ENCANTAMENTO
Mesmo que quisesse, não saberia dizer-te
quais eram as vestes que usavas
nem quando ou como tudo aconteceu
Apenas sei que aos meus gestos, observavas
nivelando a energia de minhas calorosas manhãs
ao sereno e ao breu de tuas noites frias e solitárias
As lembranças de tudo e do todo, persistiam
faziam um sibilar suave de aurora imaginária
pós luar, pós pôr do sol, pós forma de amar
Infiltravam-se em nós, como o agora
em um constante entremear de intensos sentimentos,
de desejos e pensamentos densos e infindos.
O NEÓFITO
E o encanto que a vida trás
refuta desencantos e temores.
Tempos idos. O agora, se refaz!
Seca ávida, lágrimas de dores
em quente espaço, sacro e vivaz.
Horizonte em paleta de cores
Exalam perfumes, fontes de odores
refazem laços, perfazem passos
reacendem a fé aos conquistadores
Tolhem a ilusão, ceifam a inspiração,
vertem vestes que revestem os corpos
em fulgor e verdade, rumo à iluminação!
PSICOPATIA
Que seja o vento frio da madrugada
nos pés e mãos e membros e o todo.
É quando indiferente e gélido,
o medo percorre a espinha,
assalta os sentidos primazes,
corre frente à confusão mental
que breve, forma-se e verte-se
em vértices de habilidade tácita
da acida maldade que rompe,
arranca, destrói e esmaga.
Que seja o que for, isto ou aquilo;
do desejo insano da vingança vã
a inveja carregada de amor e de ódio.
Às vezes, paixão!
Ídolo e divindade.
Tão diferente, tão indulgente...
Tão com-pe-ten-te!
Autenticidade protegida contra copias.
Outras, que de tanto admirar
sem poder reproduzir ou esboçar
movimentos, atitudes, obras ou sinais,
dantescamente, decompõem o, amar.
RAZÃO DOS MEUS VERSOS
Já que nos amamos desde sempre
e a cada dia um pouco mais
Vem e fica ao meu lado
faz da minha vida, a tua vida
Faz do teu caminho, o meu caminho
Faz do meu corpo, o teu ninho
Enfeita com carinho nossos cabelos
com belas flores dos jardins do éden
Cobre-nos com o manto perfumado
dos que eleitos são pelo amor Sagrado
Olha nos meus olhos profundamente
mergulha em minha alma, em minha mente
Sentes este calor no meu e no teu coração?
É o amor semeado desta intensa paixão
Então vem e traz tua emoção, traz teu universo,
pois tu és a única razão de todos os meus versos.
TEUS SABORES
E me quero em ti e te quer em mim
Vem com odores, perfume de flores
Não sei se de rosas ou jasmins
Talvez o perfume de outros amores
Nada promete e só te quero, assim
Promessas, são lanças que traçam dores
Suposto imaginário...Ilusão, enfim
Cruel corsário; o mestre dos rancores
Mas teu corpo...Ah, poema sem fim
Loucura espelhada dos versos em cores
Enfeitando o meu corpo, como belo jardim
Encantada, abro mão dos valores
Tatuo em minha pele a palavra, sim
Sentindo na boca os teus vários sabores
BAILADO MÍSTICO
Bailado místico de nossas identidades
Unidos agora em amor e em verdade
Trajamos roupas de sonhos e poesias
Celebramos a vida em límpidas melodias
Em nossa fascinação está o encantar
O despertar de muita afeição
Nossas almas entrelaçadas no altar,
Magnânimo do coração.
Não me Perguntes
Não, não me perguntes para onde vão
as perolas ensimesmadas de tuas mãos
se me dissestes na estrada, certa vez
não saber, por medo ou timidez
que escondias habilmente
o inócuo, em sombrio passado recente
fragmentos sem brio de lembranças,
dadas em tuas andanças displicentes.
Linguagem Divina
Este rito é a real essência, a permanência
de todos os sentidos embutidos na pele,
n'alma, sangue, coração,
não importando se defende ou se rende,
se acusa ou recusa trajetórias
Que o delatem, pois, enquanto usurpador
destas instigantes histórias,
frustrantes ou dignificantes em fio condutor
Tudo é imparcial ou adoravelmente, total!
São letras, são silabas, são versos, são rimas,
São cantos teus, meus, de quem os ler
Linguagem de tantos, porquanto, divinas!
SENTIMENTOS
Sentimentos...
que aquecem noites,
que aquecem dias
em extraordinária magia
de sublimação e êxtase
em todos os momentos
na mais sagrada sintonia
Percebes?
