PADRINHOS Há uma fé enorme na rebelião dos justos
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PADRINHOS Há uma fé enorme na rebelião dos justos e a glória será sempre dos que na arena sangram, enquanto os omissos se escondem na latrina dos favores políticos.
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PADRINHOS Há uma fé enorme na rebelião dos justos
PADRINHOS Há uma fé enorme na rebelião dos justos e a glória será sempre dos que na arena sangram, enquanto os omissos se escondem na latrina dos favores políticos.
BONS CONSELHOS Nunca fui vítima de conselhos ou o que seja. Caminhos indicados, já percorridos, nada inauguram,
BONS CONSELHOS Nunca fui vítima de conselhos ou o que seja. Caminhos indicados, já percorridos, nada inauguram, e ao que é óbvio servem. Custa-me ouvir calada o que é de cada um, dispenso bulas, receitas, mapas, bússolas. Perder-me sou capaz sozinha. A educação nos torna dóceis até às apóstrofes, nos põe calados, ninando respostas mesquinhas, pois ainda que, antipáticos às palavras, queremos conservar respeito por quem as diz. Daí então em muda espera, calamos em nós a exposição pública de crenças, credos e mazelas. Melhor assim, olhar as andorinhas, invejar voo e pouso. Ouvir asneira em pasmada calma, ainda que nos ensine o apontar a ignorância, põe-nos a salvo da mesmíssima dificuldade, pois o que havia para se consertar, continua errado e cheio de inverdades. Aprendo de outra forma. Bem me sei ignorante, mas sei também dos tolos que, de modo algum querem o que lhes vira a direção. Ao aprender dispenso esse pedaço, vou devagar com algum sentido. Devagar e com delicadeza. Plantei sinais no que bifurca - escolha minha, meu destino - a ninguem alugo cérebro e decisão pois já não posso, nem quero seguir pela vida dando a outros a soberana posse da opinião! (suelidesouzapinto)
Na onda da maré cheia é o mar que te enleia, minha amiga, quase sereia.
Na onda da maré cheia é o mar que te enleia, minha amiga, quase sereia. Na praia do sol que amola, a areia é calor de pura marola, em teu decote sem gola, em tuas coxas de gala. A onda rola, enrola, roda um baile em sala aberta, e você toda se evola na canga de voil ou cambraia, na luz que estala solar, você é a rainha da praia!
SANDICE Quando chegar o domingo vai acontecer revés a beça.
SANDICE Quando chegar o domingo vai acontecer revés a beça. Já doei meus rins e pele, choro e rio no meio da conversa, ninguém vai me convencer: Siga a reta, a estrada é esta!
ORIGEM Não tenho contas a pagar quitei débitos anteriores no transporte
ORIGEM Não tenho contas a pagar quitei débitos anteriores no transporte das frias pedras piramidais, alterando o eixo da Terra com meus músculos colossais.
PARALELOS escrito em 24/05/1994 - In memoriam de N.A.S. Quero dizer que já o conhecia
PARALELOS escrito em 24/05/1994 - In memoriam de N.A.S. Quero dizer que já o conhecia e que já era tua amiga assim como quem estende a mão e colhe no ar o mesmo ar que respiras. É que esperei-te e chorei por ti em todos os amores vãos e contrariados. Desejo dizer-te ainda que não cabe no peito o bem que te quero e que gosto quando sorrindo me abraças e me abrasas com teu beijo tão doce. Cumular-te quero de tanta ternura e dar-te tanto carinho que mesmo o mais rico dos mortais não te poderá fazer inveja. E o tempo que passa e espreita dirá de nós: dois seres em desalinho, um pelo outro, mas cada qual no seu caminho. (suelidesouzapinto)
FINITOS O que me altera a rota, me desgoverna, é aquilo em que todos estamos inscritos,
FINITOS O que me altera a rota, me desgoverna, é aquilo em que todos estamos inscritos, que ainda que de ciência certa, não lhe dizemos o nome,nem calendário queremos. O relógio segue, não suscetível nem moldável, o corpo quente pede prazer com bastante gelo, mas é a saúde que conduz as criaturas nos salva do calvário e nos põe em sorrisos. Há quem diga: não sei o que faço oh vida vazia! não isso não e assunto encerrado, finjo ter encontrado um sentido, mas há tantos, tantos tantos, como tantas são as criaturas sobre a terra. O tempo segue implacável sua lógica ordinária, cada momento faz parte de uma explosão estupenda e imediata e ainda que, supliquemos por mais, mais e mais, porque achamos melhor aqui nossa presença, o vácuo precisa de nós e nos quer a todos! (suelidesouzapinto)
