Vi o verso vencido e velado nos meus olhos E em um pedaço do meu coração Adormeceu-se um poema.
Frases de Santos Vasconcelos
22 frases
Notas Ver a alegria correr os olhos em devaneio É incansável, incessante.
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Notas Ver a alegria correr os olhos em devaneio É incansável, incessante. Lembro-me das boas memórias. Um dia era a noite, memórias eternas. Apesar de tanto tempo... ainda somos parte do momento.
O tempo é indissolúvel Há de mil poesias que compõem a face do poeta Não retrata nele quem é ou a falha do falta ser
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O tempo é indissolúvel Há de mil poesias que compõem a face do poeta Não retrata nele quem é ou a falha do falta ser Apenas se deve, deve o cumprimento da poesia Não que o poema acabe; mas que o poema não faceie. Veracidade é característica dos severos O poeta já não é severo, porém abstraído Do tempo que o rodeia e o sonda, das margens que o circunscrita e absorve. Não será um ponto final de poesia Nem moldura de jornal (seria a noticia do dia?) Há de mil poetas que compõe o jornal E sobre as notas de observador: Indago; Será poeta o tempo Na manhã, na véspera da noite ou no silêncio das palavras Será poeta o tempo Indissolúvel, estonteante. (Dá graça que ninguém vê mais).
Conhecimento O que pensar do ser pensante? O homem.
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Conhecimento O que pensar do ser pensante? O homem. Pensam de tantas maneiras, porém impensantes; Atrelam o meio ao fim, e o marco á vindima. Rosas maculadas que desferem caos. Caóticos e deslumbrantes: assim são os homens. Nesses traços peculiares, deixam o medo. Não dorme cedo ou chega tarde, o medo. Constroem o novo e esquecem o velho. Urutus indecorosos que emancipam a hecatombe. Resplandecentes e minazes: assim são os homens. Poucos diferentes de muitos poucos mortos ou vivos, de poucos lugares, paulatinamente vagos e impregnados: assim são os homens.
Por que dizer adeus? Nos tempos velhos da infância; A fantasia do dia nos consome;
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Por que dizer adeus? Nos tempos velhos da infância; A fantasia do dia nos consome; Sol e chuva em mesma estância; Abstinência de banho e fome; As ruas nos pertence em alma frágil; Não há nem penitência ou alvará; O dia não cede à noite o sufrágio; E todos os dias vem cedo nos acordar; Então por que dizer adeus? Essa palavra tão triste e nostálgica? Adeus de tantas maneiras Simples, subjetiva, discreta, cálida. Então por que dizer adeus? Não há de formas meigas O adeus que herda lágrimas São fendas no abismo O momento que se afaga Subitamente em silêncio nossas almas.
Sobre as Letras P o e t i c a m e n t e p o e s i a
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Sobre as Letras P o e t i c a m e n t e p o e s i a s e f a z l e t r a s c a n e t a s e x c l a m a ç ã o d e d o s d a m ã o s o b r i a m e n t r i s - t e e m p a z e s c r e v o - t e p o e m a
Doce Amor Descontente Ganha-se coragem, perde-se certeza Conquistas, se para algo te serves à liberdade
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Doce Amor Descontente Ganha-se coragem, perde-se certeza Conquistas, se para algo te serves à liberdade Para que em meras palavras encontre sutileza Em alguém que se conforma Em agonizar por infame beleza Se é tão pequeno esse amor Porque não serve amar falsamente? Pois de pouco amor que o coração sente dor E de muita dor esse amor é descontente
Sobre o Tempo Paralisados os olhos Vejo o medo por trás das córneas
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Sobre o Tempo Paralisados os olhos Vejo o medo por trás das córneas Medo de perder cada momento Pois cada momento são apenas horas As horas são o refúgio Que se constrói a cada minuto Dizem que o tempo é coisa de louco Mas coisas de louco é amar por um segundo Os segundos são os atos Que nos prendem ao mundo Em especial ao esquecimento De que talvez há um grande significado Nas palavras de um mudo Ninguém vê, observa, procura A paz extinta, antes em crise Que vida egocêntrica! Que o tempo ainda não muda.