Consegues então sentir
o quão singelo, tudo é?
Observe atentamente!
No calor da divina luz
a pulsar intermitente,
a iniciação, faz jus.
Creia, todo o resto é,
felizmente, a mente...
QUE VENHA A MORTE!
Se é necessário morrer para renascer
Pois que venha então, a morte!
Que invada o ser por vezes tão doente
E que desta vez não seja apenas uma fatalidade
Ou mais que outro engano, simplesmente!
Que seja o encontro da razão e da verdade
E que ao nascer forje a luz fortemente
Iluminando os caminhos em realidade
Eliminando os enganos, completamente!
NOVA AURORA
Desejo explosivo em sonhos contido
O instinto incitando a paixão
Vontade imensa n’alma sedenta de libertação
Extravasa na mente o que é recidivo
Da calma aparente a negação
Do orgulho dos versos ao permissivo
Contido, compõem o perverso e o esquivo
Entre dentes o nome e a composição
Inda preso nos tempos de outrora?
Não percebestes o breu sobre a noite
Que todo o resto, acabou, foi embora?
Não mais lamurias, saudade ou açoite
agora a paz, satisfaz, revigora
ao sol que lá fora, perfaz nova aurora
Maravilhas do Amor
Eterno...Imenso...
Te chamo, te peco!
Venha, mantenha!
Interioriza
A crenca na existencia.
Faz-me aceitar,
Nao a mera fantasia
Mas faz-me acreditar
Que a paixao nao extasia.
Ela encanta e principia
As maravilhas do amor.
RESTRITA REALIDADE
E o que dizer sobre as ventanias
que enfrentamos a sós?
Que simplesmente passamos por elas
ou são elas que passam por nós?
É a dor indevida, é a emoção contida
E a melancolia...Ah, a melancolia!
Um presente algoz
O desterro cruel na alegria de vida
Tanto ardor e não saber o que fazer com a dor
É irônico o destino e a realidade, restrita
incita ao amor p’ra desabrochar em flor
Porem a cruel e indevida incompreensão
cerceia a livre expressão, desvanece a cor
e concreta, decreta a não condição
OESTRUS
Naquele por do sol inusitado
enterrei os versos
e a prosa deixei de lado
No sangue que banhava as vísceras
a dor do estanque na hora da criação
Como o tato do cego homem
eis agora minha misera condição
Nada mais denota velha e hábil, inspiração
Nem a astúcia, um belo estratagema
porem em meu ser, outro serio dilema
De joelhos rogo aos deuses, iluminação
Arrebatam-me agora, esta ficando tarde
Húmile serva, curvo-me, a alma arde
Permitam-me verter somente, composição
TODO MEU AMOR
Temos então, o teu medo e o meu terror
Na certeza de que por várias vezes
Já andamos de mãos dadas com a dor
Mas...Se ao menos tu soubesses
O que guardo em meus longos silêncios
Saberia o que retratam, minhas preces
Saberia que em tua linda suavidade
Sou bem mais que poema imperfeito
Sou rima, em doçura e intensidade
Sentiria minha inscrição em tua alma
Carinhos e desejos em profundidade
Meus segredos em tua suposta calma
Teria teu cheiro misturado ao meu perfume
Enlaçados em profunda e santa insanidade
Com todo o meu amor, dissipando teu ciúme
SORRISOS DE AMOR
Talvez fosse a mentira idealizada da esperança
quem nos oferecia a contra dança do pecado
projetando em nós, enquanto verbo,
nosso maior castigo...
O amor lascivo entre amigos
Mas era através do relógio da parede
que nos sorria os sorrisos das horas
e hipnotizava-nos sem nos deixar ir embora
que nos lançávamos em um enlevo infinito
entreolhava-mos a subdivisão da distância
e nem despertávamos ao canto primaz da aurora
pois todos os encantos existentes floresciam em nós
como seiva divina nos jardins do nosso amor
APENAS, O HUMANO
O que atrai a esperança e a paz?
Comédias subumanas em rotas tortuosas?
Altivez dourada em atestado de incapaz?
Pouco tato e muita prosa?
Inerte e abstraído o ímpio, induz...
Rei deposto carrega n’alma, o desgosto.
Equivocado em sombrias ações
atento a impressões meramente superficiais,
ignora a profundidade das reações.
Indelével frente a qualquer história,
acuado por toda a vida frente à vitória,
esconde na memória, inúmeras decepções.
Então o sacrílego humano apenas, segue...