A maior vingança? Sem dúvida, um sorriso de perdão.
Frases de sofia66
16 frases
Retorno à minha essência e volto a ser de mim, ainda que enlutada, percorra sozinha no grito das gaivotas
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Retorno à minha essência e volto a ser de mim, ainda que enlutada, percorra sozinha no grito das gaivotas as vagas do nosso amado mar. Saber-te em mim será sempre a minha maior alegria, ter sido tua um dos melhores e maiores êxtases que alguma vez uma mulher possa ter experimentado. Em ti me enrosco todas as noites lambendo-te as feridas dos dias onde te deixei liberto, à deriva de todos os meus caprichos, e foram tantos! Por vezes tenho a sensação de que ainda estás presente e a saudade fervilha nesta ausência de nós. É como se te visse e ouvisse boquiaberto e feliz enquanto eu tentava arranjar os desalinhados cabelos no temporal dos sentidos: “ meu amor, como és linda! A mais bela das mulheres, é minha!” É por aí que eu vou quando tudo o que ouço agora é uma cruel e inoportuna mente gritando-me exactamente o oposto quase até à loucura! Perdoo-te teres partido, mas nunca te teres tornares silêncio, cobardia e bicarbonato de sódio neste corpo onde explodem lavas, corpo de primícias tuas onde navegaram navios e tuas mãos de menino. Célia Moura, poesia
Ontem invadiram meus canteiros, Espezinharam minhas flores, Partiram todos os vasos
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Ontem invadiram meus canteiros, Espezinharam minhas flores, Partiram todos os vasos Do meu jardim Rasgaram minhas vestes Ultrajaram meu nome, Alagaram de sangue Os meus olhos. Apedrejaram meu rosto Ainda de menina Onde resplandeciam quimeras Numa rua com nome de poeta Defronte a tanta gente… E gritaram urros de vitória, Zombaram, Rebolando álcool, chapinhando No sangue da imbecilidade, Ocos estes crânios de gente. Hoje bem tentam devastar No absurdo da existência As sementes que guardei Daquele anoitecer Parido de Primavera. Mas eles não sonham, Nunca o fizeram Eles não podem pensar, Foi-lhes vedada a lucidez. Agora tenho tulipas, cravos, Roseirais, girassóis E até ervas do campo a crescer Num coração que continua a bombear O mesmo sangue outrora profanado Numa rua com nome de poeta. Célia Moura, in "Terra de Lavra"
Pensar-te é um oceano. Imaginar-te nenúfar entre os dedos escorrendo do néctar o silêncio primordial
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Pensar-te é um oceano. Imaginar-te nenúfar entre os dedos escorrendo do néctar o silêncio primordial no êxtase de todas as tulipas bebendo-te é púrpura loucura. Dos gestos a alma que perdura, palavras e risos percorrendo avidamente o esgar cruel do tempo que deixaste em meu corpo inteiro saudade, este viver ousadamente sem nada ser ou possuir. Pensar-te meu amor mais sublime nas fragas do vento ou num desesperado grito de ave é sentir teu fôlego entre minhas pernas tua língua brincando em meu ventre meus dedos entrelaçados aos teus revolvida, encharcada e concebida, extasiada em teus cabelos, como crianças besuntadas de mel e marmelada roendo maçãs no entardecer da infância enquanto a fome doía na alma grande das gentes. Pensar-te tudo e nada. Beber-te chuva. Célia Moura, in "Terra De Lavra"
Não percamos tempo com quem não tem tempo para nós. A sabedoria da idade traz-nos o silêncio e a consciência de nos sabermos sós e ínfimos. É assim que nascemos, e assim havemos de morrer.
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Não percamos tempo com quem não tem tempo para nós. A sabedoria da idade traz-nos o silêncio e a consciência de nos sabermos sós e ínfimos. É assim que nascemos, e assim havemos de morrer. Vivamos pois, um dia de cada vez, uma hora, um minuto, um segundo e sejamos gratos por isso, porque daqui a cem anos, provavelmente ninguém nos recordará.
A sociedade que hoje te condena e te ostraciza, é exactamente a mesma que amanhã será capaz de te idolatrar. Tudo depende das circunstâncias.
O valor de um pensamento não depende de quem o enuncia, mas daquilo que desperta em quem o lê.
Escuta o silêncio. Pisa no seu templo. Quem sabe aí não encontres a sabedoria que tanto buscas.
"Bons" são os que contemplam a natureza, o firmamento e sabendo que nada são perante o abismo da vida, conseguem ter no rosto um sorriso de gratidão. Sublime é a voz que cresce entre as papoilas.
Não confies em ninguém, nem em ti. Crê somente no silêncio.
De cada vez que arrancarem todas as tuas flores, mostra-lhes os seus rebentos. Célia Moura
Há silêncios que pesam. Mas há outros que são a terra onde as palavras criam raízes.
A esperança não é acreditar que tudo correrá bem; é continuar a caminhar mesmo quando ainda não se vê o caminho inteiro.
Todas as guerras são absurdas e cobardes os que as provocam. Aliás, todo aquele que faz derramar o sangue do seu "irmão", é assassino!
Só quem muito ama, muito se indigna.
Soluçam-me aves no peito. Pranteia, Venezuela, pranteia! Que até os rios aprenderam
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Soluçam-me aves no peito. Pranteia, Venezuela, pranteia! Que até os rios aprenderam a transportar o pranto sem o devolver ao mar. Há em ti raízes que ninguém vê, mas que fazem sangrar gerações. Há em ti dias em que a esperança esquece o caminho do voo. Soluçam-me aves no peito, o mundo passa ao largo, e a paz, sem casa, chora dentro das próprias asas. Grita, Venezuela, grita, porque só o grito — esse órfão antigo — acompanha quem ficou sem chão de Mãe. Célia Moura, Julho de 2026