Ser Mulher
Não possuo o medo de amar
Não possuo as doces canções
As melodiosas vozes que tudo acalmam
E que acalentam a fé.
Não conheço os mistérios da vida
E nem os da morte.
Apenas quero sentir o prazer de viver,
De cantar, de sonhar, de sorrir e de amar.
Apenas quero ser livre, ser feliz...
Ser mulher!
O INATINGÍVEL
Tocar o inatingível!
A meta imposta...Sobreposta
E renascer a cada momento,
A cada obstáculo humano...Desumano!
Resgatar dos confins da imaginação
Energias que não mesclem-se a morte
Pois emergentes são, urgentes o são
Irradiadas dos confins do coração
Na linguagem universal, sem mêdo
Sem recear o caminho no seguir adiante
Esquecer do passado, deteriorar o degrêdo
Luz interior fluida doravante
Inexistem segredos!
É o auto confiar a todo instante!
Escrevo
Escrevo para os apaixonados,
Para os que já amaram,
Amam, ou ainda irão amar.
Escrevo numa ânsia louca de te falar
Que te amo, sem parar,
Todo dia, toda hora
Sem cessar.
Amo-te sobre tudo, sobre todos,
Num amor que nunca cansa de esperar!
Véus da Alma
Quero agora, tua história, aqui!
Lancinante, entre os rasgos da memória
Entremeada de lembranças nos véus da alma.
Fácil pranto este, que agora flui,
Fluindo o desencanto, que ao desencantar,
Por fim,liberta!
Libertando a mente que ficou desperta
Orientando este meu, andar.
Vestida de Amor
Meu eterno menino...
Aqui novamente estou.
Corro agora para os teus braços
Pois somente em ti, sei quem sou!
Não me deixes só, neste minuto.
Vem me dê à mão, nada acabou.
Venho vestida de sonhos e de amor
E trago em minh’ alma imbuída
A vida, a esperança, meu lado criança.
A mulher, a amante, a amiga
E toda a emoção do universo,
Que em mim, outrora, por ti, foi construída!
Desejos
Êxtase infinito
Que aos poucos invade
Sentimento bendito
Que me toma inteira
No início condensado
P`ra logo depois,
Explodir no momento exato
Cresce em cada poro
Nas minúsculas partes do ser
É como um vício
Não consigo me conter
Necessidade de você
É dor, é sabor,
Alucina, estraçalha
Inelutável desejo
Que rasga como navalha
SOU
Sou o que meus poemas dizem
E eu não posso contar.
Quando as palavras escasseiam
E os pensamentos vagueiam
Na imensidão de um mundo sem par.
Sou água, terra, fogo, ar.
Sou química fortemente,
Fé inconsistente
E da amante amada,
Apaixonada ou criança eterna
À mulher materna,
Sou esperança, eternamente...
Amor Perdido
Perco-me na tua ausência
Buscando através do meu olhar, no espelho,
Encontrar em vão o brilho dos teus olhos
Que são, sem ser, os meus olhos.
Mas o brilho que vejo refletido
Não é o brilho de paixão vindo do teu ser
É um brilho ofuscado do amor perdido
Solto, vago, triste e trêmulo ao ver
MISTÉRIOS DA FÉ
Não sou herege
Não preciso, pois
Transvestir-me em preces
Mascarar a vida
Dissuadindo a dor
E culpar a Deus
Pelo meu dissabor
Não carrego a fé
Como um fardo
Sinto-a em meu SER
Leve e pura como deve ser
Envolta em luz Divina
Sei que o sofrer
Não é uma sina
O Pai não quer assim
Assumo meus atos e ações
E se caio aos tropeções
Tenho certeza
De que a culpa é minha
É minha, tão grande culpa
Os dogmas são correntes pesadas
Impedem-me de trilhar
Bolas de ferro amarradas
Neste meu andar
O AMOR E OS POETAS
Amaldiçoados fomos, no dia da criação
Quando o Supremo Espírito a criar almas
Valeu-se para forjar dupla maldição
Nascemos Poetas...
Aí está! A primeira e profunda aniquilação!
Nascemos, crescemos e desenvolvemos
O dom do amor... Em outrens. Jamais em nós!
Não sabemos amar!
Aqui viemos para esta arte, ensinar!
Não somos amados. Jamais o seremos!
É nosso legado!
Encantar através de fraseados.
Eis aí a segunda maldição!
O máximo que ganharemos, será um amor sereno.
Somos sim, na grande maioria das vezes, enganados!
Profanados por nós mesmos!
NÃO SOU ANJO
Não sou anjo
Nunca tive esta intenção
Acho mesmo
Que abomino esta idéia
A de ser anjo
Porque anjos são perfeitos
Pelo menos
Frente aos nossos ínfimos pensamentos
Nós, meros mortais
Que nos vangloriamos e achamos
Que perante os céus
Na escala de importância, algo somos
Somos mesmo,
Seres transeuntes deste mundo
Desta selva de desamor
Eterna Essência
Alçar vôos intermináveis de felicidade
Pelo Universo
É a Pretensão Máxima da Existência
E dele não existe subdivisão
Pois seriam sentimentos ilusórios.
