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Frases de São Gonçalves

12 frases

Natal no mundo Não basta escrever sobre aquele menino nascido numa manjedoura há cerca de 2 mil anos, natal era o princípio da luz divina encarnada na efémera passagem do homem na terra, o princípio da esperança nos homens. O princípio do deslocamento terreno e divino, o Natal e…
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Natal no mundo Não basta escrever sobre aquele menino nascido numa manjedoura há cerca de 2 mil anos, natal era o princípio da luz divina encarnada na efémera passagem do homem na terra, o princípio da esperança nos homens. O princípio do deslocamento terreno e divino, o Natal era o momento de acontecer. E acontecia! Acontecia natal, na luz e nas sombras dos homens, na esperança e na desesperança, na partilha e na solidão. E nasciam palavras e poemas, nascia amor! E algures, o vazio do mundo continuava a existir. Mulheres continuavam a dar à luz em terrenos de guerra, a fome a espreitar os olhares moribundos, os mendigos a arrastarem-se por entre as paredes grossas das catedrais. O sangue a jorrar nas paredes vazias, em terras inóspitas Os barcos continuavam a despejar homens, mulheres, crianças nos mares da Europa. Nessas madrugadas de Natal, não havia lareira, nem mesas fartas, o medo alastrava-se nas frágeis embarcações, alagavam-se os dias de sentimento exaurido e triste. A fome, o frio, entranhava-se na dureza dos corações amargurados e desistentes. E acontecia! E de novo acontecia, a dor e a esperança, a anunciação, a fuga para uma terra prometida. A coragem revestida duma amálgama de pranto e desconsolo! O deslumbramento e o desassossego dos homens, numa terra minada pelo desespero. E acontecia! Uma criança que chora, outra que que desfaz embrulhos sem olhar para algum, a fartura a confundir o sentimento de injustiça. Mesas fartas, mesas luxuosas, o cheiro a açúcar e canela, e o vazio opaco, invisível em cada uma delas! Mesas de pedra, vazias, geladas! O aconchego frio das pedras das catedrais, crentes que passam, homens de boa vontade estendendo um pedaço de pão, um cobertor para enganar o frio, uma sopa quente. Uma fotografia esquecida, memórias onde a família ainda era um conceito de paz e estabilidade. E homens e mulheres percorrendo as ruas vazias e frias de uma cidade qualquer, e homens e mulheres cansados dos dias, ouvindo os sinos de uma aldeia adormecida. E o fluxo dos homens desesperados procurando a salvação! E Natal acontecia! São Gonçalves.

Imagens desfocadas, distâncias marcadas entre o corpo e a alma, realidades invisíveis à razão... seres à deriva
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Imagens desfocadas, distâncias marcadas entre o corpo e a alma, realidades invisíveis à razão... seres à deriva por entre nevoeiros, a distância oculta corpos cansados, a saudade sem memória restos de gente perdida nos farrapos da sua história. Seres perdidos sem marca, sem rosto, sem tempo carregam a escuridão nas vestes sinais do desalento.

Sinto o tempo passar implacável O vento norte a beijar o rosto e a folhagem, é outono, as cores sedutoras esmaecem num terreno lavrado. Revolvo o húmus da terra, vou ao mais fundo da transição da terra, descubro as raízes e o caudal transbordante de energia, a força transcenden…
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Sinto o tempo passar implacável O vento norte a beijar o rosto e a folhagem, é outono, as cores sedutoras esmaecem num terreno lavrado. Revolvo o húmus da terra, vou ao mais fundo da transição da terra, descubro as raízes e o caudal transbordante de energia, a força transcendente da mãe... É frágil a condição humana na sua efémera passagem. As estações sobrepõem-se Os amores nascem e morrem Os leitos de folhas secas amaciam o chão, alimentam os pássaros. De nada serve lamentar a passagem do tempo Se souberes contemplar O divino na luz errante de lua.

Saúdo o entardecer no espelho das águas, no bailado colorido das nuvens envolvendo o céu, como um abraço, como o descodificar de símbolos, numa linguagem de luz e de sombras. Não há vultos, nem vozes, apenas o som da brisa soprando aos ouvidos da cidade uma canção melódica, fina…
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Saúdo o entardecer no espelho das águas, no bailado colorido das nuvens envolvendo o céu, como um abraço, como o descodificar de símbolos, numa linguagem de luz e de sombras. Não há vultos, nem vozes, apenas o som da brisa soprando aos ouvidos da cidade uma canção melódica, finamente orquestrada nas harpas dos deuses. É este entardecer que me acalma e me embala como o berço do rio que me viu nascer.

Anos e anos a contornar a tormenta A fintar os desígnios dos deuses e dos homens. Anos e anos a murmurar silêncios, as mãos trémulas, carregadas de esperança.
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Anos e anos a contornar a tormenta A fintar os desígnios dos deuses e dos homens. Anos e anos a murmurar silêncios, as mãos trémulas, carregadas de esperança. Na página dos livros, as madrugadas eram menos penosas. Quiseste sempre fintar a sorte, encontrar um propósito que fosse verdadeiro. Mas nada te afastava dessa incapacidade de contornar a desventura. E mesmo assim, são suaves as palavras, e mesmo assim não trazes nos olhos a cor negra da tormenta. São de luz as sementes que carregas na palma das mãos.

Na vida ninguém aceita a culpa do desamor, do desencanto, do fracasso. Porque isso equivale a aceitar fragilidades que a sociedade incentiva a não ter. É preciso ser o melhor, é preciso cultivar o sentimento de perfeição, a imperfeição não cabe no dicionário dos dias. Talvez este…
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Na vida ninguém aceita a culpa do desamor, do desencanto, do fracasso. Porque isso equivale a aceitar fragilidades que a sociedade incentiva a não ter. É preciso ser o melhor, é preciso cultivar o sentimento de perfeição, a imperfeição não cabe no dicionário dos dias. Talvez este seria o primeiro paradigma a reconsiderar, o de que o caminho da perfeição só se consegue aceitando todas as imperfeições...

Nada se vê da cidade estremunhada, sopra uma brisa lenta, um beijo, uma carícia no asfalto. Os homens perderam-se nas crateras da vida. De um lado e do outro da ponte, o vazio e o silêncio! Sós, as árvores encolhem os ramos, despojadas do vigor da primavera tardia.
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Nada se vê da cidade estremunhada, sopra uma brisa lenta, um beijo, uma carícia no asfalto. Os homens perderam-se nas crateras da vida. De um lado e do outro da ponte, o vazio e o silêncio! Sós, as árvores encolhem os ramos, despojadas do vigor da primavera tardia. Chove uma chuva miudinha, não há sons, nem as andorinhas atravessaram ainda o oceano. A cidade acorda, a brisa fria da madrugada estende um manto de sedutora solidão.

O silêncio é um porto de abrigo entre o rumor dos dias e as sombras da noite. Descem dos céus lâminas de luz O explendor cortante da beleza transcendente do universo.
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O silêncio é um porto de abrigo entre o rumor dos dias e as sombras da noite. Descem dos céus lâminas de luz O explendor cortante da beleza transcendente do universo. Ali, naquele pequeno espaço perdido dos homens, o olhar do divino espreita e acolhe no seu regaço o desamparo da humanidade.