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Frases de Tadeu memoria

31 frases

É triste ser feliz, eu já fui triste um dia...
AMSTERDÃ Você estaria bem perto do paraíso Se você fosse um lugar...
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AMSTERDÃ Você estaria bem perto do paraíso Se você fosse um lugar... Se você fosse uma lembrança Você seria um cesto de morangos com cerejas À margem de um rio com águas cristalinas Numa ensolarada manhã de domingo... Se você fosse um tobogã Você seria o arco-iris depois de uma garoa Sobre um vale verdejante... Você seria Amsterdã Prometendo as mais belas tulipas Se você fosse um jardim... Se você fosse uma noite Você seria nupcias... Se tudo não fosse só fantasia, Seria amor sem fim...

NEM DEDOS Minha mãe entrou em casa com o aspecto de quem carregara um fardo muito pesado, no entanto, tudo o que ela trazia era aquele envelope. Sentou-se à mesa, pôs o indicador e o polegar da mão direita, cada um em um canto dos olhos como se quisesse deter as lágrimas, e, pôs…
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NEM DEDOS Minha mãe entrou em casa com o aspecto de quem carregara um fardo muito pesado, no entanto, tudo o que ela trazia era aquele envelope. Sentou-se à mesa, pôs o indicador e o polegar da mão direita, cada um em um canto dos olhos como se quisesse deter as lágrimas, e, pôs sobre a mesa o envelope, era a ordem: “o juiz deu quarenta e oito horas e acrescentou vinte mil a indenização; mesmo assim o dinheiro ainda não é suficiente para comprarmos o chalezinho do seu Ivo, apesar de ser a casa mais em cota que encontramos”. E não tínhamos mais tempo para procurarmos outra; entre três ou quatro quarteirões, a nossa era a única casa que permanecia de pé, desafiando tratores e compressores, que nivelavam o solo, juntando entulhos do que foram os lares de nossos vizinhos. Por ali passaria a lest-oeste, uma avenida que ligaria o mucuripe à barra do ceará; e as avaliações nem sempre eram justas. Muitos ficaram sem condições de comprar outra casa, outros só conseguiram porque foram para muito longe do centro; mas nós queríamos continuar ali no jacarécanga, e tínhamos de pagar o preço... Antonio meu irmão mais velho, trouxe apesar de ser hora do almoço, uma xícara de café, pois sabia minha mãe viciada no mesmo: “seu Dedé disse que a hora que a senhora quiser, na televisão e na geladeira ele põe preço...” mamãe soltou uma imprecaução; detestava aquele usurpador, contudo sabia-se sem saida: “vão-se os anéis, ficam os dedos.” A voz de minha mãe pareceu-me soar mais rouca que de costume, meio travada por uma angústia que ela só continha para nos exemplar. E na ingenuidade dos meus doze anos eu perguntava, “e quem não tem anéis?” afinal não tinha sido sempre assim, mesmo quando foi para comprarmos aquela casa tivemos de vender a geladeira para juntarmos com aposentadoria do meu pai,desta maneira conseguimos aquele pequeno teto. Éramos pobres, mas tínhamos esperança. Nossos l´deres lutavam pela queda da ditadura militar, pelo fim daquele sistema opressor. Um ou dois anos depois a avenida estava pronta. Chamar-se-ia Castelo Branco em homenagem ao presidente da república. Na inauguração muitos políticos, a imprensa falada escrita e televisada. Todos queriam aparecer ao lado da obra que representava o progresso. A banda de música da polícia militar tocava o hino nacional; no ar, a evolução de alguns caças de guerra. Não se perdia uma nota do hino, nem os rasantes dos mirages. De repente o mergulho vertical de um mirage, que mais parecia manobra de um kamikase em busca do inimigo... o choque, a explosão, casas destruídas... foi o que de mais vivo ficou na minha mente. E a lembrança de que o mar não fica a trezentos metros... Passados vinte anos derrubou-se a ditadura. Há um sistema democrático, mas não há distribuição de renda, e, a corrupção aumentou. Pensei que nunca diria isto: sinto saudades dos generais, afinal a beira-mar se aproxima. Falam em elitizar o pirambu e agora não temos mais anéis, acho que nem dedos temos mais...