DESEJOS Ouso pedir uma varanda que, do alto da montanha generosa
DESEJOS Ouso pedir uma varanda que, do alto da montanha generosa descortine milhares de faceiras nuvens. Ao cair da tarde quero o verde e o vento, e uma árvore cúspide de frutos que se adensem amarelos no chão. Sei que sou efêmera e ignorante, mais sábia é a lagarta que, de si, se encobre em beleza e casulo. A ciência do voo ignoro e invejo, ser pássaro é pretensão para o futuro, rasgar o céu em asas cortantes, banhar-me na água friinha que brota da pedra sob os pés. Ah, sossego como te desejo, plantar canteiros, ler, ouvir música, bordar, costurar, escrever, cozinhar, ler, tirar o pó dos móveis, ter um gato sobre o sofá ronronando calmo,, e eu passando, como os dias passam, deslizando pela vida diária de afazeres, perdendo as formas para ganhar doçura. Sutis pretensões que se adelgaçam nos brancos fios de meus cabelos, que sob a tinta ocultam meu tempo que passa. O que ardia em mim está silente por sob a capa madura para colheita e dentes e há em mim uma eterna semente que suspira no afã de expor-se ao Sol feliz da vida os galhos abertos em cruz para o céu à espera da chuva de verão deliciosa que já se apronta para descer! (suelidesouzapinto)
BORDAR COM AS MOIRAS Busque nos vazios ocultos o que é múltiplo nos pontos cheios.
BORDAR COM AS MOIRAS Busque nos vazios ocultos o que é múltiplo nos pontos cheios. Mesmo na renda mais grosseira há ligações sutis entre os pontos. Tudo é rede, tessitura, enlevos de bordadeira em artes de se viver. Matizes de cores e agulhas, pontos que se ainda vão fazer. Nas reentrâncias do tecido pontos que vão e que vem, seja cambraia, seda ou algodão, alinhavando fio sobre o fio sempre cuidadosa e paciente. Em nós, a vida continua, constrói e desconstrói seu eterno artesanato, urdindo formas nas estampas o que enreda é o coração! (suelidesouzapinto)
ANO NOVO - Por Sueli Souza Pinto. Não gosto de andar pra trás à moda dos caranguejos. Há quem goste dos caminhos mil vezes por mil seres repisados.
ANO NOVO - Por Sueli Souza Pinto. Não gosto de andar pra trás à moda dos caranguejos. Há quem goste dos caminhos mil vezes por mil seres repisados. Eu penso a vereda que não sei, que não vi, que não trilhei. Tenho nostalgias doloridas e felizes. Um amargo de jiló e um doce na boca. Tenho passado fome de afetos. Abraços, olhares dos meus queridos que em longe não posso ver. Necessito mil vidas para cumprir meus propósitos. O bulício de formigueiro não me atrai.Quero o solitário canto do pássaro, na mais imensa floresta, no mais alto galho da maior árvore, da mais longínqua ilha. Para me reabastecer, reenergizar. Sou loucamente zelosa de meus afetos. Pari um filho, feito com amor aos 23 anos de minha juventude. Sempre ganhei a vida com meu suor.Menti. Menti por piedade. Senti vergonha alheia. Porém nunca disse mentiras porque sim. Tenho viajado de trem, avião, carro, a pé. A maioria não o consegue. Tenho rezado muito. A maioria não vai à mesquita, à sinagoga, ao templo, ao interior de si, aos feiticeiros.Nem sequer ouviram falar de Deus. No entanto, não vou aos lugares onde vai a maioria...Permito, porém que leiam meu futuro nas cartas de tarot, e rio disso. Meus escritos estão por aí, nas mãos e mentes dos que os apreciam. Ainda não tenho câncer. Tampouco gostaria de tê-lo. Perto dos 50 anos me casei e sou feliz por tê-lo feito. Posso afirmar que tenho vivido, como uma mulher com ânsias pelo que me falta viver. O que poderá ainda me acontecer? Quem sabe? Eu não o sei!
Era uma vez a ferrovia! Povo cheio de tanta história, oh, povo sem memória!
