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Frases de tadeumemoria

822 frases

⁠CRIADO MUDO Alguma coisa deve mudar de hoje em diante, os fantasmas que vejo é Mentira... não somos tão solitários assim, eu e meus eus distintos, Às vezes sou velho, às vezes num berço, embalo o tempo da inconsciência
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⁠CRIADO MUDO Alguma coisa deve mudar de hoje em diante, os fantasmas que vejo é Mentira... não somos tão solitários assim, eu e meus eus distintos, Às vezes sou velho, às vezes num berço, embalo o tempo da inconsciência Às vezes morro de saudade do meu eu menino Mas nada disso é motivo ou explica nossas dores Os corredores silentes passeiam nossos fantasmas, Que cobram por desilusões e murmuram antigos amores Alguma coisa deve mudar de hoje em diante Vovó se espreguiça sobre a cama como se o tempo Lhe esticasse sem dó suas canelas depois de levar o seu juízo E sobre o criado mudo a dor revela, próteses que já foram seu sorriso

⁠tenho um sorriso que ilumina o espelho e o orgulho de já ter sido feliz, mas então ante tua presença se curvam meus joelhos,
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⁠tenho um sorriso que ilumina o espelho e o orgulho de já ter sido feliz, mas então ante tua presença se curvam meus joelhos, e a vergonha de ter feito o que não fiz... os poetas não morrem, eu já sei, mas não sei se os poetas sabem disso... Cecília, entre os tons quentes do rosiclér morria nos finais dos crepúsculos com todo capricho deveríamos ser felizes se inventamos o amor se fizemos o mundo mas não somos felizes na busca desse amor profundo quem terá entendimento pra felicidade... diante de tantos deslizes não somos, jamais seremos felizes somos apenas deuses, temos apenas a eternidade...

⁠Encantadoras: umas introspectivas, umas expansivas, algumas apressadas, outras passeiam, umas faceiras,
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⁠Encantadoras: umas introspectivas, umas expansivas, algumas apressadas, outras passeiam, umas faceiras, umas ostentam, outras despojadas, mas todas com seus encantos no jeito de andar, de olhar, de falar, de sorrir, de mexer no cabelo e sacudir a cabeça, de passar a língua nos lábios, e mexer nos cílios nas sobrancelhas e retocar o batom, reparar os óculos como se a vida pudesse ser lida e os homens merecessem serem amados como seus pirulitos, seus picolés, seus sorvetes...

⁠ Acho que não tive, antes que me vissem daquele jeito, a oportunidade de falar-lhes de madrepérola. Agora ela estava ali pendurada num armador de redes, eles ao meu redor e eu sem voz para contar-lhes de como fomos felizes. Ah, quem pode entender todos os mistérios do mar, suas…
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⁠ Acho que não tive, antes que me vissem daquele jeito, a oportunidade de falar-lhes de madrepérola. Agora ela estava ali pendurada num armador de redes, eles ao meu redor e eu sem voz para contar-lhes de como fomos felizes. Ah, quem pode entender todos os mistérios do mar, suas profundidades, suas essências; tudo isso se refletia na alma de Doralice. Agora eu estava ali sob o olhar penalizado dos meus entes mais queridos; lacrimejavam, sussurravam coisas que eu não conseguia ouvir direito, mas que eu supunha perfeitamente. O mogno de minha bengala à minha cabeceira mirava a perfeição de madrepérola, sabíamos desse encanto e sua verdadeira recíproca; quantas vezes empunhei o lenho quando o meu corpo oscilava nas minhas debilidades. Quantas estações, quantas tempestades, ventanias, quantos fantasmas cingiram aquela que me apoiou por décadas. Doralice foi levada por mais ou menos uma dúzia de entes, provavelmente irmãos, primos, filhos... notei seus olhos numa ruivinha com cabelos cor de cobre, que me lembrava os finais de tarde cor de bronze dos finais de dezembro ali em Petrolina. A brisa à margem do velho chico lacrimejou aqueles olhos e acariciou aqueles cabelos; era assim que a via, saltitava à praia do rio como se a eternidade a esperasse na outra margem, e nos meus delírios haveria uma terceira margem. Madrepérola ficou ali ao lado de Mogno velando os meus últimos momentos; o fundo dos mares e as florestas tinham algo em comum, mistérios e magias e todos os nossos manuseios em busca de um equilíbrio perfeito que o tempo e as enfermidades já não nos permitiam; às vezes ficavam ali sobre um banco de praça, mais unidas que nossos desejos e entrelaçadas por suas empunhaduras, enquanto ríamos de nossas aventuras desde o "até que a morte nos separe" numa igrejinha modesta e acanhada ali em juazeiro. Ainda tive forças de apontar-lhes Madrepérola e Mogno, vi através da vidraça, quando Zelda, uma das minhas irmãs as colocou no assento traseiro do DKW Vemag; essa história de amor continuaria, o conto das bengalas, provavelmente ganharia uma linguagem universal; alguém reforçaria que, os sonhos, as paixões e o amor não te deixam envelhecer. Doralice acompanhada por Miquica, a cadela vira-lata, corria numa praia, os cabelos ruivos ao vento no limiar de sua adolescência; dançava numa festa, esbanjando sensualidade num evento familiar no auge de sua juventude, ou simplesmente encantadora, vestida de noiva no altar casando-se com Dionísio, o meu melhor amigo; assim três meses depois eu casaria com Denise sua irmã, apaixonada por Dionísio; sabe aquele negócio de João amava Maria, que amava Joaquim, que amava... penso que são desencontros, uma prova, uma gincana a que nos submete o amor, ou só um capricho da paixão, um orgulho bobo por uma birra qualquer que a juventude com o poder de seus encantos usa como uma arma, quando seria menos doloroso um punhal. Mas o tempo... o tempo nos faz perceber a beleza dos crepúsculos. A empunhadura do mogno me fazia imaginar oscilações entre brisas e tempestades que castigam as florestas; por décadas os tons dos ocasos e o calor de suas luzes compuseram aquela madeira, ninhos de aves foram abrigados, insetos cumpriram com suas tarefas na constituição da vida do ecossistema. madrepérola tinha o mistério dos mares, o poder dos deuses e mantivera equilibrado o corpo de Doralice; mas agora, algo bem distante sussurra uma melancolia, as lágrimas nos olhos da ruivinha e nos meus entes queridos me dizem que somos personagens figurantes de um ato teatral que chega ao seu final. Mogno e Madrepérola apoiarão outros corpos, ávidos por amor e esgotados pelo tempo, serão testemunhas silentes da paixão, e assim o conto das bengalas continuarão marcando os passos de outros figurantes, aqueles que não desistiram da paixão, do amor, dos seus sonhos e da vida.