Soneto de Nenhuma Dor Nenhuma dor dói mais que dor nenhuma, Nenhuma palavra pode até ser um soneto,
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Soneto de Nenhuma Dor Nenhuma dor dói mais que dor nenhuma, Nenhuma palavra pode até ser um soneto, Nenhum sorriso não quer dizer tristeza, Nenhuma verdade torna o silêncio obsoleto. Nenhuma dor me traz a solidão, Nenhuma ausência me faz sentir sozinho, Tanta paixão me deu nenhum amor, A solitude amplia meu caminho. Nenhum ocaso me faz pensar que é tarde, Nenhuma verdade me faz refém do medo, Nenhum perdão me ameniza a mágoa. Nenhuma lembrança é a dor que ainda arde, Nenhuma saudade tem o gosto azedo, Nenhuma agrura me arranha a alma.

GRANADA Essa ansiedade me mantém acordado... Essa ansiedade me mantém acordado...
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GRANADA Essa ansiedade me mantém acordado... Essa ansiedade me mantém acordado... Noites invernosas habitam meus olhos, Chove copiosamente... Deslizes de terra... desmoronamentos... Descompor-se... dessentir... Essa ansiedade me faz respirar... Essa ansiedade me faz respirar... Um meteorito é um sobreaviso... Um poema pode ser uma granada, O Papa sente-se cansado... Essa ansiedade me mantém acordado... Essa ansiedade tem a ternura de Isolda, A leveza de Mata Hari, Beija-me e me faz levitar... Quem detém furacões... Quem detém vulcões... Esta ansiedade é paciente, perene como as neblinas... Dilui correntes e guilhotinas... Esta ansiedade me salva e liberta Desperta-me para essa ansiedade.

ETERNIDADE Um vale assombrado ou um pântano tenebroso Abrigar-nos-á para purgarmos
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ETERNIDADE Um vale assombrado ou um pântano tenebroso Abrigar-nos-á para purgarmos Por toda a insensatez e luxúria... Mendigos e flagelados ouviremos Coubain ou Janis Joplin Blasfemando melodicamente contra o amor... Teremos uma vizinha que pensa que já morreu Que não fala, nem ouve, porque teme Ter a certeza disso por outro alguém Revoada de corvos na tarde como um mal presságio E, à madrugada, relâmpagos e trovões numa tempestade apocalípticas... Na vereda que conduz a caverna dos enforcados Uma ou outra cruz demarcando aqueles que não souberam lutar pela paixão Mas também veremos árvores com corações E declarações de amor sem fim Alguns poemas que jamais entenderemos Porque a eternidade é obscura e fria Mas quando eu conseguir entender Quando ela chega com meia dúzia de estrelas no bolso, A ansiedade no olhar, corada e arfando: ‘’quanto tempo!’’ Na minha mente eclipsada de confusões Um raio de luz entrará furtivo E uma manhã ensolarada expulsará do vale Todos os fantasmas e habitará o pântano Então eu direi sem me preocupar Como as palavras podem ser simples e banais: “Eu também...”

