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Frases de Samira Benassi

12 frases

⁠ÍNTEGRA DE COISA ALGUMA Sou tão resultado de tudo Que no fundo não vim de nada
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⁠ÍNTEGRA DE COISA ALGUMA Sou tão resultado de tudo Que no fundo não vim de nada Viajei por tanto e quanto Mas parece que não saí do lugar Caminhei por copiosas ideias E não avancei um único passo Surfei por histórias Sem sequer molhar os cabelos Lutei como heroína E nem monstro tinha para derrotar Comi Enchi Corri Pulei Chorei Caí Levantei E de nada foi Pois agora nada estou, sou ou fui Memória fraca me fez vazia Mente farta me faz falha Mundo disforme me fez apática Eu vim de tudo E não restei de nada

⁠QUEM ME DERA SE TIVESSE Eu não tenho poder da cura Quem me dera se tivesse
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⁠QUEM ME DERA SE TIVESSE Eu não tenho poder da cura Quem me dera se tivesse A minha habilidade é plantar girassóis Que semeiam matas entristecidas à procura de luz Em meio a tanta erva daninha Ser flor é raridade Eu não tenho poder de cura Quem me dera se tivesse A minha habilidade são olhos cintilantes Em meio a mares de lágrimas Eles iluminam o rumo Para olhares desistentes De quem viu tristeza em formato de gente Eu não tenho poder de cura Quem me dera se tivesse A minha habilidade é fazer tolices Em meio a lábios caídos Elas arrancam sorrisos De dentes tão enclausurados Pelo calado sofrimento Eu não tenho poder de cura Quem me dera se tivesse A minha habilidade são gestos carinhosos Em meio a atitudes grotescas Eles surpreendem à aqueles que se esqueceram do amor Por estarem perdidos na multidão singular O poder de cura, Eu não tenho Eu só posso oferecer Aquela maldita esperança

⁠DEFEITO DE FÁBRICA Uma peça quebrada é facilmente rejeitada pelo natural processo de seleção. Nada poderá ser feito com algo não é capaz de cumprir sua devida função.
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⁠DEFEITO DE FÁBRICA Uma peça quebrada é facilmente rejeitada pelo natural processo de seleção. Nada poderá ser feito com algo não é capaz de cumprir sua devida função. Porém, há peças quebradas que se disfarçam, se misturam aos montes, e juram ser diferente das outras. São as mais perigosas. O fraco remendo que foi feito em seu defeito de fábrica é porta aberta a desilusão. Se cobrem com um brilho chamativo, na tentativa de serem confundida com as melhores peças do mercado. E no olhar desatento, uma peça quebrada forçadamente se encaixa com uma que está inocentemente em seu bom estado. O que não esperam, é que feridas mal cobertas são facilmente transmitidas a peças de boa-fé. Vivem na mentira e anonimato que a peça quebrada contou a todos, inclusive, (e especialmente) ao espelho. E aquela, que desde o começo, permanecia em seu lugar, é contagiada injustamente pelo acoberto desespero de outrem. Duas peças agora são descartadas. É assim que uma epidemia de corações partidos começa.

⁠ADUBO DE JARDIM Um broto apenas irá germinar E se fortificar
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⁠ADUBO DE JARDIM Um broto apenas irá germinar E se fortificar Se tiver o privilegiado atributo da importância Intuitivamente, Na esperança de preservar o desejável Designar esforços a sementes intrusas, Dão espaço a raízes Que se ramificam Sugam o fértil de teu solo Roubam alimentos das flores E transformam lindos jardins Em matas estarrecidas no inexpressivo Os doces frutos Das árvores, antes robustas Agora são pontos podres Infestados ao chão Pior do que qualquer incêndio florestal, São as lentas mortes Do sufocado desvio de inteligência. Quantas ervas daninhas te consumiram hoje?

⁠HORA EXATA DO PERECER Engraçado Morte é simbologia
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⁠HORA EXATA DO PERECER Engraçado Morte é simbologia com aquelas licenças poéticas, na falha de dar algum sentido Juram sempre que nada é para sempre Recheiam sermões com histórias de “Depois que vai embora que nos damos conta” Mas se nada, nem ao menos uma coisa é digna de durar todo sempre Qual a hora da morte afinal? Se nada tem permissão a durar sem fim Existe uma premissa que nos permite saber o momento final? Se aquela roupa que não me serviu mais Foi assim doada a outro alguém Foi morte, pausa ou continuação? Como que pode escutarmos todos os dias Relatos para aproveitar algo, porque aquilo suma hora se vai Por que não sabemos ao menos identificar a ida? Qual a justificativa do mistério que não tem outro objetivo sem ser perturbar a mente de um que disse um suposto adeus Nada ao menos ressoa explicação dessas retoricas descabidas Um relógio quebrado mostra hora exata da morte E este olhar descrente mostra hora exata do perecer