Parafasia Indefinível Quando as moscas entram na sala As luzes se apagam
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Parafasia Indefinível Quando as moscas entram na sala As luzes se apagam Os versos não rimam As letras embaralham-se através dos dedos que soluçam o medo Não há tempo no presente O futuro que se estagnou no passado É imediato à fome, ao lixo, ao humano Distante da verdade Essa verdade mundana e inconsciente.
Em Um Jardim de Flores Azuis Em um jardim de flores azuis Passeavam caracóis amarelos
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Em Um Jardim de Flores Azuis Em um jardim de flores azuis Passeavam caracóis amarelos Borboletas voavam o céu anil Coloridas com pintinhas de caramelo Em um jardim de flores azuis As rosas alegres cantavam a vida Joaninhas brancas e pretas E um jovem pássaro de asas coloridas Em um jardim de flores azuis O inverno ocupava a noite e o verão o dia A neve hibernava e a manhã trazia o sol As flores bocejavam e um pequeno esquilo sorria E no jardim de flores azuis A tristeza era feita de alcaçuz Enfim, nessa terra houvera paz Em um jardim de flores azuis.
Mundo, este poema I Não me atrevo a falar sobre as pessoas
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Mundo, este poema I Não me atrevo a falar sobre as pessoas Nem sobre os trajes humanos, desenvolvidos Filhos da faminta industrialização Fetos de insetos, merdívoros, repugnantes O homem venera a destruição Guerra, fome produz inocência Inocência produz o novo produto Consumido pelos merdívoros Em cada hemisfério suas fumaças sobem Cavando o buraco onde se põem os ovos Impregna-se Porém a lentidão dos olhos não vê É fugaz, essa evolução merdívora Pena... Pena tem-se de um copo d’água Metamorfoseado em vinho Produtos alcoólatras Que desperdiçam o fruto pela decadência II Nas antigas alamedas Hoje as ciências obscuras Não haverá mais o novo velho Cientificamente haverá o velho novo Imerge-se e emerge-se Através de uma nova Lei Gravitacional Tecnológica As lágrimas coroem o rosto Os próprios Oceanos consomem os peixes O ar irrita os olhos E a terra, estas várzeas continentais, absorve os pequenos seres... Mas há um lugar... Um lugar onde esse poema se dissolve Não se sabe bem onde Talvez no futuro de uma criança Ou no coração moribundo de um velho Ou no significado das palavras de uma dócil mulher Um lugar onde os olhos adormecem E o mundo é mundo.
Soneto Sobre Amor Sentei-me a uma cadeira ao lado Transbordando outra cadeira vazia
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Soneto Sobre Amor Sentei-me a uma cadeira ao lado Transbordando outra cadeira vazia Não fechei os olhos por medo de sentir-me triste Em cada relógio em que as horas não passam De minha boca gelada esvaem-se suspiros desanimados Em momentos em que o frio cristaliza-me interiormente Interiormente sou inóspito Que nem a dor atreve-se a se aprofundar E horas se vão, horas não vêem E profundamente paralisam-se Em um segundo... Enfim... e quando me levanto da cama Permaneço estagnado em uma lágrima Perguntando-me... O que é amor?
Reticências Como poeta escrevo um pequeno verso Como criança escrevo em uma folha meu nome
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Reticências Como poeta escrevo um pequeno verso Como criança escrevo em uma folha meu nome Dou risada, encontro felicidade Da meninice passada Hoje... Como poeta escrevo um pequeno verso Como menino eu conto mentiras Dou risada, encontro felicidade Nas lembranças passadas Ontem... Como poeta escrevi um pequeno verso Como poeta eu abro o coração Dias sim, dias não Sou uma caixa de surpresas Desvenda-me então...
Um Poema Desesperado No horizonte se vai o camisa dez treinar o trabalho duro de viver Onde?
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Um Poema Desesperado No horizonte se vai o camisa dez treinar o trabalho duro de viver Onde? Enquanto o camisa zero de nossas ruas acorda o mais cedinho Tão cedinho Esquecendo-se do penteado dos cabelos, do café bem requintado Não lhe cabe a exuberância do olhar O olhar é ora triste ora vago Que não desfaz a satisfação de mais um dia de vida É singelo... Quem lhe diga não valer nada Mas quem lembra por nossa farda ora laranja ora maltrapilha? Quem? Vale mais lembrar por nossa farda elegante, sincronizada? Vale? Digo eu e quem quiser que se opunha Valha mais o maltrapilho “poeta” de nossa gente que o galante “poeta” por si só.
