Intuir é algo que nos eleva, não para um estado superior, mas para uma antecipação do que virá - seja felicidade ou dor.
Frases de Tere Tavares
159 frases
Pobres seres humanos que pouco entendem do espaço entre amar e ser próximo do amor, que são ambos a mesma e nobre vida a nascer indefinidamente.
Uma pétala sozinha não seria nada. Entende o conjunto e chegarás aonde precisas chegar com o secreto benefício de desfrutar do tempo que te borda as bordas e te colore de verde. Compreende. Ser folha é o mesmo que ser rosa e gotas e sol e lua e universo e cosmo e galáxia – logo…
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Uma pétala sozinha não seria nada. Entende o conjunto e chegarás aonde precisas chegar com o secreto benefício de desfrutar do tempo que te borda as bordas e te colore de verde. Compreende. Ser folha é o mesmo que ser rosa e gotas e sol e lua e universo e cosmo e galáxia – logos. Dorme agora. Que o amanhã é ignorar-se dele. Sem deixar de esperá-lo.
Afinal, o que é o tempo para o tempo? Nada.
A solidão nasce quando nascemos. E, com ela, temos que conviver toda uma vida. Quer estejamos acompanhados ou não, por alguém, algo, qualquer coisa. A melhor companhia é estar só, que é como somos; irredutivelmente sós. A solidão traz a vida consigo, mas há que saber rodeá-la co…
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A solidão nasce quando nascemos. E, com ela, temos que conviver toda uma vida. Quer estejamos acompanhados ou não, por alguém, algo, qualquer coisa. A melhor companhia é estar só, que é como somos; irredutivelmente sós. A solidão traz a vida consigo, mas há que saber rodeá-la com os enfeites da alma.
Uma borboleta amarela vigiava as flores de romã - os frutos amadureciam invariavelmente em dezembro.
Via o vulto límpido da realidade se abrir lentamente. A morte é apenas uma linha que se precisa atravessar, o silêncio depois que a respiração cessa. Nada se pronunciava que não viesse eternizar o que havia em si de venerável. Mateve-se curioso. Não perdeu a capacidade de encont…
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Via o vulto límpido da realidade se abrir lentamente. A morte é apenas uma linha que se precisa atravessar, o silêncio depois que a respiração cessa. Nada se pronunciava que não viesse eternizar o que havia em si de venerável. Mateve-se curioso. Não perdeu a capacidade de encontrar motivos.
"Sinto-me um mero transeunte do Tempo – acho o Tempo uma invenção. Chamaram a esse vácuo desconhecido de Tempo assim como chamaram de Deus ao resto do vácuo que restou. Para mim, é desse vácuo que se desprende algum amparo, toda minha experimentação. Eu resisto a tudo. Menos à…
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"Sinto-me um mero transeunte do Tempo – acho o Tempo uma invenção. Chamaram a esse vácuo desconhecido de Tempo assim como chamaram de Deus ao resto do vácuo que restou. Para mim, é desse vácuo que se desprende algum amparo, toda minha experimentação. Eu resisto a tudo. Menos à amada que, infelizmente, não é minha”. Aníbal não perde de ver-se, mesmo depois de um longo e imotivado intervalo. Nada faz com que desmorone a construção que fez de Rosália. [não recorda qual foi o inaugural elemento de que se serviu para isso, e isso não o perturba, nem lhe importa]. Rosália ser-lhe-á, por toda a vida, a alma diurna e feliz de que jamais se apartará por sentir-se inteiramente composto dentro dela. De antes ou depois de todas as dimensões. Aníbal. A licitude dos olhos.
Não tenho o mar nos olhos, mas tenho os olhos no infinito.
É imperioso reordenar a agudeza da fala, a fecundidade do silêncio.
Há coisas que permanecem, para sempre, inexplicáveis. Como só o silêncio fundo e palpitante dos rios.
Escreva. Esse é o jeito soberano de ler a si mesmo e ouvir o mundo.