Era uma vez a ferrovia! Povo cheio de tanta história, oh, povo sem memória! Escrevendo seu passado nas linhas da ferrovia, que traria o progresso e tanta alegria... Mas que trouxe em seu eirado, a triste, triste sina de quem viveu a real vida, e o triste fim no Contestado, que nas barras do progresso que foi sim, e é até hoje,... um caminho pedregoso. Trouxe pois, trouxe emprego, bovina, dócil, calmaria por uns tempos, o que hoje já não há. Há sim, muita, muita hipocrisia, de gente que diz que um dia lutou para a ferrovia ficar! Que fez de uns poucos - proprietários, em negócio sigiloso, daquilo que um dia foi da posse real do povo, em sua forma mais igno sem saber que era dono, desse bem assombroso, enorme, grande colosso - uma linha férrea - belíssima, que em outras plagas seria, o caminho para outras, muitas outras, bem vindas vias!!!
MEU AMOR, É porque em ti encontrei o amor que eu sempre quis
MEU AMOR, É porque em ti encontrei o amor que eu sempre quis e o companheiro de todas as horas boas, prazerosas e também as tristes, meu ombro amigo e destemido, meu verdadeiro amor e mais querido. Quando te vi o coração me disse: É este! E eu fui ao teu encontro, buscar em ti o que nunca tive, acima da simples paixão cruel e passageira, trazias sem querer, dentro de ti tudo o que mais quis e agora tenho, para seguirmos de mãos dadas rumo ao Amor maior, infinito e verdadeiro! (suelidesouzapinto-2011) Para meu marido Adão Dante De Jesus Castilho hoje e sempre o meu amor.
EIA POIS, ADVOGADA NOSSA, VOLVEI A ELES VOSSO OLHAR! E tudo será pó sob a terra por diferente que seja a estrutura,
EIA POIS, ADVOGADA NOSSA, VOLVEI A ELES VOSSO OLHAR! E tudo será pó sob a terra por diferente que seja a estrutura, corpos em paz com olhos semicerrados. Já não importam mais os seus temores, seus sonhos, graça ou juventude. A noite inevitável chegou, e surda fez caso pouco da riqueza de suas trilhas. Ah que feliz sorte fosse um engano, o silêncio em que se encontram! Tanto a dizer mas é passada a hora, a mortífera colisão aérea com o solo cumpriu seu malsino destino de interromper os caminhos, e os ciclos se fecharam. A mata transformou-se em enfermaria, quem dera ouvir ali um coração bater no silêncio que se fez tão absurdo! Agora vocês são de outra grei de vencedores, nos separam bilhões de estrelas cintilantes, mas não tarda em seus colos o doce fruto, de ver por entre os cílios derradeiros nascer a flor da eterna madrugada! (suelidesouzapinto - 29/11/2016) "Para quem caminha em direção ao Sol, é sempre madrugada." (Helena Kolody) Em memória dos mortos no acidente aéreo na Colômbia que vitimou os jogadores de futebol do Chapecoense.
INQUIETUDES Sei muito bem o que quero, e o que não quero também,
INQUIETUDES Sei muito bem o que quero, e o que não quero também, barco, se útil, não navega sem destino. Assim, é preciso inflar as velas. Insípido, insosso, todo o dia em que não se rende graças à alegria. Desprovida de supérfluos, acho a vida muito séria para se passar sem dar ouvidos ao que dentro de nós grita. Dou-me ouvidos, talvez por isso, chove de vez em quando em demasia. Meu espírito afogado pede mil bocas pro seu respirar sôfrego, descabido. Preciso dele para todo o sempre, só ele me pertence inteiramente. A sujeição eu abomino, e mordo as rédeas com fúria de não poder sozinha. Povoam minha mente multidões inquietas, mas não não consigo manter minha cabeça de avestruz enfiada na areia. (suelidesouzapinto (11/10/2012)
ESPERANÇA Acredito na brotação de folhas, flores, frutos, bichos, crianças pequeninas,