⁠PEQUENO CORPO INOCENTE Rotina embaçada Mente confusa
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⁠PEQUENO CORPO INOCENTE Rotina embaçada Mente confusa Presa num tempo imaginário Passado e inexistente Extraviada na época de olhos brilhosos Reside lá, uma criança que brinca na luz cintilante de sonhos Mas em razão da maldita razão Declara guerra ao adulto, que reza para que ali, Bem aí meio de seus tenebrosos desejos More a estranha realidade Ciente que não passa de uma alucinação ignorante Descartando tudo que é certo e justo Em troca, uma fábula barata Contempla múltiplos Criados pela ingenuidade armada Sabotagem própria E mira certeira no seu devido pé Feições e obrigações de um ser trajado de responsável Ações e crenças de um ser trajado de imaginação Disputa diária de coração e mente Tudo dentro de um pequeno corpo inocente

⁠DESASSOSSEGO Eu ainda me abrigo em você Nos abraços e amassos
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⁠DESASSOSSEGO Eu ainda me abrigo em você Nos abraços e amassos Beijos e entrelaços Ainda me vejo Nos planos de descasos Futuros embaçados Sonho no mesmo tom que uma criança sonha em véspera de natal Te espero da mesma forma que um cachorro obedece um dono Aguardo paciente nosso dia como que um pedestre no sinal vermelho Será que o sinal um dia fica verde? Será que é hora de dar meia volta e tentar outra avenida? Outra rua Outra viela Outra calçada Outros carros Mas onde tem carro tem acidente E nunca deles saio ilesa É sempre um arranhão aqui Um amassado ali Você se tornou minha esquina movimentada Que me recuso a retornar num novo caminho Meu cinto de segurança Que me protege de uma batida Meu pneu estourado Sem estepe no porta malas Me perdi na teimosia de jurar amor aos quatro ventos A ponto de esperar carona com destino a você Na esperança de quem pilota seja o passado que eu ainda pertenço Mudar o trajeto, eu sei Pedir um táxi não é difícil Desviar dos buracos é tarefa fácil Mas é que num desassossego Eu ainda me abrigo eu você

⁠TÉDIO Viveis em um mundo tão tedioso Que a dor alheia, te alegra
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⁠TÉDIO Viveis em um mundo tão tedioso Que a dor alheia, te alegra Alegria embrulhada de exílio Cego ao teu próprio ver Te incomoda com o que não é teu Faz, agora, parte de tua obrigação Espalhar ódio de graça Prisioneiro da tua própria infantilidade Que te faz acreditar digno De julgar o que não lhe convém Só não percebe a desgraça Que é essa tua solidão Em que o caçador sempre foi a caça Como numa corrida de gato e rato imaginaria Lá, o único competidor É tu Quem sofre é só consequência Da amargura escondida Teu ego Faz eco Numa eternidade tediosa E um ciclo sem fim Que apenas bate e volta E te consome em pedaços E se sente impotente demais Para pedir socorro Em que a única solução que te resta É tornar a desgraça rotina E tomar controle de mentes fracas como a sua Descontar aquilo que não sabes explicar Que se alimenta de uma parte tua todos os dias Porém, teus olhos já não mais veem Sua sabotagem diária Que te faz crer em uma fábula de constante poder O tédio vira rei E tu Mero caçador

⁠EXCELENTÍSSIMA ENFERMIDADE Eu nem te vejo Eu nem te sinto
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⁠EXCELENTÍSSIMA ENFERMIDADE Eu nem te vejo Eu nem te sinto Eu nem te toco Ah, mas você... Você é esperto rapaz... Sutilmente se instalou Dominou Alastrou E na beneficência do temor humano Trancou Fechou Separou Isolou E como se já não bastasse Até fez-se expirar a vida de inocentes E, aos montes Leva consigo em meses O que vida toda não foi capaz Eu nem te vejo Eu nem te sinto Eu nem te toco Ah, mas eu te conheço bem Não se cansa, né? Nunca é suficiente, né? O caos é teu melhor amigo Agora ele se familiariza E traz novos companheiros a todos E como uma boa visita Trouxe comida E alimentou os monstros Antes adormecidos, Se corromperam em carrapatos da sanidade O imaculado e vívido sangue Neste momento, é parte deles Me contenho com resto Mas pelo menos me diga Está feliz? Está satisfeito? Conseguiu o que queria? Serei teu pior inimigo E assim como sua adoração pelo poder Sou perdidamente apaixonada pela justiça

⁠TORTO ESPELHO MEU Disformei o rosto Entortei o corpo
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⁠TORTO ESPELHO MEU Disformei o rosto Entortei o corpo Ajeitei a veste Reconstruí a pele Dispus o ideal Alcancei o espectro Consertei a vista Posicionei a impressão Me encaixei na ilusão Esqueci de questionar Como saio? E a roda? Para de girar? Maldita vitrine essa Cega, maltrata e desfigura Para onde agora foi Aquela minha forma mais pura Torto espelho meu, existe alguém mais belo do que eu?

⁠NÃO OBSTANTE Carregada de sentir tudo em sintonia de contradição Obstante uma mente sã
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⁠NÃO OBSTANTE Carregada de sentir tudo em sintonia de contradição Obstante uma mente sã Aquela, das tentativas em vão É Incapaz de alcançar o estágio de paz completa, num período além de horas de insensatez Como se embriagada em sonhos sóbrios Tapasse ouvido e olhos em razão de mim E andasse bem vestida Aos vestes de admiração sob medida A versão em que nasci, jaz num papel bobo de encenação falha Faz brinde ao espelho, em comemoração de mais um ano de contrato Mais um capítulo daquela série de sobrevivência