se existe sem a própria história e lembranças. Infelizmente não encontrei o guia, mas lembro que lá dizia pra deixar tudo rolar. Ou será que escutei alguém dizer isso? Enfim... De qualquer forma, assim tenho feito algumas vezes e acredito que valeria pra você também. E quando acontecer alguma coisa procure só assistir. Participar quase sempre é mais caro e nem sempre compensa. Enquanto não souber avaliar, assista. Não se pode desperdiçar quando não se sabe o que tem. E sim. Vai ter sempre de esperar tudo; tanto a vez, quanto a véspera. Engraçado nunca foi, mas dá pra achar a graça de repente. Partir sempre obriga carregar muito e perder algo. Nada que impeça de atravessar os lados. Vamos hoje, te acompanharei até na solidão. Vamos hoje, mesmo eu não tendo dormido direito. Não estou reclamando, mas desculpe se me tornar um pouco ausente pelo cansaço de algum momento; além do mais, o pensamento me chama a atenção pras coisas de lá do lado de fora. Uma última coisa; grita! Dança! E corre sempre que puder; é um bom sinal pra encontrar seu rumo. Não se vai apenas caminhando e pra tudo isso também existe estrada. Segue, segue e segue mesmo que lhe falte a sorte. Lembro bem que veio dela todo o motivo da tristeza do nosso palhaço traído. Ainda assim ele nunca deixou de sorrir. Penso que a felicidade dispensa a sorte. Ela é dona de si e voa livre. Tive que aprender isso antes de vir aqui te buscar.

Rio cor de rosa Meu ritmo espera. De uma vez chega tua alma em repetições, se vendo passados, repassando passos. Se vendo castigo.
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Rio cor de rosa Meu ritmo espera. De uma vez chega tua alma em repetições, se vendo passados, repassando passos. Se vendo castigo. Entre tuas sombras a cor da tua vida se altera e me acelera em teu interior. Corro sobre teu rastro de manchas. Riacho de rosas. Um choro desaguando um turbulento rio. Teu ritmo é luta entre os teus equilíbrios. Faz de você, ao meio, pura batalha. Teu ritmo é mudança. Te reconheces aos poucos sempre que acordas. Mudas. Descanso é acordar o avesso. Despertar o outro lado de onde te encaras pesadelos. Sendo descanso mais um desejo de, a si mesmo, não ver. Vive outro sonho a tua realidade. Reconhecido por tuas entidades, te ergues lado a lado montando paredes. Tua prisão. Tuas faces. Tuas vezes. São loucuras e se mostram você condenado por elas. Medo, recalque, repressão. Nem a morte é uma ameaça. O que sou é minha própria ameaça quando decido se amo mais a mim ou o meu apego. Me enganam todas as falas do ego. Assim vejo nascer o dia. Caminho revelado entre espinhos. Vigilância incansável do espelho. Doer um riso que não convence primeiro a mim. Levar as culpas para o sonho. Ofender a paz nas mãos de alguma ilusão. E me descubro adormecido perto de um louco com o mesmo nome que o meu. Eu era sonho. Desconstrução urgente do meu mundo. Por mim mesmo, só respirava. Todo o resto era você. Perdido no teu olho existo mudo esperando ouvir resposta. Tendo a única fonte. Teu rio.

Fofoca filosófica. “Ao que tem de ti em mim, serei atento. E ao que não tem, serei ainda mais atento.” Refazer os caminhos de longe. “Pergaminhar” os territórios.
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Fofoca filosófica. “Ao que tem de ti em mim, serei atento. E ao que não tem, serei ainda mais atento.” Refazer os caminhos de longe. “Pergaminhar” os territórios. Seguir com o olho a costa do outro enquanto vai. Reparar a vida alheia mostra o quanto estamos vivos. Veja uma vila em pleno qualquer dia. Chega o fim da tarde entre os portões que se avizinham. Girar a voz perto, dentro da roda formada. - O vestido dela tem as cores do brinco de Estela. - Julgo o Nino não ser o mesmo como outrora tenha sido. - Repare que as pessoas juntas são a mesma em tempos diferentes. Concordam no tocante da conversa e cantam risadas na prosa. Discorre-se a pauta que, por conta, conta os casos mais que as contas do rosário esquecidas, mas firmemente seguradas entre as mãos, como em pleno qualquer dia...

Olhos apagados Está escuro aqui. Está escuro e silencioso.
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Olhos apagados Está escuro aqui. Está escuro e silencioso. Medo nas mãos; nos dedos. Receio de tocar. Faz-se um barulho cego. Sob o domínio de fobias, abre-se a porta do imaginário. Vendo o que não se apresenta, o escuro é uma fera de garras recolhidas. Uma massa negra de ouvir gritar de dentro a própria voz: - Condenada, não morre a alma.