Levarei dentro de mim pedaços de versos,
nostalgias cinzentas e algumas tempestades.
Num dia de luz nublada, hei de partir,
carregando apenas fragmentos de mim...
Até tentei apagar alguns poemas, mas tudo ficou solto no ar, tal qual uma pipa de papel além do céu. Um vazio tomou conta de mim. O silêncio fez barulhos ensurdecedores. E o hiato, dessas gavetas, estava cheio de sentimentos escritos pelas minhas saudades. Versos intocáveis. Missivas inacabadas e sachês de chá que perfumavam as distâncias.
li um poema que estava nu.
rasguei as vírgulas
que prendiam a minha derme.
Rasguei a alma
molhei o verso
soprei ao vento
poemei!
Despi meu corpo
com o verso
sem nexo,
complexo!
Rezo todas as noites por um poema que seja correspondido.
Suplico vontades solícitas de verso e prosa.
Rezo todas as noites por um poema que me revele por inteira.
Rezo, mas as palavras evaporam dentro de um céu de letras escuras!