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Frases de tadeumemoria

822 frases

TRAUMAS Tinha pesadelos nas noites; ouvia arrastados de correntes, gemidos, o estalar de chicotes... levantava-se aturdido, corria até o rio e mergulhava. O guandú também era assustador, conduzia ‘presuntos,’ era uma espécie de faxineiro, de uma sociedade suja e implacavel; mas…
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TRAUMAS Tinha pesadelos nas noites; ouvia arrastados de correntes, gemidos, o estalar de chicotes... levantava-se aturdido, corria até o rio e mergulhava. O guandú também era assustador, conduzia ‘presuntos,’ era uma espécie de faxineiro, de uma sociedade suja e implacavel; mas no firmamento tinha o brilho da “rainha”, batizara assim aquela estrela mais brilhante; e rezava com as mãos estendidas em sua direção: “salve rainha, mãe de misericórdia, vida doçura, esperança nossa...” Tinha a pele da cor da noite, e aquilo às vezes, ou quase sempre, era um obstáculo até para as coisas mais simples, como conseguir um emprego; mas, herdara aquele terreno da vó Nancy e cultivava uma pequena horta; vivia relativamente bem, claro que com bastante esforço e trabalho. Vó Nancy mencionara várias vezes o sofrimento de seus antepassados, sabia que de alguma forma, seus pesadelos tinham algo a ver com aquilo; sabia que sua bisavó benedita tinha sido escrava, abusada pelo seu amo, tinha dado a luz a um menino louro dos olhos azuis, Atílio, de quem herdara o nome, que no seu primeiro ano de vida foi tirado da mãe. Devia esquecer seus traumas, devia deixar tudo isso no passado, mas nos seus pesadelos, encontrava-se sempre fugindo pelos matos, caçado impiedosamente por cães farejadores que latiam ferozes. Como fugir disso? Eram frequentes os pesadelos, Maria isabel vinha ao seu encontro com o lampião na mão, preocupada com suas saidas repentinas no meio da madrugada, na volta do rio que ficava a menos de cem metros, então iam lá no fundo do quintal, onde tinha uma capelinha e faziam uma oraçao pra santa Anastácia, a partir de então, a noite transcorria tranquila. Na manhã seguinte, até chegava a achar graça das piadas que os vizinhos faziam; mencionavam um lobisomem na beira do rio a banhar-se, ou um escravo em fuga pra algum quilombo; seu rufino afirmava que no casarão malassombrado funcionava na época da escravidão, um quilombo, grupo de escravos fugitivos e rebeldes. Atílio já tinha estado ali e sentira um certa energia, algo de extranatural, queria voltar novamente mas não tinha coragem de ir sozinho; na noite do último pesadelo fizera uma promessa a santa Anastácia se não mais tivesse aqueles pesadelos... Na tarde do dia seguinte reuniu alguns moradores e fizeram orações no casarão, acenderam uma vela de sete dias, as noites transcorreram tranquilas, a partir de então, mas na quarta noite acordou sobressaltado com gritos, levantou-se e percebeu que o casarão pegava fogo, alguns moradores já tentavam em vão debelar as chamas, se juntou a eles mas, por si só as chamas já estavam apagando; algumas paredes já tinham caido. Hoje funciona ali uma pequena capela de santa Anastácia onde realizam-se novenas. Nunca mais pesadelos, Atílio ainda percebe, assim quase como uma visão do que se passou há muito tempo, negros na noite, uns correm, outros jogam capoeira, uns banham-se no rio, tem uma cantoria...suas culturas, suas religiões. Atílio cuida da horta e agora também do milharal, nunca mais pesadelos e quase nenhum tempo para traumas.