Quatro maneiras de pedir perdão à uma mulher. 1º. Compre-a, jóias, parafernálias, Diga as falácias mais belas
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Quatro maneiras de pedir perdão à uma mulher. 1º. Compre-a, jóias, parafernálias, Diga as falácias mais belas Segure suas mãos e lhe prometa a ternura da vida Prometa uma promessa inesquecível Perdão, é uma palavra inexistente quanto a isso 2º. Compre- a flores e uma caixa de chocolate Ofereça-a um jantar selado à luz de velas Diga as palavras mais singelas Recordadas de um dicionário Suavemente peça-lhe perdão 3º. Flores morrem rápido assim como chocolate derrete Crie a dúvida de que se ela te amar Perdoará-te 4º. Deixe-a que ouça em um abraço apertado, seu perdão.
Amar V.t: Amor significa expressar, compreender, amparar, estremecer Mas não chorar as lágrimas de outro alguém
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Amar V.t: Amor significa expressar, compreender, amparar, estremecer Mas não chorar as lágrimas de outro alguém Deixe que ele as chore Para que assim tu possas enxugá-las
Paróquia Inestimável opúsculo dos Céus Incrédulo Chacal das liras
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Paróquia Inestimável opúsculo dos Céus Incrédulo Chacal das liras Puro e maquiavélico Paladar de fera e visão de Quimera Cabal e trucido Na imensidão que assola o olhar do Santo Filho do Homem Astuto que consome à veia Em Oração que tísico é o coração Minutos antes da mão que peia Em plena Morféia de interna reclusão
Soneto sobre um sentimento profundo Sou assim... Uma lágrima que escorre
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Soneto sobre um sentimento profundo Sou assim... Uma lágrima que escorre Um sorriso que alegra Uma mão que protege Uma palavra que machuca Um olhar que se apaga Sou como o vento que leva a respiração E traz um sentimento bom Sou como um abraço que produz saudade E carrega o silêncio eternamente Eu sou metade, metade de alguém Que se encosta nos braços da dor Pois a outra metade, pouco a pouco lhe entrego Para que assim tu me faças a perfeição que não sou
Soneto sobre Oração Venda-se o olhar do Santo Sepulcro do Cristão
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Soneto sobre Oração Venda-se o olhar do Santo Sepulcro do Cristão Indulgência que amargo é o pranto Através de pecaminosa palavra de Oração Transcende-se a voz do Cardeal Perante a lei do céu Supremo Filho bastardo de mero mortal Que saliva Onírico veneno Vedes o manto que Sagrado estampa A boca do Bastardo que profana O Pai Nosso de alguém Vedes o Homem que absorve fé em pandemia Receptáculo dos versos da Ave Maria Amém
Menina Da Garoa Senta-se na chuva a menina da garoa Que carrega um guarda-chuva que de nada te serve
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Menina Da Garoa Senta-se na chuva a menina da garoa Que carrega um guarda-chuva que de nada te serve Procura pequenina um abrigo solitário Onde o medo te conhece Abrigando teus olhos amedrontados Menininha sem coragem que nem o amor lhe perdoa Que carrega um coração que a inocência aquece Desabrocha pequenina um sentimento apagado Quanto à vida, que lhe espere Com seu brilho ofuscado
Coração: Nascido Crescido
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Coração: Nascido Crescido Conhecido Martirizado Amado Cansado Sofrido Odiado Transformado Partido Compreendido Repreendido Retalhado Caído Erguido Cosido Abraçado Prometido Casado... Nascido
Brasilidade Pendurei um pomar nas várzeas do meu sertão Não uxicuruá ou paxiúba
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Brasilidade Pendurei um pomar nas várzeas do meu sertão Não uxicuruá ou paxiúba Minha caatinga, meu vau Que de raiz à raiz molha a laranjeira Aqui não há tucunaré ou guanumbi Só semente da terra que seca em meus pés descalçados Nem o moço tupi me perdoa Que terra seca, que olhos pálidos Oxalá! Dita o negro surrado “Não te preocupe, fí de Deus, terra há de se tornar teu berço!Oxalá!”. Pois sim Lá está um fruto graúdo do meu pomar Felicidade do meu Brasil!