ATÉ QUE AMANHEÇA Embrulho a vida, Momentos doces e amargos,
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ATÉ QUE AMANHEÇA Embrulho a vida, Momentos doces e amargos, Lembranças pesadas ou leves passagens, A suavidade de um beijo Ou agruras quaisquer na viela do esquecimento Empacoto o presente... Ou os mais íntimos toques Que eu não consigo reprimir E vigio... Vigio a melancolia didática, Toda aspereza da mais simplória estrofe Que eu escondo no fundo do arquivo Contudo arranha-me a sensibilidade... Vigio fantasmas que me empurram da escada Ou penduram cordas nos caibros Como um sinistro convite Vigio a porta, que um forte vento teima em abrir A campainha que nunca toca... O telefone que nunca chama Para confidencias durante a madrugada Vigio a Remington num esquisito toque-toque Como um estranho soneto de um enredo obsoleto... O gotejar incessante de alguma torneira No mais profundo silencio Ou passos pelas dependências da minha ânsia Vigio pilhas de livros sobre a minha ignorância Vultos atrás da cortina Sussurros no hall superior E uma gargalhada estridente, efeito de aguardente Que vem do corredor... Vigio a madrugada com seus enigmas Que conduz o seu perfil ao meu subconsciente E me transporta a este estado de tensão e medo... Até que amanheça e me autopsiem...

FABIAN Desenhe um cara sem face, Desenhe um cara sem rosto,
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FABIAN Desenhe um cara sem face, Desenhe um cara sem rosto, Desenhe um cara sem voz, Desenhe um cara que não pode ouvir... Desenhe o mar, Multiplique por dez... Isso é a metade da metade Da minha saudade, Desenhe uma mentira, Esta é a minha verdade... Olhe os morcegos, feche as vidraças... Desenhe uma pipa, o Zeppelin Uma dúzia de vassouras turbinadas... Estou do outro lado da parede Cantando parabéns pra você...

Poema do olhar vazio Autor: Tadeu G. Memória Ainda terei longas noites
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Poema do olhar vazio Autor: Tadeu G. Memória Ainda terei longas noites Para lembrar-te o olhar E nos momentos de saudades Escreverei poemas... Provavelmente mencionando Ansiedade de horas intermináveis e vazias Por desalentos e descontentamento... Escreverei poemas... Impróprios, secretos e insanos Relatando com minúcias Essa intimidade lasciva e indecente Escreverei poemas... Insípidos, amargos, amargurados Pela solidão e o abandono Escreverei poemas... Como um álibi a essa cumplicidade Insensata e viciosa Que me aprisiona como refém De prazeres mórbidos... Escreverei poemas... Como uma compulsão Como se isso detivesse a hemorragia De desanimo e desencanto De longas noites de insônia Que me trazem o teu olhar vazio...

Insônia Silenciosa vem a noite E no vazio das horas
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Insônia Silenciosa vem a noite E no vazio das horas Tua presença se impõe Porque eu ainda sonho... É tudo o que a noite me permite, E ao contrário do tempo, Eu tenho os meus limites... E a noite silenciosa apenas diminui O que eu pensava vasto, Deturpa o que eu julgava casto, E o que eu pensava edificado, rui... A noite silenciosa habita em mim, E quando chega a manhã, A noite continua, Sem lua, sem estrelas, sem luzes... A noite sou eu, Com todas as ausências, todas as ausências...

PASSARINHOS Os poetas não vão para o céu Eles perambulam pelas esquinas
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PASSARINHOS Os poetas não vão para o céu Eles perambulam pelas esquinas Fascinados pelos crepúsculos Seduzidos pelas meninas Os poetas cantam enquanto Espalham sementes que frutificam no inverno Mas se alimentam de olhares , sorrisos e lagrimas Realizam-se nas incertezas Estabilizam-se nas inseguranças E amam nas ausências Poeta é todo mundo e ninguém É um ponto de vista Sem ponto e sem vista Poetas se transformam em e árvores Ou encarnam animais de estimação Para sentir o contato Para ficar com aquele perfume Que lhe encanta Poeta não ama apenas, ele ama amar Poetas não vão para o céu Para o purgatório ou para o inferno Eles transitam por esses lugares Durante as paixões... até que Deus os chamem E eles se transformam em passarinhos...

