Frase de sofia66
Escuta o silêncio. Pisa no seu templo. Quem sabe aí não encontres a sabedoria que tanto buscas.
No pensador.ai desde
Escuta o silêncio. Pisa no seu templo. Quem sabe aí não encontres a sabedoria que tanto buscas.
No pensador.ai desde
A maior vingança? Sem dúvida, um sorriso de perdão.
Ontem invadiram meus canteiros, Espezinharam minhas flores, Partiram todos os vasos
Ontem invadiram meus canteiros, Espezinharam minhas flores, Partiram todos os vasos Do meu jardim Rasgaram minhas vestes Ultrajaram meu nome, Alagaram de sangue Os meus olhos. Apedrejaram meu rosto Ainda de menina Onde resplandeciam quimeras Numa rua com nome de poeta Defronte a tanta gente… E gritaram urros de vitória, Zombaram, Rebolando álcool, chapinhando No sangue da imbecilidade, Ocos estes crânios de gente. Hoje bem tentam devastar No absurdo da existência As sementes que guardei Daquele anoitecer Parido de Primavera. Mas eles não sonham, Nunca o fizeram Eles não podem pensar, Foi-lhes vedada a lucidez. Agora tenho tulipas, cravos, Roseirais, girassóis E até ervas do campo a crescer Num coração que continua a bombear O mesmo sangue outrora profanado Numa rua com nome de poeta. Célia Moura, in "Terra de Lavra"
Retorno à minha essência e volto a ser de mim, ainda que enlutada, percorra sozinha no grito das gaivotas
Retorno à minha essência e volto a ser de mim, ainda que enlutada, percorra sozinha no grito das gaivotas as vagas do nosso amado mar. Saber-te em mim será sempre a minha maior alegria, ter sido tua um dos melhores e maiores êxtases que alguma vez uma mulher possa ter experimentado. Em ti me enrosco todas as noites lambendo-te as feridas dos dias onde te deixei liberto, à deriva de todos os meus caprichos, e foram tantos! Por vezes tenho a sensação de que ainda estás presente e a saudade fervilha nesta ausência de nós. É como se te visse e ouvisse boquiaberto e feliz enquanto eu tentava arranjar os desalinhados cabelos no temporal dos sentidos: “ meu amor, como és linda! A mais bela das mulheres, é minha!” É por aí que eu vou quando tudo o que ouço agora é uma cruel e inoportuna mente gritando-me exactamente o oposto quase até à loucura! Perdoo-te teres partido, mas nunca te teres tornares silêncio, cobardia e bicarbonato de sódio neste corpo onde explodem lavas, corpo de primícias tuas onde navegaram navios e tuas mãos de menino. Célia Moura, poesia
Pensar-te é um oceano. Imaginar-te nenúfar entre os dedos escorrendo do néctar o silêncio primordial
Pensar-te é um oceano. Imaginar-te nenúfar entre os dedos escorrendo do néctar o silêncio primordial no êxtase de todas as tulipas bebendo-te é púrpura loucura. Dos gestos a alma que perdura, palavras e risos percorrendo avidamente o esgar cruel do tempo que deixaste em meu corpo inteiro saudade, este viver ousadamente sem nada ser ou possuir. Pensar-te meu amor mais sublime nas fragas do vento ou num desesperado grito de ave é sentir teu fôlego entre minhas pernas tua língua brincando em meu ventre meus dedos entrelaçados aos teus revolvida, encharcada e concebida, extasiada em teus cabelos, como crianças besuntadas de mel e marmelada roendo maçãs no entardecer da infância enquanto a fome doía na alma grande das gentes. Pensar-te tudo e nada. Beber-te chuva. Célia Moura, in "Terra De Lavra"