ESPERANÇA Acredito na brotação de folhas, flores, frutos, bichos, crianças pequeninas, adultinhas e velhinhas - tudo brota de seus cérebros, perus e pererecas. Longos processos, lentos, lentos, metamorfoses e movimentos acercam-se do epicentro que dá origem a tudo e que mantém em nós a ânsia e o desejo, de manter em nós o raro, indispensável, frágil, fragilíssimo encanto do começo, que nos perdeu da porta do paraíso. Mas que deu a nós todos uma identidade e algum discernimento, ainda que falho, pois ao Senhor cabe o alvitre de tempo e compasso. Não temos prazo para assumir o comando, por isso seguimos remando vida a fora, com pernas bambas, sem apoio, chão, ombro ou ouvidos - seguimos com ele dando rumo e tino ao que é proposto, divididos entre momentos trágicos e divinos. Embora tendo asas, rastejamos no caminho esquecendo a coragem que nos elevou das pedras e que espera de nós mais que adequação, quer nossa teimosia perseverando sempre! (suelidesouzapinto)
CALOR Quero perto de mim o que me afirma que o sonho é possível, que a atenção não é inútil,
CALOR Quero perto de mim o que me afirma que o sonho é possível, que a atenção não é inútil, que é melhor acordar que dormir. Que vale a pena querer mesmo o mais duro desejo e que, seja qual for o motivo: é preferível tecer os fios da teia onde morremos para nós mesmos, a perseguir a fonte da eterna juventude; trazer em nós o brilho dos olhos de quem viu o Sol por dentro e nunca mais teve outro gosto; o nome do Pai, isso é o que eu quero, sou sua filha, a certeza do Seu manto protetor que tantas vezes me aqueceu e hoje pousa nos meus ombros, eu a peço para sempre! Na Antártida profunda, dentro de mim, estive muitas vezes, não houve lá um só dia de gelo...Amém! (suelidesouzapinto)
ELEGIDOS Quem? limpará o sujo sangue nas mãos
ELEGIDOS Quem? limpará o sujo sangue nas mãos dos que leis fazem de se matar De quem? será o vermelho sangue que escorre do coração, braço, peito, marcados pela sorte desvalida Quando? será mesmo crime matar sonho, bicho, gente, consciência, nódoas que se multiplicam Por que? será preciso sempre apagar a açoite, bala, bíblia, nossa incapacidade bovina em transcender vaidade e posse promovendo inocuidades em nossas autoridades...
SONHOS ROUBADOS Crianças reclamam a devolução de seus sonhos.
SONHOS ROUBADOS Crianças reclamam a devolução de seus sonhos. Criaturas sem face que clamam pela sua liberdade de viver. Cristos em sangue, crivados de balas no asfalto repleto de tradições e omissões. Pactuados com a realidade virtual imagens no computador mostram enormes corações vítreos, carros velozes e a ferocidade na derrota. Nas vias escuras tremulam as sombras da geometria concreta. Sem horizonte, a solidão é o oráculo na cidade negra e empoeirada. E o sol lentamente esboroa-se nas vidraças onde homens armados são guarda-costas atentos. (suelidesouzapinto)
APETITE Para tua fome eu tenho as carnes preferidas.
APETITE Para tua fome eu tenho as carnes preferidas. Coloco meu coração , brasa viva sobre a lenha do colchão, queimo a sede, com galho e graveto. E vais encontrar preparado teu prato predileto, dividido entre a mesa e o fogão. Para tua sede garanto paladar e substância, um acabado de licores e sorvete, sabor, líquidos com cor e fragrância. E abrirei a mim mesma num espoucar, nova página em tua vida, coroada com cereja. (suelidesouzapinto)
INSTANTE Há momentos nesta vida sobre o qual não se quer dizer mais nada.
INSTANTE Há momentos nesta vida sobre o qual não se quer dizer mais nada. Pode pensar o que quiser, mas essa é a felicidade mais pura. É o nosso eu descansado de desejos, um silêncio macio num cabelo acariciado, como uma brisa de inverno que passa desidratando a pele sem que se perceba; como mãos que se enrugam com o tempo, com um calor interno que se aprecia, igual àquele velho moletom folgado. Nesse gostoso enrosco que não finda mantemos o olhar limpo e caloroso de quem sabe ter sido amada até em demasia, ainda e apesar de tudo que de humano nesse afeto tenha havido, ainda que se possa dizer quando principia e nos tenha feito pensar que nunca acabaria, um dia vem a surpresa de vê-lo aqui e ali em nosso eu mais profundo, cicatrizado!. (suelidesouzapinto)
INSTANTE Há momentos nesta vida sobre o qual não se quer dizer mais nada.
