Fuga
E voou para o além em acrobacias inimagináveis
Roubando ao som de melodias
O verdadeiro script de seu autor.
Inventou sua própria história,
Sentindo a dor da ilusão,
Fugiu ao deparar com a vitória,
Sabendo que sofrer, iria então.
Nada na vida daria glória,
Nada do mundo seria canção
Tudo que tinha estava na memória,
E tudo que perdeu restou no coração.
UTOPIA
Talvez fosse o desconhecido a lançar ao léu
A inexatidão de sentidos e emoções torpes.
Ignotas rotas de um destino, onde os caminhos
Contorcem-se em labirintos espelhados,
Refletindo um brilho obtuso e hipnotizador.
São os ímpetos do âmago despertados
Pela cruel mágica da criada ficção
A idealizada satisfação do humano alienado
Construindo redes a fecharem-se em ação
Ao redor do ideal, outrora projetado!
Amor Incondicional
Incondicionalmente é o seguir, amando!
Amor que brilha e reina em soberania
Inteligência amorosa, emoção primorosa.
Acarinhar-te em meus silêncios
Para que minhas falas não te sejam confusas
Não te quero assustar, não te quero ausente
Já não mais importa se nunca virás
Pois é um sentir ilimitado e recluso em mim
Já não mais importa se nunca ouvirás
É som puro e belo e permanecerá liricamente, assim,
Já não mais importa, se não te importas
Sem pretensões ou obsessões,
Amar-te-ei serenamente, até o meu fim!
BALADA DO PROFUNDO AMOR
Se for para nada ser
Que eu não seja uma, duas ou três.
Mulher, amante ou simples amiga talvez.
Que nada mais me reste se nunca mais
Eu ouvir falar a tua voz
Que se faça a noite fria e inconteste
Dos que perdidos vagam rumo ao nada
Que se faça a negra maldição
Se eu vier a te perder
Só então o desencanto
Secará meu triste e solitário pranto
Para jamais em mim, outra emoção assim, conter!
Curiosidade
Olhares questionadores que persistem
Perscrutam o que pode ser
Mergulhando na escuridão de minh’alma
Inquirindo o que está ou irá acontecer
É um encontro inusitado e incontido
Que vai e que vem
Conforme os ventos que sopram do infinito
Aflorando todo o sentimento que se tem
Nada é premeditado, no entanto, tudo já está marcado.
Não são cartas postas sobre a mesa
Porém é amor, verdadeiro e profundamente arraigado.
Amor que não se explica, chama acessa!
Amor que não se aplica, está traçado!
Amor que identifica, iluminado!
O Semear do Amor
Nunca é por demais tarde.
Jamais o tempo faz-se ausente
Que nesse momento cesse o grito
O lamento que invadiu
Destruindo a melhor parte do que na alma existia
Apanhados de sonhos idealizados
Transformados em belas e coloridas flores
Guardadas e enfeitadas, delicada e esmeradamente
Em lindas cestas, bouquet e ramalhetes
Flores colhidas nos jardins suspensos
Da projeção mental de um amor imaginado, imortal!
Todavia, em oposição à eternidade
As estações passaram e do calor a fertilidade
O clima tornou-se seco e árido
A beleza, o brilho e as cores das flores
Inexoravelmente, findaram.
Se foram incitados ou por descuido, facilitados?
Já não mais importa...
Quiçá, delírios procrastinados da razão.
Entretanto, sempre existe tempo para que a existência
Ensine o semear, em outros jardins, com exatidão.
UNIÃO DE ALMAS
Agora ao beijar-te a boca
Abandono-me na profundidade do teu olhar
E neste integrar lúcido de almas
Percebo o quão forte é esta união
Outrora, universos paralelos
Agora, união envolta em emoção
Explícita, longa e intensa ação
A condensar nossas energias
Desde a primeira atração
Quando jovens éramos
E naqueles dias sonhávamos
Com esta vida cheia de alegrias
Hora da Felicidade
Nosso tempo é agora!
Poesia,conquista e glória
Pincelam com muito amor
O retrato da nossa história
Felicidade convertida em sabor
União transformada em vitória!
MAGICO ESPOCAR
Queria ser agora uma bolinha de sabao,
Carregando em mim todas as palavras
Que a intelectualidade humana pudesse condensar.
No ceu, com o vento, bem la no alto,
Esplendorosamente vivaz e em paz, flutuar!
E como por encanto em milhares
De outras bolinhas, estourar.
Iria entao com minhas maos pegar
Todas as letrinhas que reluziriam
Sorridentes neste espocar para o infinito,
Formando o mais belo arco-iris
De cores brilhantes, jamais visto.
E nele rimando eu deixaria um canto escrito:
Agradeco a Deus Pai,
Por tudo que senti e por tudo que vivi.
Por tudo que vivo e por tudo que sinto.
Apesar de todos os pesares,
Sou feliz e estou aqui!
Filhos do Destino
Somos filhos de um destino
Que na sutileza exata
Conduz nossos caminhos
Sem marcar hora ou data
O encontro, inusitado,
Seduz, encanta, arrebata
Correlaciona o inesperado
Deixando-nos lado a lado
Unidos pela atração
E ungidos na afinidade
Entregamos o coração
Sublimando a realidade
Morrer de Amor
Atire a primeira pedra,
Aquele amigo poeta
Que nunca desejou
Entre a alegria e a dor
Ou talvez na mágoa ou rancor,
Definhar ou morrer,
De amor!