EPÍSTOLA APOCALÍPTICA SOBRE ESSA BOLHA DE OCEANOS Não fosse eu um corpo etéreo, um alien grafite, Na nebulosa; labirinto intracelular cósmico,
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EPÍSTOLA APOCALÍPTICA SOBRE ESSA BOLHA DE OCEANOS Não fosse eu um corpo etéreo, um alien grafite, Na nebulosa; labirinto intracelular cósmico, Um vírus, um bacilo no azul marinho gasoso Da inviável via láctea, efêmera vaidade, Desfilando colar de constelações E jogando poeira de estrelas nos nossos bolsos... O terror cósmico dessa solidão intergalática, Trazendo auroras boreais De tempestades solar apocalípticas... Rebelde sagitário se dilui na acidez sideral E júpiter se avoluma em gases, aqui no meu quintal... Atormenta-me a fobia de te ver na esquina, pefil frágil e andrógino, Túnica lilás, bastão incandescente e cabelos de ouro, Cantando “chuva púrpura” profetizando um armagedom, Fazendo-me imaginar, Praga, New York e Belford Roxo, roxas de melancolia Solidão e medo da alcaida, E possíveis ataques norte-coreanos... Mas não é isso que me leva a consultar O zodíaco e previsões climáticas, Que me fazem supor catástrofes e cataclismas Sobre a caatinga esparsa e escaldante De Jericoacoara e quixeramobim... Se eu não fosse essa lua de insegurança, E assimilasse ensinamentos de epístolas, salmos E o sermão da montanha... Mas sou apenas um cervo feérico, numa floresta primitiva, Contemplando estrelas sob a noite eterna Há mil anos luz de um dinossauro, Tentando entender a ternura débil e insana de um t-rex Estudando a sua caça e farejando sangue Percebo que o que me sustenta sobre esta esfera, Sobre esta bolha de oceanos, Que viaja trágica e inconsequente, Entre meteoros, meteoritos e cometas reluzentes, Na harmonia do sistema planetário E no descompasso de moléculas de hidrogênio e oxigênio Realizando o milagre da vida... Ainda é essa eterna e inexplicável força estranha...

BICHO FAMINTO Já é tão tarde E ainda assim,
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BICHO FAMINTO Já é tão tarde E ainda assim, A noite continua... A lua ferve em mim Como se fosse um sonrisal Neste copo de mágoas... Queria entender O teu sorriso-monalisa, Tão despido de vida... Da Vince daria Vinte mii tonalidades A essa surrealidade, Então eu veria a beleza Onde só tem arte... Já é tão tarde E a noite não perdeu o seu cinza E esta agonia bate Com golpes de um ninja Que se esconde nas sombras Das noites e das desilusões Devo seguir meus sentimentos E meus instintos Como um bicho faminto Que a lua conduz...

AMORES E PAIXÕES Tenho visto tanta dor em seus olhos... Essas divas que semeiam os campos,
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AMORES E PAIXÕES Tenho visto tanta dor em seus olhos... Essas divas que semeiam os campos, Que passeiam nas praias, Que enfeitam jardins, Que paqueram vitrines, Que colorem as tardes... As Mulheres são divas vindas do espaços, Dalguma estrela de diamantes... Donde herdaram tanta luz, Seres divinos de algum paraíso, enviadas por Deus Para fazer-nos felizes Tenho visto tanta dor em seus olhos... Enteadas da solidão, nas cozinhas da vida, Nas varandas dos sonhos, Dos desejos de amantes e de esposas, de filhas e de mães... Tenho visto tanta dor em seus olhos E esses olhares perdidos nos horizontes, Num crepúsculo, no vazio de suas introspecções, Preocupações e angústias por filhos e filhas, Por maridos, namorados, pelos seus homens, tenho visto tanta dor em seus olhos, por amores e paixões...

DEL CASTILHO Havia um sofá... Um “so far” na proximidade
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DEL CASTILHO Havia um sofá... Um “so far” na proximidade Da intransponível solitude... O toc-toc da Olivetti ou da remington Para minha inspiração E uma corda imaginária no teto Para minha solidão... Havia horas para se empacotar a vida E fazer pilhas de paciência... O gotejar incessante de alguma torneira No mais profundo silencio, Passos pelas dependências da minha ansiedade Fantasmas de mil purgatórios... Havia o telefone para confidências De paixões inadimíssiveis Durante a madrugada... Havia o corredor que conduzia `suburbana Sangrenta e insaciável... Havia a igrejinha onde remiam nossos pecados A nova América que vestia o nosso país E um viaduto para problemas sem solução...