BEATLES FOREVER I WANT TO HOLD YOUR HAND Há uma doce lembrança de como tudo acontecia , e a ânsia que condimentava a existência, dando um sabor especial ao mais simplório dos sonhos, desejos e fantasias. O beijo no rosto, o toque na mão, um afago, um olhar mais constante com to…
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BEATLES FOREVER I WANT TO HOLD YOUR HAND Há uma doce lembrança de como tudo acontecia , e a ânsia que condimentava a existência, dando um sabor especial ao mais simplório dos sonhos, desejos e fantasias. O beijo no rosto, o toque na mão, um afago, um olhar mais constante com todas as palavras que não saberíamos falar; e a magia concentrava-se exatamente no que deixaríamos de dizer, porque tudo vinha `a tona muito facilmente. Não havia a necessidade de naufrágios; de submergir uma emoção, para não deixar transparecer um sentimento, por aquilo poder demonstrar uma nítida fragilidade, era gostoso poder mostrar esse lado humano, assim era fácil edificar uma paixão bem alicerçada, sem temores de síndromes. I want to hold your hand parecia ingenuidade, porem, segurar a mão significava pactuar a alma; a irresponsabilidade que pudesse transparecer era mera ilusão. E desfrutávamos também da ilusão dos cabelos longos, calças bocas de sino e chinelos de dedo. A longa e tortuosa estrada,(the long and winding Road), era a cronologia que nos levaria a todas as épocas, transpirando poesia por todos os poros, com a lucidez de uma adolescência que não faleceria aos dezoito anos . Hoje falamos em saudade sem o flagrante de um sentimento de perda, falamos em lembrança sem as abstrações dolosas da nostalgia; porque as tolas canções de amor (silly Love songs), são como trilhas sonoras para o nosso dia a dia. Paul tinha a virtuose com a guitarra, George alimentava essa virtuose e, Ringo na bateria ajudava a luzir. John era o pilar de tudo isso e tinha a ideologia da paz, e como ninguém consegue viver pra sempre num submarino amarelo,(yellow submarine) John assumiu sua postura., contrario aos ataques no Vietnan, E toda postura ofensiva dos estados unidos ... No começo help soava como uma brincadeira de alguém que pedia socorro para seus momentos de solidão; hoje help soa como a profecia da violência gratuita de Chapman que se avizinhava. Chapman provavelmente nunca entendeu( Lucy in the Sky with Diamonds), provavelmente nem (with a little help from my friends), com uma ajudinha dos amigos, aliás acho que ele nunca os teve. ( Imagine), Chapman não teve essa capacidade; de posse de um autografo e uma pistola tentou se livrar de todas as suas frustrações... Hoje eu relembro um pacificador e seu sonho, (give peace a chance), suas crises existenciais que faziam fluir o sarcasmo de Paul, George e Ringo em (get back), mas não posso entender, como um pacificador é assassinado como se estivesse numa batalha Ouço yesterday e sinto saudades. Relembro Cazuza e procuro; “ideologia, eu quero uma pra viver.” Tadeu G Memoria.

UNIVITELINAS Uma vinha de “tomara que caia” Sandálias de dedo,
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UNIVITELINAS Uma vinha de “tomara que caia” Sandálias de dedo, Flor nos cabelos soltos E batom de groselha... A outra vinha numa draga, Trazia uma adaga, um pé-de-cabra Vestia calça de cowboy e esporas de prata... Uma declamava versos, Sonhava com beijos, Pensava num sapo que viraria príncipe... A outra trazia um gargalo, Cheirava rapé, lambia uma faca, Bebia cachaça. Jurava de morte o homem que a importunasse... Uma corria no campo, Saltitando num balé romântico, Sonhava com filhos, imaginava um idílio, Um homem viril que lhe amasse... A outra escalava montanhas, Caçava javalis, cortava lenha, laçava touros, Amansava cavalos... Univitelinas, uma era o reflexo da outra, Idênticas e tão diferentes...