Não há como distanciar-se do caos que nos incita à criatividade. Ludibriemos a máquina, a impostura do algoritmo. Sejamos a nossa própria Arquitetura.
Desabrochar é um vício necessário. Do espírito.
Esses nódulos espalhados pelo corpo, das palmas das mãos à planta dos pés, esses que com o mínimo pronunciamento reavivam-se, recidivos, são todos os nãos que deixaram e deixam de serem ditos. São esses nódulos que, irremediável e invisivelmente, nos curam. Só quando atravessamo…
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Esses nódulos espalhados pelo corpo, das palmas das mãos à planta dos pés, esses que com o mínimo pronunciamento reavivam-se, recidivos, são todos os nãos que deixaram e deixam de serem ditos. São esses nódulos que, irremediável e invisivelmente, nos curam. Só quando atravessamos o negrume estamos prontos para abraçar a claridade. O tempo humano não é o mesmo de Deus.
Literatura é, sobretudo, encontro.
É na rotina que se obtém o atestado da dedicação pura.
A cada avanço há probabilidades de vacilar vencer ou sucumbir. Ter segurança em si mesmo significa saber disso e, mesmo assim, continuar o percurso ainda que com velhos chinelos.
São os riscos e as emboscadas que aguçam os sentidos. Goza o instante. Porque nada volta nem retorna.
Vinha. Aprecias o meu talhe? Segue a linha das pestanas. Repousa tua notabilidade na fronte. Surge em minha íris. Mancha-me os cílios e as sobrancelhas com teu enobrecido sossego. Deixa-me a centelha desse léxico inespecífico que novamente me cora e quase me descolore. Estende s…
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Vinha. Aprecias o meu talhe? Segue a linha das pestanas. Repousa tua notabilidade na fronte. Surge em minha íris. Mancha-me os cílios e as sobrancelhas com teu enobrecido sossego. Deixa-me a centelha desse léxico inespecífico que novamente me cora e quase me descolore. Estende sobre a uva que pende ao lado o abraço vigoroso dos vinhedos o negrume inigualável dos meus cabelos longos e lânguidos e lúbricos. Faz-me ser o líquido alinhavado nessas quase folhas de ti – nenhum. Esconde e acarinha o furor desse espécime único faz-me debrum – porque só tu me sabes à distância da luz. Diário dos inícios.
Credo nei fiori anche quando non c'è primavera. Sento tutto il mondo in un fiore, tutta l'umanità in un'anima.
Uma guerra em que não se ouve estrondos de bombas ou disparos de armamentos pesados. Mas das assustadoras sirenes das ambulâncias. O esquecimento engole velozmente a sucessão das mortes. As estrelas são as estatísticas. O silêncio pesa em todos os espaços. Sem passos o ser humano…
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Uma guerra em que não se ouve estrondos de bombas ou disparos de armamentos pesados. Mas das assustadoras sirenes das ambulâncias. O esquecimento engole velozmente a sucessão das mortes. As estrelas são as estatísticas. O silêncio pesa em todos os espaços. Sem passos o ser humano obriga-se a deter-se de forma inimaginável ante a sua natureza. Via dolorosa. Lumes vagam na escuridão narrada prolixamente. Extraio o sumo. Sumindo. Numa não soma. Vejo sobre a areia restos de festas. Do mar retorcido pela aridez cresce uma voz de fúria. Da profundez da Terra um organismo invisível avança multiplicando-se exponencialmente. Ninguém percebe seus sintomas. Sua necessidade de instalar-se e manter-se vivo. Toda a humanidade é punida. Haverá maior consciência enquanto se fala tanto em resiliência? A Terra necessita renascer. E age certo por vias holísticas e desconhecidas.
É na tinta e na tela e no papel e na palavra que destruo a nostalgia e alargo os olhares. É essa mãe chamada Arte que me rouba o tempo de chorar.
Creio nas flores mesmo quando não há primavera. Sinto o mundo todo numa flor, toda a humanidade numa alma.