ALARDE Alguns poemas sorriam, outros se armavam de facas,
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ALARDE Alguns poemas sorriam, outros se armavam de facas, alguns traziam flores outroa traziam brasas em papel veludo com laços vermelhos alguns me cumprimentavam outros me humilhavam e me punham de joelhos alguns me traziam namoradas e as despiam na cama outos me jogavam na lama e me tornavam a piada alguns faziam a neblina no final da tarde, outros faziam carnificina sem nenhum alarde....

Linda ilusão Dolorosa paixão Por que me abandonou
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Linda ilusão Dolorosa paixão Por que me abandonou se era linda a ilusão a falar dessa coisa infinda? hoje fico a sonhar com o que não me restou e deliro com o prazer do passado te vejo a caminhar sobre o meu coração governando o meu país comandando a nação me fazendo feliz... lindo era o raiar do dia teu corpo era o horizonte onde a lua se punha por onde o sol se erguia a fonte desta energia hoje fico a sonhar sem nenhuma ilusão não tenho força, não tenho músculos o horizonte sou eu mesmo, sou eu esmo o crepúsculo...

POTE DE OURO As flores do campo são tuas... Põe o girassol na manhã
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POTE DE OURO As flores do campo são tuas... Põe o girassol na manhã Virado para o leste As rosas vermelhas, põe no teu quarto São as paixões que desconheceste... Põe um siamês na tua janela... Os gatos são adornos E mistérios indecifráveis... Põe um cachorro na tua sala, O cachorro é um amigo leal... Arma a tua rede em firmes paredes, provém tua moringa, teus potes... Cultiva tuas plantações... Alimenta tuas criações... E no final da tarde, depois da neblina, Quando o arco-íris cair sobre o vale, Teu pote de ouro já estará guardado...

A NÉVOA Às vezes libertam-me da camisa de força E eu esqueço a forca,
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A NÉVOA Às vezes libertam-me da camisa de força E eu esqueço a forca, Esqueço a corda pendurada, Escrevo as emoções Que certamente não são só minhas ... Rufino comeu a empregada... Rufino comeu a empregada... Rufino comeu a empregada... Então chegam os azuizinhos com a injeção, Chamam de sossega leão... Rufino comeu... Rufino comeu... Rufino comeu... Vem a névoa, uma sonolência... Deus ostenta um estetoscópio Todos lhe obedecem, Não vejo Santíssima Maria... Pela manhã a algazarra, Alguém “caiu”da escada, Alguém não acordará nunca mais... Meu caderno ainda está sob o colchão, Meu coração está em transição... Tenho uma certa taquicardia , Mas sem a camisa eu escrevo... Sempre soube que era um pouco louco, Mas, filósofos dizem que o louco Sabe de tudo, só não sabe disso. Às vezes temo nunca mais acordar... Às vezes temo Rufino... Rufino comeu a empregada... Rufino comeu a empregada... Não suportava mais sopas de legumes.

TOQUES Quantas vezes disse que era pra sempre, sempre querendo entender o amor no olhar,
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TOQUES Quantas vezes disse que era pra sempre, sempre querendo entender o amor no olhar, a tarde na praça, as nuvens no cume, a criança no ancião... sempre jurei pelos morcegos do final da tarde, pelas cigarras no fim do verão, apostando bombons de chocolates por beijos, o amor se faz perene por desejos e sorrisos, por toques e olhares, por qualquer fato que valha uma exclamação... devo seguir, acreditando na brisa do final da tarde nas flores da primavera, nas histórias, que seguiram cursos diferentes... o amor continua na lua, em algo reminiscente um perfume, um olhar insistente... Quantas vezes disse que era pra sempre... tantas vezes disse que era pra sempre, sempre nas minhas introspecções...