⁠A minha vontade é uma cidade tranquila com pessoas serenas que se encantem com o neon e se apaixonem pelos manequins vestidos em viscoses estampadas... ou simplesmente caminhem sem medo por estradas carroçais ao lado de rebanhos ou manadas em retorno para seus currais num final…
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⁠A minha vontade é uma cidade tranquila com pessoas serenas que se encantem com o neon e se apaixonem pelos manequins vestidos em viscoses estampadas... ou simplesmente caminhem sem medo por estradas carroçais ao lado de rebanhos ou manadas em retorno para seus currais num final de tarde, como se não fosse tarde para contemplar o ocaso ou como se a dor não empoeirasse a alma. Acho que o mundo poderia ser melhor se estivéssemos todos em estado de gestação para gerar uma esperança para quem derrama um olhar, para quem estende uma mão, para quem precisa de um sorriso. Na verdade o que precisamos é um banho no rio, um mergulho no lago e nos limparmos de toda incoerência que nos conduza a atalhos sombrios, porque na real, na essência, parodiando John: "tudo que precisamos é amor."

⁠NASCI POETA Provavelmente chorei antes de nascer, porque aquele espaço acolhedor que me abrigou nove meses teria que ser desocupado e nunca fui afeito às despedidas; devo ter chorado mais ainda depois, pela palmada; meu Deus, por que já entramos no mundo apanhando... depois cho…
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⁠NASCI POETA Provavelmente chorei antes de nascer, porque aquele espaço acolhedor que me abrigou nove meses teria que ser desocupado e nunca fui afeito às despedidas; devo ter chorado mais ainda depois, pela palmada; meu Deus, por que já entramos no mundo apanhando... depois chorei pelos sorrisos, pelas cores, pela brisa, pelos olhares, por tudo de maravilhoso que eu não sabia explicar; mamei, dormi ali no colo aconchegante da minha mãe imaginando: "algum dia vou descrever esse poema..."

⁠Tinha sempre água na geladeira quando tínhamos geladeira... de vez em quando me vem essa lembrança,
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⁠Tinha sempre água na geladeira quando tínhamos geladeira... de vez em quando me vem essa lembrança, entre muitas lembranças que certamente eu tinha e de certo, muitas dessas lembranças eram saudades, agora não me lembro de nenhuma saudade... o buriti parecia colher estrelas depois da cerca do nosso quintal, é um neon incandescente neste breu onde o passado se apaga, algum vulto se debate impetuoso, sabe esses fantasmas que se rebelam e murmuram nos calabouços... alguma coisa deveria brilhar nessa manhã, mas é só uma manhã como todas as manhãs; água gelada, sorrisos anônimos... uma ternura piegas nesse olhar triste que talvez queira me dizer algo que eu não entendo mais.