Somente a permanência eterna da essência
É o que vale.
Pó do Amor
De sangue, ossos e músculos
Nossos corpos são formados
Porém, na profundidade da magia
Que rege e nos elege
A versejar a eterna poesia
Somos apenas tênues porções de poeira
Condensadas e dosadas em supremacia
Arquitetadas, moldadas pelo grande oleiro
Que por sua onipotência
Projetou com maestria o afeto por inteiro
Moldou-nos enquanto sábio criador
E do material que fomos feitos
Batizou de pó do amor.
Poesia
Ah, poesia!
Sempre companheira
Eterna amiga
Fiel escudeira
Em qualquer tempo
A qualquer momento
Sendo alegre ou triste
Sentimento que aflora
E, lentamente, me devora
Verdadeiro Amor
Absorta e em seus propósitos envolta
No domínio que o coração conduz
Aberta à psique, que afoita,
No ímpeto da paixão, seduz!
Seduzida, pois,
Não sente que se fere ou açoita!
Sentimento divino que só a ternura induz
Imensa, intensa, avessa aos descaminhos
Só sabe amar e amar e o seu coração,
A cada dia mais e mais amor produz
Segue, vai adiante, fluida em seu caminho.
Não mais importa se amar tão só, é destino.
Assim, diafanamente sobrevoa a emoção
E entregue, envolta em luz,
Conspira à memória solta, em ação.
Sim, é o verdadeiro amor, deduz!
Dança Insana
Não divago sobre você
Em você, eu me embriago
São emoções que me tomam
Sensações que arrebatam
Enfraquecem minhas barreiras
E me prostram a sua mercê
No tatear frenético
Do pulsar insano
Dos nossos corpos síncronos
Numa dança ilícita
De sons em uníssonos
Desta paixão explícita.
Quisera Eu Ser Assim
Quisera eu ser assim,
Com a espiritualidade em mim...
E na grandiosidade d’alma
Desprezar os prazeres terrenos,
Soerguer toda esta vida com calma,
Esquecer todo o profano
Lembrando somente do Ser Humano!
Quisera eu ser assim,
O doar-me sem pensar tanto em mim
E lembrar que aqui do meu lado,
No flagelo, no desamor,
Pessoas vivem com dissabor...
Quisera eu ser assim,
Receber o chamado Crístico
Aqui dentro do coração
E desempenhar um trabalho,
Que não seja somente um atalho,
Mas que sendo vigoroso, forte e pungente,
Traga a alegria a muita gente!
E nesta jornada plena de emoção
De entrega e satisfação,
Sem que haja a menor intenção,
Que seja pura, inteira, amiga, altaneira
E dar minhas mãos aos meus irmãos,
Nesta necessidade emergente
Que brota de dentro do meu coração!
MAR DA EXISTÊNCIA
Este é o mar da existência
Imenso, denso, misterioso!
Mergulha!
Mergulha nestas águas calmas,
Do azul do mais profundo infinito.
Indiferentes são agora
Todos os teus traumas,
Refutados em orações
Por teu coração contrito.
Sê tranqüilo ante os reveses,
Dai adeus ao teu espírito aflito,
Nada te fere ou te assusta em tuas messes,
Tua alma se libertou do teu castigo.
Proteção!
É o que tens agora, meu amigo!
CONSCIÊNCIA
Ela, que do brilho extremo
Fez-se inócua à fascinação da carne mansa
Sob a divinal sorte da idealização,
Apercebeu-se do apagar fulgurante
Da intensidade outrora luminosa.
Sim
Sim,
Faz-me carinhos com o dorso de tuas mãos
E ama-me suavemente
Sem arranhar este amor,
Que teima em estar, insistentemente...
Assim, te guardarei meus versos
Nas gavetas de minh’alma,
Que pulsam frementes
Evidenciando o contexto eminente
Das tramas da nossa paixão.
Sim, continua a pensar
De que é tudo inatingível,
Pois assim sendo,
De alguma forma vamos vivendo,
Neste viver solene,
Onde o grito se cala,
Já que a realidade nos fala
Que da ilusão a que se vive,
Loucura desvairada, ou não,
O sentimento com certeza, sobrevive.
Anjo Amigo
Ansiedade no olhar!
Perscruto, sobrevoando o infinito,
Alguém a quem possa falar
Sobre um coração tão aflito.
Procuro respostas no ar
Um alguém que seja bendito
E para meus olhos, como no altar,
Compreenda todo o conflito.
O sonho expresso, quase a chorar,
Mas eis que surge, um anjo comigo,
Que ao me ouvir, põem-se a cantar,
E o sonho entoa, lindo e colorido,
Proclamando em poema, o dom de sonhar,
Na beleza da alma, do meu melhor amigo!