NÃO SE APAIXONE A essência da vida é isso... agora fique de quatro,
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NÃO SE APAIXONE A essência da vida é isso... agora fique de quatro, e de quatro em quatro segundo se contenha e não diga que me ama, não respire fundo, não fale palavrão, não mencione paixão, não faça promessa, não gema, não fungue, não peça por mais, seja uma dama casada e fidedigna... não trema, não de espasmo, não peça que eu bata, e se eu bater não se apaixone, ame mas, não se derrame toda, não diga que é foda... não tenha tanta pressa... não tenha tanta fome,não faça promessas viva um momento de cada vez...

NENHUMA MOLDURA meus poemas não cabem em nenhuma moldura, minhas estantes não suportariam tantos navios,
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NENHUMA MOLDURA meus poemas não cabem em nenhuma moldura, minhas estantes não suportariam tantos navios, minha ternura guarda a via lactea, mas a minha loucura poe pela manhã o sol no meu quintal, o teu sorriso é a a razão de tudo mas não seja tão feliz que eu não te amaria tanto nem seja triste isso me contagiaria... queria dizer que te amo, mas isso rima com engano, então calo e contemplo o horizonte ante uma rampa, diante da disputa por lixo, entre seres humanos e isso preencheria tantos livros, livros que abarrotariam bibliotecas... mas quem vai entender, lutamos pelo reciclável, mas não nos reciclamos... carregamos sacos imundo, dentro deles o mundo, todas as nossas almas e demônios...

AS SEGUNDAS As segundas são longas, As noites são tensas,
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AS SEGUNDAS As segundas são longas, As noites são tensas, Os anjos fenecem nas esquinas, Eu faço um poema, Porque eu sou a poesia, Porque não sei cantar, Eu escrevo porque não quero esquecer As rimas perfeitas que surgem Assim repentinas... Eu caminho tão triste, Eu caminho tão só, Eu caminho Porque caminhar é o caminho... Não sei se amo porque sou poeta Ou sou poeta porque amo... Mas amo tanto, que de mim me esqueço E esquecido assim, no meu mundo Menos poeta e mais vagabundo Eu amo tanto e nem te mereço...

O MEDO O que me conduz é o medo... Os lobos uivam e os poetas
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O MEDO O que me conduz é o medo... Os lobos uivam e os poetas Colhem flores numa pedreira, Os pensadores repousam E meditam sobre trilhos, Eu sei que do outro lado do rio, Que sou eu mesmo, Tem um dragão, uma fera um vulcão... É o meu melhor lado, Deste lado tem um sorriso, Tem a sensualidade e a escuridão... As vezes os lobos comem os poetas, Mas as flores colorem penhascos E os pensadores continuam suas meditações... As vezes o trem dilaceram os pensadores Mas os poetas escrevem e florescem a vida... Deste lado tem um sorriso Que não passa de um disfarçe Tem a sensualidade, Que não deixa de ser uma armadilha... E tem a escuridão que nos tira a noção do perigo... E o que me conduz é o medo...

CIO sabe como olhar, como andar,
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CIO sabe como olhar, como andar, quando olhar, caminha na minha frente como se eu fosse santo, fala comigo como se eu fosse o seu amo, se abaixa como se eu fosse cego, senta na minha frente como se eu fosse de ferro, eu também sei sonhar, eu tenho um coração e um tênis, não aguento mais maracujina, pra essa febre só novalgina, sorri pra mim como se eu fosse um beato, me toca como se eu fosse Buda esquece o decote, o perfume que exala, minh’alma se perdendo, minha língua pedindo... não percebe o desejo consumindo, chega tão perto que eu farejo o cio...

ALGO QUE PULSE Às vezes você me olha E eu penso que nada é exatamente nada
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ALGO QUE PULSE Às vezes você me olha E eu penso que nada é exatamente nada Até que que se explique, se desfaça, se dissolva Ou se resgate algo que pulse Às vezes você me olha, E eu não disponho de algo que aborde Aceite ou pelo menos caiba tanta emoção Sem agredir o que resiste do que é quase morto em mim Ás vezes você me olha E a minha transparência , suposta capacidade que me atribui A tua proximidade, de mostrar o outro lado Ou de transpor o translúcido Para atingir o espírito, sem molestar a matéria Para mostrar que apenas as vezes você me olha...