⁠Eu sei que a noite é só a noite, é só a noite, é a noite só, mas a noite é uma eternidade,
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⁠Eu sei que a noite é só a noite, é só a noite, é a noite só, mas a noite é uma eternidade, uma eternidade, bem maior que as coisas longas que se alongam por estradas empoeiradas... sabe, essas coisas incertas que só as paixões suportam, porque mais distantes que as paixões só as paixões distantes, só as estradas empoeiradas, só a noite, só a noite, só a noite só...

⁠Não posso te falar de amor, não posso te falar de amor o meu amor é tão calado,
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⁠Não posso te falar de amor, não posso te falar de amor o meu amor é tão calado, é tão mudo, tão silente, tão oculto o meu amor é a periferia perigosa, pisa em ovos, olha de soslaio, fala sozinho com essa multidão de becos, travessas e vielas essa multidão que não ouve, não fala e nem escuta falar de amor

⁠Alguma coisa deveria ter mudado as noites ainda são longas, as catástrofes são frequentes
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⁠Alguma coisa deveria ter mudado as noites ainda são longas, as catástrofes são frequentes os eclipses e as ilusões de sempre, outras novelas com os mesmos enredos, os mesmos segredos que todos já sabem alguma coisa deveria ter mudado mas ainda sonho os mesmos sonhos como se a tarde já não fosse tarde e as noites com medos medonhos castigos aos nossos pecados passatempos, mas o tempo não passa tudo muda, mas nada é mudado não é sobre a solidão, não é sobre o cotidiano não é sobre dizer ou não dizer te amo sobre a verdade que perdeu a validade sobre o exato que não é justo sobre o que falamos e não é a realidade alguma coisa deveria ter mudado...

⁠AS CORUJAS PIAM Nem sempre tudo está muito claro, E de pijamas tudo é sempre obscuro,
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⁠AS CORUJAS PIAM Nem sempre tudo está muito claro, E de pijamas tudo é sempre obscuro, Os pássaros silenciam e as corujas piam, Os gatos fazem um escândalo... Eu tento entender as constelações E tudo mais que me parece ininteligivel Como supor que alguém me espiona Ou imaginar monstros debaixo da cama... O resto se sintetiza nos olhares perdidos no vazio, Famílias que mendigam nas calçadas, Essas coisas que fontes luminosas de shoppings luxuosos Ou flores raras de jardins irreparáveis não conseguem maquiar. A filosofia é um bálsamo pra alma, Não que explique tudo, pelo contrario, Talvez o seu maior encanto é caminhar vendada À beira de um precipício; Mas isso não deixa de ser uma lógica. Quando temos a teoria: o que me encanta são os desencantos... O que me encanta são os desencantos... Então não parece muito claro, por mais claro que possa parecer... Queremos o sempre por mais obscuro que possa ser As tardes vazias por mais vazias que sejam sempre As fontes , as flores...e o que vai mudar o que somos ? O que vai mudar o que somos?... Se a pureza de nossos olhares se perderam Nos lampejos vespertinos dos nossos desejos

⁠É hora dos anjos dormirem, não se preocupem com as rugas que eficaz o tempo risca,
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⁠É hora dos anjos dormirem, não se preocupem com as rugas que eficaz o tempo risca, não se preocupem com as tribos, com as queimadas, os seres da floresta; a Amazônia renasce silenciosa e tranquila, e os vultos sinistros que chacoalham a terra e envenenam as águas, queimam e desmatam... os demônios ganharão seus infernos as forças divinas comandam a natureza e os olhos de Deus orbitam no firmamento é hora dos anjos dormirem ninguém se oculta sob a luz da aurora

⁠não sabes o que é o mundo onde termina o horizonte começa a ansiedade e a cidade é um monstro consumindo tua presença
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⁠não sabes o que é o mundo onde termina o horizonte começa a ansiedade e a cidade é um monstro consumindo tua presença não sei o que quero , mas tua ausência só me diz: não sabes o que é o mundo... e eu sei, pelo menos até saber-te perto então transito, assim como se fosse tudo tão bonito mas a brisa só deixa teu perfume a me dizer não sabes o que é o mundo... eu não sei

⁠LIBÉLULA Nenhum verso faz tempo, faz tempo a solidão não incomoda,
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⁠LIBÉLULA Nenhum verso faz tempo, faz tempo a solidão não incomoda, às vezes procuro estrelas, às vezes o firmamento com seus enigmas, às vezes vou ver se estou na esquina, e estou... olhar perdido na vidraça, a libélula esvoaça sobre os lagos da minha infância, é a parte mais bela de qualquer existência, quando ainda não somos deuses e não temos uma sentença pra cada rosto as libélulas adornavam a minha ingenuidade, agora pousam na minha ansiedade... uma tatuagem na alma!