Incompreensão
Se o meu ou o teu caminho,
Íngremes são
Pois que seja translúcida
Nossa forma de expressão
E se na complexidade do entender
O que deveras é o momento,
Não faça valer a tua própria lei
Mas também não peça a Deus consentimento
Não o responsabilize
Porém,
Se tu não entendes os meus versos fáceis
E os meus reveses,
Saibas que tão pouco eu
Entendo as tuas preces
Carinhos de Amor
Se dormes agora
E sonhas comigo?
Não sei...
Bem sei que estou contigo
O pensamento... Vôa!
Segue pelo vento
Sem barreiras ou espaços
Propaga-se através do tempo
Afoita sede da paixão
Olhos e sentidos atentos
Embriagados de emoção
Viajam por um momento
Lânguida sensação
Um beijo profundo e sedento
Deposito no teu coração.
Apenas Um
Dancemos!
Vem ser o ápice da minha alegria
Dança e penetra-me com teu olhar
Traz-me a bailar, a nostalgia
Enlaça-me deliciosamente, a girar
Atando-me através da fantasia
Seduzindo-me na ventura de acreditar
Ser-mos apenas um, em eterna sincronia!
POETA SOU
Poeta sou, no claustro da tortura.
Sonho e fantasia,
Fazem parte dos meus dias.
Universo impregnado de doçura e loucura,
Na explícita sentença das dores, dos amores,
Da profundidade de ser e existir,
Do âmago da paixão desvairada,
Da realidade de pessoas
As quais, jamais serão nada.
Devaneio implícito que corre nas veias
Que é o respirar, mesmo sem o desejar
Uma busca delirante da próxima loucura
Condição plena...Missão!
Uma dura pena, que esvai-se através da razão!
Apenas Palavras
O que são estas palavras
Rimadas e declamadas sem pensar?
Se eu as soubesse,
Enquanto minhas,
Saberia o que falar!
Idéias, letras ou entrelinhas,
Na cabeça, persistem em um bailar.
Fundem-se a realidade,
Invadem e explodem pelo ar.
Na alma, a legibilidade.
Como faço para as inventar?
Apenas recito se não as escrevo
Não existem segredos!
Também não sei, a bem da verdade!
São apenas frases ditadas a esmo.
Talvez da infância a ingenuidade
Montantes de outros enredos
Ou da mulher, a maturidade,
Procedentes de vários contextos
A diligenciar uma só verdade!
Poetas
Poetas, não se intitulam apenas poetas...
São seres estranhos, diferentes.
Possuidores de melancolia pungente
Nascem com o dom das palavras
A maldição do sentir extremado
Do sofrer demasiado
Do viver o sonho de amor
Com lancinante e extrema dor
Não sabem amar suave e sereno
Amam com todo o âmago, ao extremo.
Dedicam-se assim, por dias, noites,
Meses e anos sem fim
Mas como a vida é feita de escolhas
E na indiferença, na troca, sentem o desamor,
Mesmo compondo os mais belos versos
Inspirados que estão em seu espírito sofredor
Optam por parar de querer,
O que jamais poderão ter.
E como suas almas são predestinadas,
A escrever, escrever e mais nada,
Buscam nova inspiração,
Novas rimas, outra canção.
O poder do amor, um novo alguém,
Uma nova jornada!
Amar Sendo Amado
Girando e pairando no ar
São raios que tocam, aquecem,
Sonhos e coração a palpitar
Sanidade e âmago enobrecem!
Realidade emergente a lapidar
Ausência em dias que entristecem
Meditação, solidão, paixão a ordenar,
Evolução diáfana aos que não se perdem.
Tudo ao seu tempo, inclusive o conquistar...
Palavras não ditas, que emudecem.
Medo profundo de o real, despertar...
Amar e ser amado, aos espíritos enaltece,
Suavemente, teremos tempo e lugar,
Felicidade que nossas almas, não conhecem.
P"RA VOCÊ
P"ra você
Que meus dias coloriu
Presença constante da minha saudade
De todos os momentos que de mim partiu
O unico a realizar todas as minhas vontades
P’ra você
Que ao meu lado, persistiu
Na tristeza, na dor ou na felicidade
Amor que o tempo sapiente, persuadiu
Transformando a magia e a realidade.
P’ra você
Que também viu quem a tudo, sempre assistiu
A lua, companheira da nossa insanidade
E o brilho em nosso amor, tantas noites investiu.
P’ra você
Que tal qual a mim, em nós, perdeu toda a castidade
Que aos misterios da paixão não resistiu
Toda minha vida, toda minha identidade!
Ímpetos da Paixão
Ímpetos da paixão
Que expandem e seguem
Em cada espaço
Ermo e magnético
De nossas peles
Cada recôndito do nosso ser
Onde a área e a esfera
Da razão, dão espaço
Aos anseios, a cobiça .
Servos, seguimos...
Pelo desejo que habita em nós