Frase de Santos Vasconcelos
Mundo, este poema I Não me atrevo a falar sobre as pessoas Nem sobre os trajes humanos, desenvolvidos Filhos da faminta industrialização Fetos de insetos, merdívoros, repugnantes O homem venera a destruição Guerra, fome produz inocência Inocência produz o novo produto Consumido pelos merdívoros Em cada hemisfério suas fumaças sobem Cavando o buraco onde se põem os ovos Impregna-se Porém a lentidão dos olhos não vê É fugaz, essa evolução merdívora Pena... Pena tem-se de um copo d’água Metamorfoseado em vinho Produtos alcoólatras Que desperdiçam o fruto pela decadência II Nas antigas alamedas Hoje as ciências obscuras Não haverá mais o novo velho Cientificamente haverá o velho novo Imerge-se e emerge-se Através de uma nova Lei Gravitacional Tecnológica As lágrimas coroem o rosto Os próprios Oceanos consomem os peixes O ar irrita os olhos E a terra, estas várzeas continentais, absorve os pequenos seres... Mas há um lugar... Um lugar onde esse poema se dissolve Não se sabe bem onde Talvez no futuro de uma criança Ou no coração moribundo de um velho Ou no significado das palavras de uma dócil mulher Um lugar onde os olhos adormecem E o mundo é mundo.
No pensador.ai desde