Criava eu, um cenário perfeito Para minhas memórias Bons modos
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Criava eu, um cenário perfeito Para minhas memórias Bons modos Comportamento impecável Doçura Perdão Carinho e fraternidade Ninguém quis olhar o meu álbum...
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Criava eu, um cenário perfeito Para minhas memórias Bons modos
Criava eu, um cenário perfeito Para minhas memórias Bons modos Comportamento impecável Doçura Perdão Carinho e fraternidade Ninguém quis olhar o meu álbum...
Quebrei Os alicerces de uma vida perfeita Pois vi que o perfeito só existe se houver imperfeição
Quebrei Os alicerces de uma vida perfeita Pois vi que o perfeito só existe se houver imperfeição Descosturei Ideias de filantropia Quando eu mesmo era quem precisava de caridade Vendi Todos os presentes ganhos Pois descobri a diferença de preço e valor Eu parei, cansei, desisti, descontinuei, quebrei, descosturei e vendi Mesmo assim, se alguém perguntar como estou? Bem. Me dá uma deliciosa preguiça social de explicar que não estou.
Poderíamos descrever durante Nove anos só as vantagens do preto Mas quero instigar o valor do branco
Poderíamos descrever durante Nove anos só as vantagens do preto Mas quero instigar o valor do branco Da sua grandiosa felicidade de exprimir um brilho Que não é seu. Egoísta! O seu brilho, é resultado do esforço De todo um espectro solidário e bobo. A branquetude de tudo se exprime como Superior! Coitada! Tão vazia de si que não existe Sem as reais cores bobas. O preto me conforta por desmascarar Sangrentamente essa pseudo-luxuria.
Respire Inspire Respire
Respire Inspire Respire Inspire Pego um travesseiro e o coloco sobre o nariz Não respira Não Inspire Meu próprio corpo ri de mim Como não saber morrer? É a própria voz do medo, de pular de uma janela Porque não tem volta Porque não vai mais inspirar e respirar Tentar prender a respiração é fácil Porque sabes que o corpo uma hora ira ficar contra ti Respiração anaeróbica Quem foi que me disse que precisamos respirar usando ar? Para que o pulmão trabalhar por tantos anos e segundos Deixe-o em paz Respire Inspire Respire Inspire Coloque-o sobre o nariz
Dionisiacamente me encontro perdida em grandes estórias e finais felizes criados em mim. Culpo-me por tal atrocidade. Sei bem de juízo que nenhuma organização ponderada humana me move, nem me deixa estática. Não cobro nada. Nem recebo.
Dionisiacamente me encontro perdida em grandes estórias e finais felizes criados em mim. Culpo-me por tal atrocidade. Sei bem de juízo que nenhuma organização ponderada humana me move, nem me deixa estática. Não cobro nada. Nem recebo. Levo-me em inexistências perfeitas e comparecimentos ingratos. Não digo que vivo, não digo que estou morta. Digo que permaneço.
Parei de oferecer experiência aos outros quando na verdade sou eu quem necessita de experiência
Parei de oferecer experiência aos outros quando na verdade sou eu quem necessita de experiência Cansei de dar conselho aos outros quando sou eu quem precisa desesperadamente de um Desisti de mostrar o caminho certo a ser seguindo enquanto eu permaneço desencontrado Não continuei a mostrar uma porta a abrir pois nem encontrei, ao menos, um tapete de “bem vindo” Apaguei as mensagens motivacionais que nem a mim motivavam Desestruturei as metas para uma nova fase, Se eu mesmo nem via motivos para o nome “nova” Quebrei os alicerces de uma vida perfeita pois vi que o perfeito só existe se houver imperfeição para o contraste Descosturei Ideias de filantropia quando eu mesmo era quem precisava de caridade Vendi Todos os presentes ganhos porque descobri a diferença de preço e valor Eu parei, cansei, desisti, descontinuei, quebrei, descosturei e vendi… Ainda assim, se alguém perguntar como estou? “Bem”. Me dá uma deliciosa preguiça social de explicar que não estou. que nunca estive. nunca.
Eu queria algo para me segurar quando o navio afundasse Algo para chamar de meu e que me passasse segurança… Sozinho eu já estou, mas queria me enganar por um dia
Eu queria algo para me segurar quando o navio afundasse Algo para chamar de meu e que me passasse segurança… Sozinho eu já estou, mas queria me enganar por um dia Por um instante achar que pertenço ao local que estou Não achei. Continuei distante e insignificante para mim mesmo Chegava meia noite Nada podia me fazer feliz e garantir que um novo ano seria “novo” Resolvi deitar e me embriagar Deixar o escuro e a coberta esconderem minha vergonha E minha solidão Sabia eu que acordaria sozinho e frio novamente no próximo dia Onde estava o meu ano novo? Mesmo assim, peguei um bom champanhe Brindei comigo mesmo minha derrota e meu fracasso Foi saboroso e libertador A melhor parte foi me aceitar como derrotado e infeliz Para quem sabe, recomeçar Recomeçar? A sofrer, a tentar, a chorar, a pensar O importante agora seria recomeçar, certo? Errado. Era mais um ano desperdiçado Alguém, a cada segundo, precisa mais do que eu, permanecer vivo Então, brindava eu, ao desespero, à carência e ao medo Em questão de segundos, largado sobre a cama Pensando na merda da vida Ri de tanto azar, pessimismo e retomadas súbitas a superfície Chegou meia noite O mesmo ciclo de sofrimento se recomeçava 365 dias de pura escuridão de órgãos De sangue não oxigenado E do sabor doentio e amargo da própria língua Chegava eu, incrivelmente de branco em um “novo” ano Instantaneamente, o ano ficou preto e cheio de marcas de expressão Eu percebi que acima de tudo, oxidava o mundo Foi um conforto para minha certeza E um fim para meu engano, Estava só.
Há momentos em que paro, penso.... Fico olhando pela janela o passar; Miro em fotografias do semestre passado.
Há momentos em que paro, penso.... Fico olhando pela janela o passar; Miro em fotografias do semestre passado. Estou incompleto, imperfeito. Ainda que completo, estaria imperfeito. Concordo então que o problema comigo é ser imperfeito. Incompleto eu sempre fui mesmo... E não se trata apenas de pobres prefixos. Todos os atos meus são imperfeitos porque você não está aqui. Pode ser triste ler tal argumento, mas é vivo. Real. Eu não tenho a ti quando preciso de um abraço Não a ti tenho quando preciso de alguns beijos nas mãos Não tenho você para arrepiar minha pele quando respira e inspira junto a meu pescoço Não tenho você, porque ainda sou incompleto de mim... Então minha imperfeição seria não ser completo ao ponto de ter-te junto a mim. Basta saber se tu me aceitarias assim: redundante, imperfeito e incompleto. O que me diz?
E só de não nos conformamos com o presente, conquistamos um novo futuro.