Ciclo
Nossos poemas se amaram tanto
Nossos poemas se encontravam nas rimas,
nas esquinas
Nossos poemas eram ternos
Nossos poemas juraram amor eterno
Faziam promessas, sentiam saudades,
Ansiavam pelos nossos encontros
nos fins de semanas
Nossos poemas se entregaram tanto
Que diante do campanário da igrejinha
de são Jorge em nova Iguaçu
Sabrina Gorgoroff parecia contemplar
a catedral de são Basílio
Na capital moscovita
Ali nos beijamos pela primeira vez
No corredor que conduzia a sacristia
Nos amamos como possessos sem profanar
o templo
Quando ela me confessou ser espiã da KGB
Nunca estive em moscou,
mas o que não faz a fantasia
As luzes do crepúsculo certamente
refletiriam no teto dourado
E na praça vermelha Sabrina teria o perfil
de uma diva
Nossos poemas se encontrariam ali
Durante a terceira guerra mundial
E nos beijaríamos sem nos importar
com mísseis nucleares
Como nos beijamos sob o devastador
cogumelo sobre Hiroshima
Completando o ciclo da criação e destruição
Que nos inspira a escrever
E reinventar a história do amor..
Olhe para o céu, preste atenção às estrelas, elas são flores incandescentes
Que demonstram a paixão de um ser divino...
No espelho o reflexo às vezes me assusta
O que riscou tanto o meu rosto?
Nada se complica,
A vida explicará,
A ansiedade se acalma com beijos,
Se aquieta com um olhar
Não esquece: esquece os problemas,
Leia os meus poemas,
Esquece que a vida é pequena
Mas tua alma é do tamanho da tua consciência,
A dívida algema a paixão...
Eu tenho a noite e a noite me tem
O resto é poesia, é um trem na via
Entre satélites, meteoros e planetas
Procurando a emoção
Nada se complicará, a vida explica
Acontece porque tem que acontecer
A noite tece um fascínio,
Abriga os facínoras
E tudo de mal que se premedita,
Mas pela manhã brilha a aurora
Conheço seus infernos e seus demônios
Mas com eles eu posso
Comerei suas carnes e roerei seus ossos
Mas o perfume que eu sinto e você não tem
Seu jeito doce e seu olhar terno
Só se eu fosse o que eu não sou
Eu não tenho um castelo
Somente o sabor agridoce
do beijo que eu ainda não dei,
Tanto amor... jamais imaginei
te vejo ardendo no leito
E vejo o que te consome
Esse desejo proibido e sem jeito
Mas com a Pomba-gira eu posso
Comerei suas carnes e roerei seus ossos
O que você tem de bom é ingênuo
O que você tem de grande é pequeno
Eu amo esse anjo escondido no teu guarda-roupa
mas essa porta não abre
Você se protege com facas, espadas e sabres