INSTANTE Há momentos nesta vida sobre o qual não se quer dizer mais nada. Pode pensar o que quiser, mas essa é a felicidade mais pura. É o nosso eu descansado de desejos, um silêncio macio num cabelo acariciado, como uma brisa de inverno que passa desidratando a pele sem que se perceba; como mãos que se enrugam com o tempo, com um calor interno que se aprecia, igual àquele velho moletom folgado. Nesse gostoso enrosco que não finda mantemos o olhar limpo e caloroso de quem sabe ter sido amada até em demasia, ainda e apesar de tudo que de humano nesse afeto tenha havido, ainda que se possa dizer quando principia e nos tenha feito pensar que nunca acabaria, um dia vem a surpresa de vê-lo aqui e ali em nosso eu mais profundo, cicatrizado!. (suelidesouzapinto)
CHEIA NO RIO IGUAÇU Enche-se o rio, lento, de vaga em vaga... É noite, e tudo core em curso lento,
CHEIA NO RIO IGUAÇU Enche-se o rio, lento, de vaga em vaga... É noite, e tudo core em curso lento, na água que miro mais e mais alaga do vento. Seguem-se curvas, margens ao sabor do vento. Há muito pouco nesse viver macilento, desmaia tudo no ocaso que a noite afaga. E derradeira é a luz, longe, no firmamento, que no rio rola, treme, de vaga em vaga. Um vago e triste silêncio por tudo! Espalha-se a lua, lenta, muito lentamente, e firma-se quieta no horizonte mudo. Então o seu reflexo me põe embevecida, como uma estrela que soltou-se da corrente, puxa meu cobertor e me põe adormecida! (suelidesouzapinto-03/07/2013)
CHEIA NO RIO IGUAÇU Enche-se o rio, lento, de vaga em vaga... É noite, e tudo core em curso lento,
CHEIA NO RIO IGUAÇU Enche-se o rio, lento, de vaga em vaga... É noite, e tudo core em curso lento, na água que miro mais e mais alaga do vento. Seguem-se curvas, margens ao sabor do vento. Há muito pouco nesse viver macilento, desmaia tudo no ocaso que a noite afaga. E derradeira é a luz, longe, no firmamento, que no rio rola, treme, de vaga em vaga. Um vago e triste silêncio por tudo! Espalha-se a lua, lenta, muito lentamente, e firma-se quieta no horizonte mudo. Então o seu reflexo me põe embevecida, como uma estrela que soltou-se da corrente, puxa meu cobertor e me põe adormecida! (suelidesouzapinto-03/07/2013)
ESSA MULHER sabe o que é, e diz, fala, canta, vocifera,
ESSA MULHER sabe o que é, e diz, fala, canta, vocifera, mistura línguas e cores, temperos e cheiros, luz e breu sabem bem a ela, porque de si sai ou fica, quando ama: brilha, muda nunca seu calor solar se põe à mostra, só se dá quando desmitifica o ser santa, do lar, se embriaga com o espelho que quer não com que lhe deram, pechas não lhe cabem, chamas a lambem vitrifica ou escorre na areia entre ser mar ou céu, o que santifica é não ser só é ser a que dedica cada dia de seu a quem põe lenha e fogo em sua vida, parida lambe a cria, revolve cabelos, anéis e dedos dá ao bem que fica, chora a dor que demoniza seu ser de luz ou sombra em cada curva se transmuta para flor e espinho dá valor, sobrevivente evola na engrenagem que lhe mói artelho e músculos definidos a cada sol, lavada e curtida, põe sal e saliva sutura em cada sua ferida pois sabe a si a mãe da vida, inda que lhe digam onde ir vai onde quer e não se explica seu brilho de ser essa estrela que aponta caminhos ainda que desorientada converte em bússola a desdita, põe na cabeça trouxa, trança, idéia esquisita dizer que ela não passa de mulher essa frágil forte mistura tira da bateia sem alarde ou grita o ouro mais que puro de ser extrema em cada inauguração, natureza que se reinventa seu brilho próprio que orienta, perde a muitos no seu riso nem sempre de alegria feito guizo que retine a cada bater cabelo sumário ou alongado no olhar cigano não dissimulado sim a quem a pensa a presa quando já vai longe com caniço pescar o que bem quer ao se rir dos que a fitam embasbacados cair e levantar-se em átimo e ritmo que só o ser mulher entende o salto. rasteirinha altiva, rainha sem cortejo que merece toda hora a flor que a beija e a consente no dia que dizem ser seu sem saber ignaros que ela já se fez dona e senhora de todo o calendário. (suelidesouzapinto/2018)